AMAR A SI OU AO PRÓXIMO? – Irmão José

“Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento!” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI – Amar o próximo como a si mesmo.)

O Cristo veio à Terra para exortar o homem a dar um passo além de sua própria humanidade.

Nas páginas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, escreveu o espírito Lázaro: “A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais”.

Este, sem dúvida, é o maior desafio para que o espírito consiga se realizar em plenitude, derrotando, em si mesmo, as forças antagônicas do egocentrismo.

Neste sentido, observamos que o encerrar do espírito em um corpo, através da encarnação, não importando que este corpo seja mais ou menos material, conspira contra a “fusão dos seres”, que, evidentemente, sem que percam consciência de sua individualidade, por mais nada se sintam separados uns dos outros.

Para Deus, que nos ama, todos somos iguais, e não filhos que Ele possa ter gerado com código genético diferente.

Por isso, à medida que o espírito avança na senda do aperfeiçoamento espiritual, ele vai perdendo os sinais indicadores externos de sua personalidade, ultrapassando todos os limites humanos em que cada pessoa é capaz de se reconhecer e ser identificada.

O seu corpo vai se tornando tão diáfano que, de repente, desaparece, e, então, o espírito passa a existir em sua mais pura essência, e, a exemplo de Jesus, tornando-se “Um” com o Pai.

Não há diferença alguma entre as águas de um rio que se derrama nas águas de outro rio, aumentando-lhe o volume, para, irmanados, formarem o oceano.

O ar que se respira em qualquer parte do planeta, a rigor, sempre possui as mesmas características básicas, não se distinguindo pela sua cor nem pela sua densidade.

Enquanto não nos sentirmos parte de um todo, não compreenderemos que não nos preocuparmos com o todo significa não nos preocuparmos com a parte.

A recomendação do Cristo que, infelizmente, muitos vêm invertendo, não é a de amar a si mesmo para amar o próximo, mas sim a de amar o próximo para amar a si mesmo.

Pensando desta maneira equivocada, a grande maioria imagina que, ao se amar de maneira concreta, pode continuar amando o próximo de maneira abstrata.

E por enquanto, sobre a Terra, há muito mais gente precisando de mão compassiva que de olhar piedoso.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)