AMAR OS INIMIGOS – Irmão José

“Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XII – Amai os vossos inimigos.)

Falando com sinceridade, muito dificilmente, os espíritos de mediana condição evolutiva, quais os que, presentemente, encontram-se encarnados na Terra, conseguirão seguir a recomendação de Jesus de amar os inimigos.

Esta reflexão, igualmente, atinge a grande maioria dos que, na condição de desencarnados, estão orbitando ao redor do planeta, habitando alguma de suas múltiplas Dimensões espirituais.

Quando o Cristo nos instrui a respeito de semelhante amor, Ele pretende nos falar do amor em sua excelsa grandeza, porque a verdade é que, para nós outros, a capacidade de amar está sujeita à nossa gradativa possibilidade de renunciar a nós mesmos.

Não obstante, conscientes de aonde, um dia – a exemplo do próprio Senhor – deveremos chegar com o nosso mais amplo sentimento de amor, precisamos, desde já, ir nos esforçando no referido tentame, que se constitui em exercício para muitas vidas.

Poderemos, assim, desde agora, começar o nosso ensaio de angelitude procurando, pelo menos, não consentir que o ódio por aqueles que consideramos como inimigos não nos possuam o coração.

Avançando um pouco mais, poderemos ainda cuidar em não vibrarmos negativamente contra eles, não idealizando situações infelizes que, em os acometendo, nos façam sentir vingados do que, porventura, nos tenham feito sofrer.

E, talvez, nos aproximando da fronteira em que, com um único passo, nos será possível ultrapassar a nossa própria humanidade, passando a viver nos domínios da transcendência, poderemos conseguir orar por eles, pedindo a Deus que lhes enseje a oportunidade de capitular nas atitudes negativas de que nos fizeram vítimas de seus desequilíbrios.

Por fim, em se nos apresentando qualquer ocasião de lhes retribuir o mal com o bem, sob qualquer hipótese, não deixaremos de aproveitá-la – não para lhes demonstrarmos uma superioridade que não possuímos, mas simplesmente para auxiliá-los a modificar os equivocados pensamentos que, até então, possam ter sustentado contra nós.

Se, em relação aos nossos desafetos, gratuitos ou não, que costumamos rotular de inimigos, assim lograrmos agir, é possível que, mais cedo que esperamos – superando, inclusive, todas as expectativas do Céu a nosso respeito – venhamos a alcançar o prodígio de amá-los, conquistando uma condição íntima tal que nada mais, verdadeiramente, se nos constituirá obstáculo nos caminhos da Evolução.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)