ANTECIPADA COLHEITA – Irmão José

“A beneficência praticada sem ostentação tem duplo mérito. Além de ser caridade material é caridade moral…” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIII – Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.)

As qualidades negativas também carecem de cultivo para se desenvolverem.

A vaidade, por exemplo, desde que não sistematicamente cultivada, tende a se extinguir com naturalidade.

Felizmente, na gleba do espírito, não apenas as sementes das virtudes necessitam de adubo para germinar e crescer.

Quem se dedica, desinteressadamente, à prática do Bem aos semelhantes, não experimentando, no íntimo, outro sentimento que não seja o da alegria de ser útil, age como se estivesse no cumprimento de simples dever.

Ao contrário, quem se vangloria do Bem que possa fazer, não aufere deste mesmo Bem todas as benesses que ele pode proporcionar a si mesmo, porque, ao se exaltar por seus supostos gestos de bondade, permite que o personalismo lhe comprometa a espontânea manifestação de generosidade.

A existência de Deus é posta em dúvida pelos céticos porque Ele próprio se nega a assinar a autoria de sua Obra.

O Cristo, ao efetuar a cura de um leproso, conforme se pode ler no Evangelho de Mateus, capítulo 8, versículo 4, não se esqueceu de lhe recomendar: “Olha, não o digas a ninguém…”

Aquele que se preocupa em colocar em destaque o Bem que faça, em essência, não está preocupado com que o Bem se destaque, mas com a opinião que os outros possam ter dele; portanto, não está genuinamente a serviço do Bem, mas a serviço de si mesmo.

A questão em análise é de transcendente significado, porque, ao ostentar o Bem que pratica, o suposto benfeitor não deixa de causar constrangimentos ao beneficiado, e isto, sem dúvida, é uma maneira sutil de proclamar sobre ele a sua superioridade.

Para se engrandecer por dentro, ninguém carece de ser engrandecido por fora.

Basta uma pitada de vaidade para estragar a melhor receita de solidariedade.

A rigor, quem se dedica à prática do Bem aos semelhantes deve imitar o semeador, cuja obrigação precípua é a de lançar a semente à terra, sem se preocupar com quando e como ela haverá de lhe retribuir os esforços de semear.

A certeza do dever cumprido, antes que a semente venha a germinar, já lhe será antecipada e farta colheita de paz na consciência.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)