APARÊNCIA DE VIRTUDE – Irmão José

“… porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XV – Fora da caridade não há salvação.)

Realmente, existem pessoas portadoras de virtudes em potencial, mas que não se preocupam em vivenciá-las em benefício do próximo.

Acreditam, de maneira errônea, que basta serem caridosas em si mesmas, julgando-se dispensadas da menor atitude em que a sua suposta caridade se comprove.

A existência de verdadeira virtude em alguém se prova é no momento de expressá-la, porquanto uma coisa é ser santo de barro no altar e outra é demonstrar santidade em meio às dificuldades e lutas da vida.

De que vale ao médico o diploma em Medicina num quadro dependurado na parede, se, com receio de contágio, ele vive fugindo de lidar com os doentes?!

O grão de trigo aparece na espiga não para enfeitá-la, mas para ser transformado em pão que mata a fome.

Virtude inoperante é um poço d’água perdido em meio ao deserto, que, a fim de saciar a sede, ninguém é capaz de encontrar.

Muito fácil manter a calma sem conviver com quem possa lhe mensurar extensão e profundidade.

As teorias mais brilhantes, quando não saem do papel, são completamente inúteis.

O Cristo, após transfigurar-se na subida ao Tabor, em vez de acampar em seu cume, como, aliás, os próprios Apóstolos lhe haviam sugerido, desceu ao nível do chão para continuar convivendo com os sofredores – aliás, nem no instante da cruz, em que mais alto ainda se elevou, Ele deixou de mais profundamente descer para socorrer aos que viviam nas entranhas da Terra.

Portanto, ser bom não basta – é preciso doar-se em bondade.

A fonte de água mais pura, se não desliza a partir de sua nascente, é candidata a pântano.

Entre uma árvore que produz sombra e frutos, e outra que apenas sombra produz, o machado sempre escolhe a segunda.

Assim, não confundamos aparência de virtude com virtude real, porque, longe do campo da batalha humana, no qual tem oportunidade de provar o seu desapego e coragem, o combatente do Bem nunca passará de um soldado sem divisas.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)