O JARDINEIRO DIVINO – Irmão José

“Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos- (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

De fato, o espírito em evolução pode ser comparado à minúscula semente que, na gleba da Vida, vem sendo laboriosamente cultivada pelo Senhor, o Jardineiro Divino.

Os pensamentos Dele, à maneira da claridade solar, incidem constantemente sobre os nossos pensamentos, fazendo com que germinem ideias e sentimentos de ordem superior.

Cuidadosamente, desde o princípio, Ele vem zelando por cada um de nós, impedindo que as circunstâncias adversas nos comprometam o florescimento espiritual.

Assim como o lavrador que, lançando o grão à terra, espera pela colheita promissora, o Cristo, com extremada paciência e carinho, aguarda que venhamos a corresponder às suas justas expectativas de diligente pomicultor.

O corpo físico pode ser comparado à leira onde o espírito jaz plantado, permanecendo em lento e exaustivo processo de maturação, ao longo dos séculos e milênios.

Evidentemente, todos ainda muito longe estamos de florescer e frutescer com a exuberância de uma árvore na plenitude de suas possibilidades intrínsecas.

O Senhor, porém, não desistirá de nenhuma das sementes que o Criador lhe confiou, para que, um dia, na perpetuação da espécie, elas mesmas consigam se multiplicar de maneira prodigiosa.

As suas Palavras de Vida Eterna prosseguirão, na medida certa, adubando-nos a vontade débil e ofertando-nos condições propícias para que, no tempo assinalado pelas Leis da Evolução, possamos imitar a humilde semente de trigo, que emerge da cova escura em que se acolhe e se transfigura em espiga madura para o milagre do pão.

E como a semente – que, de estação a estação, enfrenta, muitas vezes, as variações do clima, incubando-se sob a ação das intempéries – de vida em vida, ante o sol causticante das provas que suportarmos ou das tempestades de lágrimas que sobre nós desabarem, haveremos, um dia, de deixar de ser simples promessa para nos tornarmos realidade.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

FERMENTO DA EVOLUÇÃO – Irmão José

 

“O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

Conforme escreveu Kardec, sob a inspiração dos Espíritos Superiores, o Espiritismo também mostra a causa dos sofrimentos na destinação da Terra, onde o espírito, além de expiar o seu passado, desenvolve as suas potencialidades.

O sofrimento, portanto, em seus extensos horizontes de lágrimas, que cobrem toda a Humanidade, não diz respeito apenas à reparação das infrações que o espírito comete contra as Leis Divinas.

A verdade é que a dor é o indispensável fermento da Evolução.

Sofre o carvão para se transfigurar em diamante…

Sofre a semente para germinar e florescer…

Sofre a ostra para produzir a pérola…

Sofre o animal para sobreviver e perpetuar a espécie…

Sofre a criança para se colocar em pé…

Sofre o homem para cumprir com o dever…

Nascendo das entranhas da própria Vida, a Vida mais ampla é sempre um parto difícil e complexo.

Todo e qualquer passo além do comodismo, em que o homem tende a se perpetuar, exige dele renúncia e sacrifício e, consequentemente, suor de mistura com muitas lágrimas.

Ninguém transpõe uma escada sem subir degraus, ou escala um monte sem se expor aos perigos do tentame.

Quando apenas sinônimo de resgate, a dor de alguém, raramente, se faz desbravadora de caminhos para aqueles que seguem na retaguarda.

As almas aflitas e inquietas pelo futuro, muitas vezes, vendo os seus sonhos se transformarem em pesadelos, são as que compelem a espécie humana a deixar o lugar comum.

Os que primeiro enxergam a luz não se furtam à ira dos que se demoram imersos na escuridão.

O Cristo, em sua passagem pelo orbe, não sofreu a crucificação em consequência de culpas que Ele não possuía, mas, sim, para a expansão cada vez maior de seu Espírito, ansiando talvez, sempre, por mais profunda identificação com Deus.

Saibamos que, além das consequências de sua própria ignorância, somente os espíritos medíocres não admitem sofrer nenhuma espécie de dor que seja capaz de resgatá-los à mediocridade em que se comprazem.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

SIMPLESMENTE, Alívio – Irmão José

SIMPLESMENTE, ALÍVIO

“Foi isso que levou Jesus a dizer: ‘Vinde a mim todos vós que estais fatigados, que eu vos aliviarei’ – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.”

Com tais palavras, Jesus não está a nos prometer o que Ele não pode cumprir, em substituição ao nosso esforço pessoal.

Nos campos evolutivos da Vida, por maior seja a sua capacidade de amar, nenhum espírito logra impedir que outro trave as suas próprias lutas a fim de ascender.

O Cristo nos aponta o caminho para os Cimos, de modo a que possamos caminhar sem equívocos na direção da luz; todavia, Ele não nos suprimirá da caminhada que nos compete efetuar sangrando os pés.

Eximir alguém da prova indispensável ao seu progresso seria o mesmo que negar ao aprendiz acesso aos bancos escolares, condenando-o à eterna ignorância.

Revivendo a Mensagem Cristã, o Espiritismo não nos acena com as teorias ilusórias que, com a finalidade de ganhar adeptos, outras crenças religiosas formulam a quem não possui suficiente maturidade para entender que o espírito é o construtor do próprio destino.

Prometendo-nos simplesmente alívio, o Cristo, que jamais nos engana, nos garante que, caso venhamos a Ele recorrer, Nele haveremos de encontrar o suplemento de força que não nos deixe esmorecer sob a cruz que ombreamos.

Mesmo o médico não consegue curar o paciente cujo organismo não responda à ação dos medicamentos prescritos por ele.

A solução definitiva para qualquer um de nossos problemas passa, necessariamente, pelo nosso empenho em solucioná-los, que tão mais depressa o serão quanto maior seja a nossa boa vontade em tê-los resolvidos.

Uma palavra de coragem que alguém nos dirija, evidentemente, não afasta de nossos caminhos os percalços que necessitamos enfrentar, mas pode nos aliviar em nossa carga de aflição e desespero, impedindo que a falta de serenidade concorra para o agravamento de nossas dificuldades.

Não esperemos, portanto, que o Senhor ou os seus Prepostos descruzem os braços por nós e nos poupem do trabalho intransferível que, a fim de obter o que desejamos, cada um de nós somos chamados a executar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

EUTANÁSIA – OUTRA VISÃO – Irmão José

“Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

A Ciência, sob as bênçãos do Criador, tem evoluído no sentido de amenizar os sofrimentos humanos, abstraindo o primitivismo das provas que o homem faceia em sua evolução.

A inteligência, colocada a serviço do bem em prol dos semelhantes, a pouco e pouco, sitiará as doenças somáticas de maior gravidade, até que consiga derrotá-las, o que, evidentemente, não impedirá que o psiquismo continue a padecer as provas que lhe são indispensáveis ao desenvolvimento.

Sobre a Terra, ante o comportamento inadequado da criatura, necessitada de expiar faltas pretéritas, é natural que os quadros patológicos que lhe acometem o corpo perecível se mostrem, por vezes, tão chocantes, ensejando-lhe, e aos seus circunstantes, importantes reflexões quanto à nulidade das ilusões que fomentam ou fomentaram em si.

Quem se encontra no leito suportando dores de natureza irreversível, em dias e meses de grande agonia, com a perda total da consciência, está tendo oportunidade de considerar a própria caminhada que efetuou ao longo da existência prestes a se findar, quanto possibilitando aos que, com ele lidam, direta ou indiretamente, lições de inestimável valor para o futuro.

E não resta dúvida de que a própria Ciência, em seus avanços, se aproveita da situação da enfermidade que, indefinidamente, se arrasta em alguém, para melhor conhecê-la e aprimorar os processos terapêuticos que possam combatê-la com êxito.

Não obstante tais considerações, precisamos ponderar que, muitas vezes, ante o diagnóstico preciso de morte cerebral, que – mesmo para as Leis da Vida – se constitui em quadro de reversão impossível, não há justificativa lógica, humanitária ou espiritual, para que o corpo que, sobre o leito, praticamente se decompõe de modo gradativo, continue a ser mantido vivo por questões ligadas a uma ética convencional, ou por excesso de escrúpulo de natureza religiosa.

Tais procedimentos, em essência, quase que correspondem aos processos de mumificação do passado, através dos quais se imaginava que o espírito, a qualquer momento, pudesse voltar a necessitar do corpo de que já se desligara completamente.

Cremos assim, de nossa parte, que, quando qualquer quadro patológico se instale na criatura encarnada, com evidentes características de irreversibilidade, e com a morte cerebral sendo decretada, não há razão para que, através de medicamentos ou aparelhos de alta tecnologia, o coração prossiga sendo mantido a pulsar, impedindo, não raro, que o espírito se liberte, em definitivo, do corpo, ao qual, simplesmente, então, se hesita em oferecer a dignidade do túmulo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

TODAS AS LÁGRIMAS – Irmão José

“Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Talvez sobre a Terra, seja maior o contingente daqueles que sofrem como principais responsáveis pelo seu próprio sofrimento, do que o número daqueles que sofrem por conta das dores que outros lhes constrangem a padecer.

Não estamos nos referindo às consequências de ações remotamente perpetradas, em vidas passadas, e sim às resultantes das escolhas equivocadas efetuadas no tempo presente.

Incalculável a percentagem de quantos, não sabendo administrar as suas ambições, suportam amarguras que, noutras circunstâncias, absolutamente, não haveriam de afetá-los.

Ninguém, por exemplo, conseguiria enumerar numa lista os nomes daqueles que, movidos pela inveja do sucesso alheio, vivem sem conhecerem um instante sequer de paz.

Milhares os que, todos os dias, exacerbam terríveis complexos de inferioridade, unicamente porque não sabem se valorizar na condição em que se encontram renascidos, com a capacidade de se superarem na realização de verdadeiros prodígios.

Se todos os homens compreendessem que, em sua atual encarnação, foram aquinhoados pela Vida com o melhor – porque a mais, por enquanto, ainda não fizeram jus – não teríamos as multidões que passam a depender de medicamentos que possam fazer por elas o que, em verdade, nunca poderão fazer.

Nada mais prejudicial ao equilíbrio da criatura humana do que a falta de maior aceitação de sua realidade íntima e, consequentemente, das circunstâncias externas em que a sua existência se estrutura.

Não estamos fazendo a apologia do comodismo, mas destacando o valor da resignação consciente de quem, serenamente, se esforça na superação das dificuldades que, do ponto de vista evolutivo, o homem mesmo se impõe.

Antes de ter experienciado a condição de pedra humilde no alicerce de uma construção, não lhe adianta ambicionar ser o telhado.

O grande rio que corre na direção do mar teve por berço uma singela mina d’água, que emergiu das entranhas da terra.

Não soframos desnecessariamente por aquilo que ainda não somos, ou não possuímos, porquanto todas as lágrimas que vertermos motivadas por isso não lograrão mudar o panorama de nossa realidade interior, em um só de seus muitos e intrincados detalhes.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

TEMPO DE FELICIDADE – Irmão José

Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

A pouco e pouco, haverão de chegar os tempos em que o homem compreenderá que tudo, ou quase tudo, que, atualmente, se lhe constitui objeto de felicidade na Terra, não passa, em verdade, de enganosa ventura.

De maneira gradativa, com o auxílio de acuradas reflexões e muitos reveses, ele entenderá que o bem-estar espiritual duradouro que almeja alcançar não se concentra na posse efêmera dos transitórios valores da existência.

Quando este momento libertador soar para si, o homem se desprenderá de tudo o que lhe escraviza o espírito e lhe pesa sobre o coração; e nada mais lhe será capaz de embaraçar os passos na caminhada rumo à sua grandiosa destinação.

Consciente da transitoriedade da vida física, viverá, então, cada minuto, com senso de eternidade, sem que a própria passagem do tempo lhe venha a causar o menor receio.

Saberá que tudo, ainda, mais lhe pertence na exata medida em que nada desejar ter como sendo posse exclusivamente sua.

A doença e a morte não lhe serão motivo de tristeza alguma, porque, para ele, viver ou deixar de viver no corpo perecível não terá outro significado que não seja o de apenas cumprir determinado estágio de aprendizado dentro da Vida, que é eterna.

Assim, livre das inquietações que atormentam aquele que respira no mundo, sem qualquer perspectiva otimista em relação ao futuro, deixando de ser angustiante ponto de interrogação, o amanhã lhe descortinará sucessivas exclamações de reverência ante a indefinível grandeza e sabedoria da Criação.

Completamente despojado de ilusões, revelar-se-á infenso às sutis artimanhas das trevas, que fazem perturbar aqueles que terminam por se convencer de que lhes seja possível deter o curso incessante das horas que tudo modificam como quem, inutilmente, tenta aprisionar o vento na palma fechada de sua mão.

Sentindo-se cidadão do Universo, verá a todos como seus irmãos, e, portanto, seus iguais, pouco lhe importando renascer nesta ou naquela condição que ainda caracteriza o egoísmo humano com as suas inclinações e preferências.

Somente quando atingir este patamar superior, rumo ao qual – a passos mais lentos uns, a passos mais rápidos outros – todos empreendem irreversível jornada, é que, por fim, o homem poderá dizer que lhe foi dado tocar as franjas da túnica inconsútil da verdadeira felicidade.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

CORAGEM DE ACEITAÇÃO – Irmão José

“O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem- -aventurados os aflitos.)

Não interpretemos o texto acima de maneira literal, de vez que, evidentemente, em tempo algum, Deus recusa consolações a qualquer um de seus filhos.

As consolações divinas estão sempre à disposição de quem delas quiser, e souber, se apropriar.

Se, diante das provas que faceia, falta ao homem coragem de aceitação, claro que, desconsolado em si mesmo, lhe faltará a força de que necessita para vencê-las.

Não raro, quase todos esperam que o Consolo Divino lhes alcance o coração, à semelhança do orvalho da noite que, prodigiosamente, cai sobre a corola da flor ressequida.

Precisamos, no entanto, considerar que o conforto de que necessitamos em nossas lutas e provas, quase sempre, chega até nós pela presença daquele que nos socorre com a sua palavra amiga ou com o seu gesto de bondade.

A questão do recebimento da bênção do Mais Alto é também uma questão de receptividade da parte de quem espera por ela.

Sobre a gleba que não se lhe abre em cova acolhedora, a semente não germina.

Todas as criaturas, o tempo todo, vivem cercadas pelo Amor de Deus, porque esse Amor é semelhante ao ar puro que nos inunda os pulmões e nos faz respirar.

O fenômeno da chamada morte acontece não por falta, em suas fontes inesgotáveis, do oxigênio indispensável à manutenção da vida no corpo, mas justamente porque o próprio corpo se nega a continuar inalando o elemento que lhe é essencial à existência.

Portanto, Deus não recusa consolações àquele que deseja e procura ser consolado; mas, por outro lado, nada pode fazer em benefício daquele que não o procura e não o deseja.

O Criador não se tornaria infrator de suas próprias Leis.

Assim, se te encontras em estado de desânimo e abatimento, busca te predispores ao amparo de que necessitas e que, em verdade, encontra-se onde sempre esteve – rente a ti!

Aguça as tuas percepções e ouvirás justamente as palavras que mais careces escutar para não te renderes à mais completa apatia; assim fazendo, perceberás o apoio de mão invisível que te sustenta sob o peso da cruz que te cabe carregar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

PROPAGANDISTAS DA DESCRENÇA – Irmão José

“A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem- -aventurados os aflitos.)

Infelizmente, os propagandistas da descrença não se encontram apenas em meio aos descrentes confessos, que vivem apregoando a inexistência de Deus e, consequentemente, que a vida humana não passa de simples fenômeno biológico aleatório.

Os piores céticos poderão ser encontrados entre os que, dizendo-se a serviço da fé, adotam atitudes tão contraditórias à mensagem que pregam que terminam por inocular o veneno do ceticismo nas almas.

Nesse sentido, por incrível que pareça, será possível depararmo-nos com incrédulos que se pautam por melhor ética do que muitos religiosos, que, de tanto se corromperem nos princípios que abraçaram, perderam a fé em si mesmos.

Estamos nos referindo aos que, falando do que não creem, transformam o púlpito em palanque de interesses particulares que se amesquinham cada vez mais…

Aos que decepcionam quantos os surpreendem em seus atavismos de ordem moral, cedendo à tentação do prazer ou do dinheiro fácil, em que extorquem os menos avisados…

Aos que, de tanto enganarem aos outros, se debilitaram espiritualmente, a ponto de continuarem a persistir no que fazem simplesmente porque se habituaram a fazer o que fazem…

Aos que, em se degradando em seus dons mediúnicos, que inúmeras vezes utilizaram desonestamente, insistem em se dizer na condição de emissários dos Bons Espíritos, que, desde muito, deixaram de lhes prestar assistência…

Esses e outros, sem dúvida, sequer acreditam mais que, um dia, possam vir a responder pelas suas leviandades, de vez que passaram a descrer totalmente de que a Vida prossegue além da morte.

Exteriormente, quando em público, através de movimentos estudados e palavras bem postadas, desdobram-se para mostrar sinceridade de convicções; porém, tivesse alguém oportunidade de lhes sondar os mais íntimos pensamentos, com certeza, se estarreceria.

Com personalidade dúplice, embora muitos deles se façam aclamados pela multidão que os incensa e idolatra, a pouco e pouco vão inoculando nos espíritos incapazes de discerni-los o veneno que as doutrinas reconhecidamente materialistas inoculam, sem que necessitem recorrer ao aval de enganosa propaganda.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

PUNIÇÃO DAS FALTAS – Irmão José

“O homem, pois, nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua existência atual; mas não escapa nunca às consequências de suas faltas.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Deus, que se manifesta ao homem através de Suas Leis, jamais é tendencioso, não se inclinando a favorecer de maneira ilícita seja a quem for.

O Amor verdadeiro é sempre imparcial, igualmente sensível para com todos, não estando sujeito a simpatias ou antipatias pessoais.

Não se pode, portanto, atribuir ao Criador qualquer das paixões que, no relacionamento com as pessoas, caracterizam as criaturas, presas aos estreitos limites de sua própria humanidade.

As Leis Divinas nunca agem para punir, mas sim para educar.

A questão da reparação dessa ou daquela falta cometida pelo homem deve ser entendida de maneira mais profunda, porque, infelizmente, a ideia que muitos continuam fazendo de Deus é a de um Juiz implacável, que vive de absolver ou condenar os filhos que criou.

Sem dúvida, perante o tribunal da consciência, é o homem que, toda vez que infringe uma das menores Leis da Criação, lavra sentenças condenatórias contra si.

Assim como, pela justiça humana, é considerado delinquente aquele que afronta os princípios ético-sociais, quem se opõe ao Bem indefectível, passando, voluntariamente, a ser uma peça em desarmonia, coloca-se à margem desse mesmo Bem em que a Vida se estrutura.

Por mais insignificante, a prática do mal, em essência, é um gesto conspiratório da criatura contra o Criador.

Se o homem não dispusesse de certo “dispositivo consciencial”, que o adverte quanto aos equívocos cometidos, ele não se sentiria naturalmente compelido a repará-los e se eternizaria na condição de infrator, ou de adversário da Vida.

Todavia, ao extrapolar na utilização de seu livre-arbítrio, o referido “dispositivo consciencial” o alerta quanto à sua condição de réprobo, na qual escolheu se colocar em oposição às normas ético-existenciais que vigem no Universo, exigindo que ele torne ao ponto de equilíbrio.

Tais alvitres conscienciais lhe soam no íntimo como, por exemplo, perda da paz, sentimento de culpa, aflição interior, tormentos psicológicos, falta de lucidez intelectual e, inclusive, doenças que se lhe expressam no corpo somático.

Evidentemente, estando os espíritos em diferentes níveis de despertar, somente ao longo do tempo – podendo variar entre a marca de alguns dias ou de alguns séculos – é que cada um deles será chamado a esse inevitável ajuste de contas consigo mesmo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

INEVITÁVEIS E EVITÁVEIS – Irmão José

“Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Dos males que o espírito enfrenta na reencarnação, nem todos, evidentemente, dizem respeito às suas pregressas existências.

Muito embora o sofrimento seja consequência da necessidade de o espírito evoluir, forçoso é admitir que, na maioria das vezes, as dores com as quais ele se defronta na existência terrestre se originam de sua voluntária infração às Leis da Vida.

Portanto, em síntese, pode-se dizer que existem sofrimentos evitáveis e inevitáveis.

Os inevitáveis são as provas naturais do caminho evolutivo, oriundos dos obstáculos que se enfrentam para desenvolver faculdades latentes – digamos que sejam sofrimentos não determinados pelo carma individual.

Os evitáveis são os que o próprio espírito, no uso de seu livre-arbítrio, engendra para si mesmo, com as decisões equivocadas que delibera tomar.

Talvez, assim, sofrer essa ou aquela agressão se faça inevitável, mas a iniciativa de agredir, ou de revidar, é perfeitamente evitável.

Muitas vezes, não há como escapar às circunstâncias adversas do meio evolutivo em que se vive, sofrendo-lhe as influências, contudo, evidentemente, o espírito não está obrigado a ceder a elas.

Para quem se dispõe a caminhar, tropeçar e cair pode ser inevitável; todavia, render-se à revolta por isso, recusando-se a continuar seguindo, é opção pessoal.

O que se encontra na alçada do espírito em evolução é evitar praticar o mal a quem quer que seja, mas não evitar que o mal lhe seja praticado.

A quem se embrenha na mata, o risco de ser picado por uma víbora é sempre iminente, no entanto, sabendo disso, além dos cuidados de praxe a serem tomados para que tal não suceda, pode-se ainda levar na mochila uma dose de soro antiofídico.

Os espíritos que se permitem afetar pelo mal que lhes é cometido, aceitando a provocação que lhes é feita, estabelecem com ele vínculos de natureza cármica que os retardam na marcha.

Portanto, chega-se à conclusão de que evoluir sem luta é inevitável, mas evoluir sem tantos problemas decorrentes dela é algo que se pode claramente evitar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)