CRIAÇÃO E PRIVILÉGIO – Irmão José

CRIAÇÃO E PRIVILÉGIO

“Apenas ideias muito imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura. Acreditavam nos anjos, considerando-os seres privilegiados da Criação; não sabiam, porém, que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade destes.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. II – Meu reino não é deste mundo.)

A Revelação Espírita surgiu para, também, desmistificar as crenças que não correspondem à ideia de um Deus justo e sábio.

Não existem privilégios na Criação Divina.

Os Espíritos que todos reverenciamos na condição de numes tutelares da Humanidade não são seres criados à parte, quais se fossem eles portadores de elemento genético diferenciado.

O próprio Cristo não se isentou das Leis da Evolução, que, no curso dos milênios, faz com que o espírito, criado simples e ignorante, se transfigure em anjo.

A matéria não passa de veículo para que o espírito, em nela se aperfeiçoando, também a espiritualize, porque tudo o que existe está em trânsito para a sua plena identificação com o Criador.

Os seres considerados mais primitivos, um dia, haverão de surgir transcendentalizados.

É como se, nas criaturas, o Criador estivesse efetuando o resgate de Si mesmo, para que, por fim, todas possam dizer como disse o Cristo: “Eu e o Pai somos um “.

Portanto, ninguém há de ficar, indefinidamente para trás, qual elemento frustrante das expectativas da própria Vida, que a tudo e a todos atrai para o seu Centro de Luz.

Os retardatários não passam apenas de retardatários, que, amanhã ou depois, ao despertarem, haverão de envidar esforços no sentido de se nivelarem aos que lhes tomaram a dianteira.

No Educandário da Vida Universal, existem currículos apropriados e mestres adequados às necessidades pedagógicas dos aprendizes mais recalcitrantes.

Se Deus, nosso Pai, em sua tarefa de educar, viesse a se frustrar em um só de seus filhos, isto haveria de representar o seu próprio fracasso como Educador – o que, convenhamos, sem que se estabeleça o caos no Universo, não é admissível.

Para alguns, a caminhada pode se fazer efetivamente muito mais longa, mas é da Lei que, a quedas e tropeços, todos venham a avançar e, por si mesmos, fazer jus à felicidade que aspiram desfrutar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)