DESENCARNAÇÃO – Irmão José

“A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao amigo de que vos bavíeis deslembrado e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

A sabedoria da Lei da Reencarnação somente encontra parâmetro na sabedoria da desencarnação, porquanto ambas, arrancando os espíritos ao seu comodismo, fazem com que, dos Dois Lados da Vida, eles se ponham em constante movimento.

Imaginemos se, em seu corpo físico, o espírito se eternizasse sobre a Terra, com os seus pensamentos cristalizados e hábitos arraigados… Não se sentir constrangido a deixar o envoltório material, equivaleria para ele perpetuar-se na estreiteza de suas concepções em torno do infinito da Vida.

A desencarnação, além de ser um choque biológico, induzindo o espírito a gradativo despertar, é um choque de natureza espiritual, que arrebata o espírito às ilusões fomentadas.

Quase sempre, de inesperado, subtraído ao meio em que vive, deixando para trás tudo o que – inclusive no mundo intelectual e moral – lhe mantinha o status quo, a contragosto, ele é compelido a rever os seus próprios valores.

Então, exercita-se no desapego ao que é transitório, e que, inutilmente, imagina reter consigo, aprendendo que, esteja no corpo ou não, o homem vale pelo que é, e não pelo que aparenta ser.

Se a reencarnação, muitas vezes, leva o espírito de volta ao passado, a desencarnação, que é o seu contraponto, leva-o de encontro ao futuro, para que, entre idas e vindas constantes, ele ascensione em definitivo.

No entanto, não basta reencarnar ou desencarnar, sem que, onde estiver, o espírito tome consciência de que, dos Dois Lados da Vida, ele está sempre em trânsito com as suas idéias, porque mesmo o Mundo Espiritual imediato ainda não é a sua última morada.

Quando, por fim, o homem compreender que apenas e tão-somente é o usufrutuário dos bens que Deus coloca à sua disposição, ele alijará de si todo sentimento de posse, inclusive o que o faz acreditar que possa ser o detentor da Verdade absoluta.

Porque, de fato, nada concorre mais para que ele se retarde em sua jornada evolutiva que o voluntário estacionamento em pontos de vista que, na maioria das vezes, não passam de expressões de seu limitado conhecimento das coisas.

Reencarnação e desencarnação são fenômenos que, acometendo o espírito, podem assim se comparar ao dinamismo das águas do mar, que estão em incessante movimento, impedindo que o mar, caso viesse a estagnar, se transformasse em pântano colossal.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)