EGOÍSMO COLETIVO – Irmão José

“Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com eles?” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI – Amar o próximo como a si mesmo.)

A exacerbação do “eu”, ou seja, o excessivo culto à personalidade – que, comumente, denomina-se de egoísmo – é dos maiores males da Humanidade, mormente quando ao se adicionar a outras individualidades, que cultuam os mesmos valores, converte-se em egoísmo de natureza coletiva.

O egoísmo, que existe isoladamente, desde que não combatido pelo devotamento, tende a se generalizar, criando perigosos quistos de natureza social.

É dele, por exemplo, que surgem questões ligadas ao racismo, ao preconceito, inclusive religioso, à opressão do fraco pelo mais forte, à ambição de conquista.

Os indivíduos acometidos por semelhante doença, de tratamento complexo, podem adoecer a coletividade e levá-la a cometer atos de extrema insanidade contra povos pertencentes a outros grupos étnicos e culturais.

Na atualidade, infelizmente, vemos a presença do egoísmo não apenas naquele que, se nega à necessidade do outro, mas também em determinados clãs que se unem em torno de um líder despótico, não medindo consequências para os que submetem através do uso da força.

Poderíamos, ainda, listar outras manifestações de egoísmo coletivo que imperam na Humanidade de agora:

– o egoísmo do valor convencional que se atribui ao dinheiro, que, em todos os países, deveria se equiparar;

– o egoísmo do idioma e, consequentemente cultural, que se deseja impor sobre as demais línguas faladas pelo homem;

– o egoísmo no campo das transações comerciais, em que, em benefício próprio, um país não hesita em levar o outro à bancarrota…

Enquanto, verdadeiramente, não se adotar como regra de convivência mútua a lição do “amai-vos uns aos outros”, os indivíduos e as coletividades permanecerão escravizados a esse sentimento rasteiro que, no Universo, continua a fazer a indignidade do ser humano e a desafiar a sua capacidade civilizatória.

O homem precisa compreender que a sua identidade somente existe em relação à identidade alheia que, a qualquer custo, deve ser respeitada, porque o seu grande desafio é o de se fazer igual na diversidade, e não o de se diversificar na igualdade.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)