EM OUTRAS PALAVRAS – Irmão José

“Se não houvesse homens maus na Terra, não haveria espíritos maus ao seu derredor.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XII – Amai os vossos inimigos.)

Em outras palavras, somente a maldade dos homens encarnados é que enseja a presença do mal sobre a Terra, e, consequentemente, a influência malévola que eles padecem da parte dos espíritos de sua mesma natureza.

A rigor, apenas o Bem, por Presença Divina, existe e existirá de todo o sempre, em toda parte.

O mal é criação transitória da criatura que ainda não se afeiçoou ao Bem completamente, porque, em essência, enquanto não nos afeiçoarmos completamente ao Bem, todos nós seremos capazes de praticar algum mal.

Assim, enquanto formos mais ou menos bons sobre a Terra, ou para além dela, o mal, através de nós mesmos, ainda que de maneira fugaz, encontrará oportunidade de continuar existindo.

E isto porque, perante a Sabedoria da Lei, que converte sombra em luz, o mal está destinado a se fazer instrumento de educação para aquele que se torna o seu causador.

O machado, de tanto se aplicar ao tronco das árvores, terminará por perder o corte da lâmina com que as decepa.

Atuando sobre a porção de argila, chamas da fornalha nada mais fazem do que, em assim se consumindo, transfigurar o barro em obra de arte.

Do veneno da serpente de picada mais mortífera é que, justamente, se fabrica o soro capaz de impedir a sua ação letal.

O mal, sendo contrário às Leis Divinas da Criação, não se sustenta a si mesmo.

Os espíritos ditos obsessores, atuando sobre as suas vítimas, expõem, de parte a parte, feridas morais que jazem ocultas, mas que, em se revelando, haverão de ser convenientemente tratadas.

Ter-se-ia um número muito maior de óbitos no mundo se os seus agentes causais não se traíssem pelos sintomas com que se apresentam aos médicos, que, então, podem diagnosticá-los e, muitas vezes, se anteciparem à sua gravidade.

A verdade é que, sem palavras, o mal pede para se despir de seu disfarce de mal; e, o Bem, para se mostrar em sua legítima identidade.

Se o homem pretende se libertar das influências espirituais negativas que padece, que cesse de evocá-las e de lhes oferecer alimento em seu psiquismo; porque, do campo onde não encontra algo com que possa atender à fome, a ave de rapina, naturalmente, se distancia.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)