INSTRUMENTOS DE EVOLUÇÃO – Irmão José

 

“Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Inegavelmente, os espíritos são os melhores instrumentos de Evolução uns dos outros.

As dificuldades da vida material no mundo ensejam ao homem o desenvolvimento de sua inteligência, mas somente através da convivência com o próximo é que ele tem oportunidade de crescer moralmente.

A necessidade de se alimentar e de preservar a sua saúde fez com que o homem enveredasse pelos caminhos da Ciência, alcançando notáveis conquistas no campo da intelectualidade.

Gradativamente, as aldeias foram cedendo lugar às cidades, e a vida primitiva de séculos atrás se transfigurou, nos tempos modernos, em arrojados avanços tecnológicos que mais se parecem com obras saídas das páginas da literatura de ficção.

Inclusive, pela sua capacidade intelectiva sempre em expansão, o homem, aos poucos, vem partindo para a exploração do Cosmo, com o futuro lhe reservando inúmeras possibilidades de viagens interplanetárias, dentro e fora do Sistema Solar.

Mais que o próprio rádio, a televisão e o telefone, a Internet se encarregou de tornar ainda mais real o chamado mundo globalizado, fazendo com que as distâncias, antes quase intransponíveis, praticamente, desaparecessem na aproximação dos povos.

O trabalho, tão penoso para o homem em época não muito recuada, custando-lhe excessivo desgaste físico e precoce envelhecimento, vem, na atualidade, sendo realizado por engenhos robóticos que, com vantagem, lhe substituem os olhos e as mãos.

Não obstante, é forçoso convir que o homem não possa aprender a amar com um robô, nem tampouco desenvolver a sua sensibilidade em meio às máquinas que lhe proporcionam tanto conforto material.

Nos caminhos de sua Evolução para Deus, o próximo nunca poderá ser substituído por qualquer outro artefato que lhe ensine convivência e seja capaz de concorrer para despertá-lo em suas aptidões morais.

Porque, quanto mais o homem se isolar de seus semelhantes, evitando-lhes a presença, nas lições mútuas de que, ao mesmo tempo, se façam mestres e aprendizes, menos ele terá oportunidade de exercitar as suas qualidades do coração.

É que, se ele pode chegar aos confins do Universo num foguete, somente o próximo se lhe fará veículo para que, um dia, ele consiga chegar ao Centro da Vida.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

QUEM COMPREENDE – Irmão José

“O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Quem compreende o valor do trabalho espiritual em sua vida, não carece de ser insistentemente chamado a fim de que cumpra com o dever que lhe compete.

Quando o homem desperta para a sua necessidade de servir, por iniciativa própria, ele empunha a charrua, e não mais para de arrotear a gleba do próprio espírito, que, então, reconhece na condição de trato de terra há muito abandonado por ele.

Ao contrário, aquele que ainda não reconheceu a situação de indigência moral que o caracteriza, julga-se dispensado de todo e qualquer esforço de melhoria íntima, sempre respondendo com evasivas a quem, com insistência, o convida a transpirar por uma causa nobre.

Infelizmente, sobre a Terra, perde-se a conta do número daqueles que consideram perda de tempo o seu engajamento em obras de benemerência, que, a rigor, seria muito mais para beneficiar a si próprios do que os que, supostamente, viessem a ser beneficiados por eles.

Feliz de quem desperta para o cumprimento do dever que – mesmo quando ligado aos compromissos familiares ou à conquista do pão da sobrevivência – transcende as obrigações corriqueiras da vida cotidiana.

Abençoado seja quem sempre procura fazer o que compreende que deve, e não somente fazer o que quer, sem nunca abdicar de seu desejo de natureza personalista – que é mais egoísmo que altruísmo, e mais conveniência que abnegação.

Sem que contrarie a si mesmo, o homem não consegue se adequar à Vontade de Deus.

No campo do dever a cumprir, a fim de justificar o seu comodismo e indiferença em relação ao próximo, o homem é hábil em empregar os mais variados sofismas, porque procura se convencer de que, fazendo o que dele a sociedade espera, a mais não se sente obrigado.

Isto se trata de engodo, porque onde termina o seu limitado dever para com a vida social de relação, começa o seu ilimitado dever para com a Humanidade.

O grau de maturidade espiritual em que o espírito se encontra pode ser medido pela sua consciência mais ou menos ampla do dever que cumpre com espontaneidade e alegria.

Todavia, embora, por vezes, esta alegria e esta espontaneidade venham a lhe faltar, nem por isto ele deve deixar de forçar os limites de sua capacidade de se doar aos semelhantes, porque o que hoje é feito sob o patrocínio da dor, amanhã o será sob os auspícios do amor.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

O VERDADEIRO ESPÍRITA – Irmão José

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

O verdadeiro espírita, ou o espírita consciente da responsabilidade que o conhecimento mais amplo da Vida lhe confere, é aquele que, sem traçar condições para isto, está sempre preocupado em ser útil aos seus semelhantes.

Porque transcendeu o rótulo da própria doutrina que professa, não é um extremista religioso; é, portanto, aberto ao diálogo com os adeptos de todas as crenças, nas quais reconhece reflexos da Verdade pela qual exclusivamente se interessa.

Vive, naturalmente, mais preocupado em melhorar a si mesmo, no combate sistemático às imperfeições que lhe dizem respeito, que procura identificar muito mais em si do que nos outros, nos quais reconhece irmãos travando lutas idênticas às suas.

Reconhece o caráter dinâmico do Espiritismo, que, na revivescência do Cristianismo, em face dos progressos da Ciência, e com o intuito de satisfazer às exigências da razão, não cessa de se atualizar em seus postulados.

Embora admitindo a eternidade da Vida, busca valorizar cada minuto que passa, porque entende que minuto não aproveitado de maneira conveniente é felicidade que, eternamente, pode se adiar.

Faz consigo um pacto de não inventariar queixas pessoais que, quando formuladas de maneira sistemática, fragilizam o espírito diante dos obstáculos que, então, lhe parecem ser maiores do que são.

O verdadeiro espírita não é um modelo acabado de perfeição moral, da qual, evidentemente, se encontra muito distante, mas, mesmo diante dos muitos erros que ainda comete, não se permite acomodar na queda, e, quase no mesmo instante em que cai, ele se levanta, e continua caminhando, sem perder o foco no objetivo a ser alcançado.

Sabe que, na condição de cidadão do Universo, é um espírito que, nas sendas do aperfeiçoamento, ora no corpo, ora fora dele, está sempre em trânsito ascensional, e que, em hipótese alguma, a Lei Divina o tratará com privilégio ou deferência.

E, portanto, na direção do Infinito, não espera que, sem a chave do mérito, nenhuma porta se lhe descerre à passagem, e que, diante de cada porta que encontrar fechada, simplesmente evocar a sua condição de espírita não lhe adiantará absolutamente nada.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

O HOMEM DE BEM SABE – Irmão José

“Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Muitas vezes, sem que sequer tenha tido oportunidade de efetuar muitas leituras, ou até mesmo frequentado bancos acadêmicos, o homem de bem sabe o que, não raro, muitos homens dotados de grande erudição não conseguem compreender, ou revelam extrema dificuldade para assimilar.

Porque o entendimento das verdades fundamentais da Vida, para além de raciocínio atilado, requisita amadurecimento do senso moral.

Ao se colocar em natural sintonia com os Planos Superiores da existência, o homem de bem intui com espontaneidade o que aqueles que cultivam apenas a inteligência não conseguem apanhar, nem quando se debruçam sobre vasta coleção de obras de transcendente conteúdo.

As suas percepções não se limitam à observação dos efeitos dos acontecimentos, mas, embora nem sempre consiga traduzir o que percebe em palavras, consegue atinar com as suas causas profundas e, justamente por este motivo, jamais murmura contra os desígnios da Providência.

Mas porque se curve diante da Vontade de Deus, não significa que se apassive diante dos reveses que faceia, procurando decodificá-los nas lições que, uma vez apreendidas, o predispõem aos conhecimentos que aumentam o seu potencial de sabedoria.

Ao contrário do que se imagina, a sua paz externa é resultado de profunda paz interior, e não da indiferença ao que sucede à sua volta, nem do amolentamento do espírito ante os obstáculos que lhe desafiam a capacidade de transpô-los.

Porque sabe da inutilidade de tudo em que o homem possa vir a se exceder, não extrapola no que diz, nem desperdiça energia em empreendimentos que, para si e para os outros, não tragam resultados positivos.

Dentro da serenidade que o caracteriza, sabe multiplicar o talento do tempo, que, naquilo que ele procura fazer, é sempre seu aliado, e nunca seu adversário.

Por vezes, para dizer a alguém o que tenciona, basta o seu olhar repleto de luz, ou a sua silenciosa presença, que induz à reflexão sobre as suas próprias atitudes mesmo quem não esteja habituado a qualquer exercício de introspecção.

Sobretudo, o homem de bem sabe que todos aqueles que se desviam do caminho reto haverão de voltar a ele, porque não passam de crianças que, atraídas pela ilusão, simplesmente resolveram excursionar por perigosos atalhos nos quais terminaram por se perder.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

FALANDO AOS ESPÍRITOS – Irmão José

“Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem para alcançá-lo.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Realmente, muitos são os que alegam que Jesus, nas lições que deixou por herança à Humanidade, não se referiu, de maneira específica, ao fenômeno da morte.

Ponderam que ninguém melhor do que Ele poderia tê-lo feito, de vez que, sem dúvida, a morte é o acontecimento que, em todos os tempos, mais aflige o homem na Terra.

Dizem que o Cristo, que ressuscitou a Lázaro, limitou-se a chamá-lo para fora do túmulo, perdendo ali ótima oportunidade de tecer considerações mais transcendentes em torno do assunto.

Convenhamos, no entanto, que o Mestre, quando caminhou entre os homens, ensinando-lhes o caminho para o Reino Divino, não lhes enxergava o corpo perecível, mas sim o espírito que iria viver para sempre.

A sua palavra que, em várias ocasiões, se dirigia aos homens e aos espíritos, não se restringia a fatos ilusórios da vida material, que, para Ele, nada significavam, ou, a rigor, sequer existiam.

Indiretamente, pois, ao ressaltar que o Seu reino não era deste mundo, Ele pregou a imortalidade, induzindo-nos, naturalmente, a concluir pela inexistência da morte, a não ser como fenômeno de ordem secundária, não afeto à essência do ser.

A questão ainda é que o Cristo se preocupava em preparar os espíritos para viver, onde quer que fosse, e não para morrer, de vez que a chamada morte sequer lhes poderia acometer os elementos constitutivos do corpo, que, igualmente, são eternos.

“… eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” – disse-nos, o que João fez constar no capítulo 10, versículo 10, de suas preciosas anotações.

Ora, como poderia Ele ter vindo para que o corpo que perece tivesse vida em abundância, se Ele mesmo, o Senhor, não tardaria a encontrar a morte na cruz?!

Claro está que Jesus se referia à vida do espírito – que pode e viverá de modo sempre mais pleno – e não à do corpo, que, a cada dia que passa, sem retrocesso possível, mais e mais se degrada.

A morte, evidentemente, era algo com que Ele, em absoluto, não se preocupava, e se, porventura, chorou diante do túmulo de Lázaro, chorou porque a multidão que esperava que Ele ressuscitasse ao irmão de Marta e Maria, ainda estava muito longe de compreender isso.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

DESENCARNAÇÃO – Irmão José

“A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao amigo de que vos bavíeis deslembrado e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

A sabedoria da Lei da Reencarnação somente encontra parâmetro na sabedoria da desencarnação, porquanto ambas, arrancando os espíritos ao seu comodismo, fazem com que, dos Dois Lados da Vida, eles se ponham em constante movimento.

Imaginemos se, em seu corpo físico, o espírito se eternizasse sobre a Terra, com os seus pensamentos cristalizados e hábitos arraigados… Não se sentir constrangido a deixar o envoltório material, equivaleria para ele perpetuar-se na estreiteza de suas concepções em torno do infinito da Vida.

A desencarnação, além de ser um choque biológico, induzindo o espírito a gradativo despertar, é um choque de natureza espiritual, que arrebata o espírito às ilusões fomentadas.

Quase sempre, de inesperado, subtraído ao meio em que vive, deixando para trás tudo o que – inclusive no mundo intelectual e moral – lhe mantinha o status quo, a contragosto, ele é compelido a rever os seus próprios valores.

Então, exercita-se no desapego ao que é transitório, e que, inutilmente, imagina reter consigo, aprendendo que, esteja no corpo ou não, o homem vale pelo que é, e não pelo que aparenta ser.

Se a reencarnação, muitas vezes, leva o espírito de volta ao passado, a desencarnação, que é o seu contraponto, leva-o de encontro ao futuro, para que, entre idas e vindas constantes, ele ascensione em definitivo.

No entanto, não basta reencarnar ou desencarnar, sem que, onde estiver, o espírito tome consciência de que, dos Dois Lados da Vida, ele está sempre em trânsito com as suas idéias, porque mesmo o Mundo Espiritual imediato ainda não é a sua última morada.

Quando, por fim, o homem compreender que apenas e tão-somente é o usufrutuário dos bens que Deus coloca à sua disposição, ele alijará de si todo sentimento de posse, inclusive o que o faz acreditar que possa ser o detentor da Verdade absoluta.

Porque, de fato, nada concorre mais para que ele se retarde em sua jornada evolutiva que o voluntário estacionamento em pontos de vista que, na maioria das vezes, não passam de expressões de seu limitado conhecimento das coisas.

Reencarnação e desencarnação são fenômenos que, acometendo o espírito, podem assim se comparar ao dinamismo das águas do mar, que estão em incessante movimento, impedindo que o mar, caso viesse a estagnar, se transformasse em pântano colossal.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

EM TORNO DE TI – Irmão José

“A riqueza da inteligência deves utilizá-la como a do ouro. Derrama em torno de ti os tesouros da instrução; derrama sobre teus irmãos os tesouros do teu amor e eles frutificarão.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

Não olvides que, por onde caminhas, como emanação de tua personalidade, deixas a tua influência nociva ou benéfica ao redor de teus passos.

As tuas marcas espirituais, fornecendo notícias de tua verdadeira identidade, vão ficando impressas em tudo o que, direta ou indiretamente, estejas a tocar.

Pensamentos, palavras e atitudes, em essência, para muito além de teus traços fisionômicos, constituem a face real com que nem sempre o mundo te consegue ver.

Repara, pois, o que a tua simples presença na Terra vem sugerindo, em matéria de comportamento, àqueles que contigo convivem.

A quantos tens inspirado positivamente na superação de si mesmos, auxiliando-os com os teus exemplos de devotamento a um ideal de natureza superior?!

Quantos são os que tens encorajado a resistirem ao assédio do mal que, inutilmente, tem tramado a tua queda, através da qual espera arrastar ao abismo os que te elegeram por ponto de referência moral na existência?!

A quantos incentivas no esforço de caminhar com as próprias pernas, desenvolvendo a capacidade intelectual que lhes diz respeito, sem jamais cogitar de submetê-los ao teu modo de ser?!

Quantos são os que, de tuas mãos, recebem o pão do espírito, que, mais tarde, por sua vez, haverão de multiplicar em favor de outros famintos de luz?!

Assim como, ao derredor de determinadas pessoas, formam-se torvelinhos que, ao se afunilarem para baixo, fazem precipitar milhares de almas nas profundezas ensombradas, outros, ao se afunilarem para cima, impulsionam milhares de outras para o mais alto.

Por onde se movimentava, de maneira sempre ascendente, o Cristo arrebatava almas para o Reino de Deus.

Sobre os seus ombros, a cruz era o peso da Humanidade ignara que com Ele subiu ao Calvário, e, a contragosto, abandonando a planície pelo topo do monte, ficou mais perto do Céu.

Na trajetória que cumpres em tua atual encarnação, entre ser ombros para a cruz e ser cruz para os ombros, o que vens escolhendo?!

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

POR AÇÃO DA LEI – Irmão José

“A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

Sem dúvida, por sobre a Terra, não há quem detenha a posse absoluta de cousa alguma que não possa entesourar no coração.

Por ação das sábias Leis Divinas, a se expressarem na reencarnação, determinado espírito se infiltra no seio de certo grupo familiar avaro e lhe dissipa o patrimônio, fazendo com que, em favor do progresso comum, o dinheiro volte a circular.

Claro que o espírito infiltrado, agindo, aparentemente, em prejuízo material do referido grupo, termina por auxiliar os seus componentes a se libertarem da ambição que, por muito tempo, poderiam continuar cultivando.

Em relação à fortuna acumulada, ocorre o mesmo que acontece no campo do preconceito racial, e, consequentemente, cultural e religioso da Humanidade, quando, com o intuito de desfazer determinados quistos de natureza étnica e ética, alguns espíritos, encarregados de renovar as ideias e concepções cristalizadas de um povo, tomam corpo em sua descendência consanguínea.

Quase todos os impérios econômicos que se levantam na Terra, principalmente à custa da exploração alheia, são derrubados de dentro para fora, e não de fora para dentro.

Temendo a chegada de invasores, o homem pode colocar cercas em seu quintal, mas não logra impedir que, através das invisíveis portas de acesso da reencarnação, o seu desafeto se torne criança, a crescer no suposto resguardado ambiente de sua casa.

Inútil, pois, que o homem continue insistindo na manutenção de valores, que são transitórios, porque, cada vez mais, do Plano Espiritual para a Terra, as fronteiras ideológicas pelas quais ele se bate vêm sendo jogadas ao chão.

Da própria atração sexual, no fascínio das formas perecíveis, as Leis Divinas vêm se valendo para concretizar o seu plano de miscigenação que, tal qual já vem ocorrendo, há de promover a verdadeira integração da raça humana, em que corpos e idiomas, hábitos e costumes se misturam.

Conspirando uns contra os outros, os homens não passam de agentes da Conspiração Divina para a felicidade de todos, sem a exclusão de um só dos filhos de Deus.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

DINHEIRO – Irmão José

“Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

A riqueza é o símbolo das dificuldades materiais que o espírito, com o propósito de alcançar a plenitude, necessita superar na jornada evolutiva que empreende.

Se o dinheiro, pois, não se fizesse o centro das ambições mais rasteiras do homem, outro expediente, por certo, engendrando os mesmos dramas que o dinheiro engendra, haveria de substituí-lo.

O dinheiro, em si, não passa de valor convencional que lhe é atribuído pela mente humana, porque, a rigor, o que pode valer uma cédula ou uma moeda?!

Exceto o bem que seja capaz de promover, tudo o que o dinheiro possa adquirir é tão destituído de valor quanto ele.

Todavia, a ambição que o dinheiro ocasiona pode dar ensejo a muitos males decorrentes da própria ambição de sua posse.

Crimes são cometidos…

Guerras são declaradas…

Sob outro ângulo de visão, o dinheiro, sem dúvida, talvez seja o maior criador de carmas negativos para o espírito, porquanto mesmo o prazer exacerbado não lhe dispensa o patrocínio.

Ousaríamos dizer que, ao concentrar atenção e tempo em sua conquista, ele se faz o maior empecilho no caminho da libertação espiritual de quem o deseja amontoar.

Contudo, mesmo no âmbito dos valores fictícios que lhe são atribuídos no mundo, para quem saiba utilizá-lo, o que é motivo de queda para alguns pode se transformar em causa de subida para outros.

Toda força carece de direcionamento adequado.

O ar que espalha o perfume das flores é o mesmo que pode disseminar a fumaça de natureza tóxica.

As mãos que constroem são as mesmas que podem destruir.

A boca que maldiz é a mesma que pode abençoar.

Dinheiro a serviço do Bem é a sombra a serviço da luz.

Não nos esqueçamos de que – demonstrando que, a rigor, o Bem não depende exclusivamente de dinheiro para ser praticado – nas páginas do Evangelho, não existe uma referência sequer de que Jesus, algum dia, tenha manuseado diretamente uma única moeda.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

APARÊNCIA DE VIRTUDE – Irmão José

“… porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XV – Fora da caridade não há salvação.)

Realmente, existem pessoas portadoras de virtudes em potencial, mas que não se preocupam em vivenciá-las em benefício do próximo.

Acreditam, de maneira errônea, que basta serem caridosas em si mesmas, julgando-se dispensadas da menor atitude em que a sua suposta caridade se comprove.

A existência de verdadeira virtude em alguém se prova é no momento de expressá-la, porquanto uma coisa é ser santo de barro no altar e outra é demonstrar santidade em meio às dificuldades e lutas da vida.

De que vale ao médico o diploma em Medicina num quadro dependurado na parede, se, com receio de contágio, ele vive fugindo de lidar com os doentes?!

O grão de trigo aparece na espiga não para enfeitá-la, mas para ser transformado em pão que mata a fome.

Virtude inoperante é um poço d’água perdido em meio ao deserto, que, a fim de saciar a sede, ninguém é capaz de encontrar.

Muito fácil manter a calma sem conviver com quem possa lhe mensurar extensão e profundidade.

As teorias mais brilhantes, quando não saem do papel, são completamente inúteis.

O Cristo, após transfigurar-se na subida ao Tabor, em vez de acampar em seu cume, como, aliás, os próprios Apóstolos lhe haviam sugerido, desceu ao nível do chão para continuar convivendo com os sofredores – aliás, nem no instante da cruz, em que mais alto ainda se elevou, Ele deixou de mais profundamente descer para socorrer aos que viviam nas entranhas da Terra.

Portanto, ser bom não basta – é preciso doar-se em bondade.

A fonte de água mais pura, se não desliza a partir de sua nascente, é candidata a pântano.

Entre uma árvore que produz sombra e frutos, e outra que apenas sombra produz, o machado sempre escolhe a segunda.

Assim, não confundamos aparência de virtude com virtude real, porque, longe do campo da batalha humana, no qual tem oportunidade de provar o seu desapego e coragem, o combatente do Bem nunca passará de um soldado sem divisas.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)