EUTANÁSIA – OUTRA VISÃO – Irmão José

“Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

A Ciência, sob as bênçãos do Criador, tem evoluído no sentido de amenizar os sofrimentos humanos, abstraindo o primitivismo das provas que o homem faceia em sua evolução.

A inteligência, colocada a serviço do bem em prol dos semelhantes, a pouco e pouco, sitiará as doenças somáticas de maior gravidade, até que consiga derrotá-las, o que, evidentemente, não impedirá que o psiquismo continue a padecer as provas que lhe são indispensáveis ao desenvolvimento.

Sobre a Terra, ante o comportamento inadequado da criatura, necessitada de expiar faltas pretéritas, é natural que os quadros patológicos que lhe acometem o corpo perecível se mostrem, por vezes, tão chocantes, ensejando-lhe, e aos seus circunstantes, importantes reflexões quanto à nulidade das ilusões que fomentam ou fomentaram em si.

Quem se encontra no leito suportando dores de natureza irreversível, em dias e meses de grande agonia, com a perda total da consciência, está tendo oportunidade de considerar a própria caminhada que efetuou ao longo da existência prestes a se findar, quanto possibilitando aos que, com ele lidam, direta ou indiretamente, lições de inestimável valor para o futuro.

E não resta dúvida de que a própria Ciência, em seus avanços, se aproveita da situação da enfermidade que, indefinidamente, se arrasta em alguém, para melhor conhecê-la e aprimorar os processos terapêuticos que possam combatê-la com êxito.

Não obstante tais considerações, precisamos ponderar que, muitas vezes, ante o diagnóstico preciso de morte cerebral, que – mesmo para as Leis da Vida – se constitui em quadro de reversão impossível, não há justificativa lógica, humanitária ou espiritual, para que o corpo que, sobre o leito, praticamente se decompõe de modo gradativo, continue a ser mantido vivo por questões ligadas a uma ética convencional, ou por excesso de escrúpulo de natureza religiosa.

Tais procedimentos, em essência, quase que correspondem aos processos de mumificação do passado, através dos quais se imaginava que o espírito, a qualquer momento, pudesse voltar a necessitar do corpo de que já se desligara completamente.

Cremos assim, de nossa parte, que, quando qualquer quadro patológico se instale na criatura encarnada, com evidentes características de irreversibilidade, e com a morte cerebral sendo decretada, não há razão para que, através de medicamentos ou aparelhos de alta tecnologia, o coração prossiga sendo mantido a pulsar, impedindo, não raro, que o espírito se liberte, em definitivo, do corpo, ao qual, simplesmente, então, se hesita em oferecer a dignidade do túmulo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)