EVANGELHO E CIÊNCIA – Irmão José

 

“Aliás, faz-se necessário que a atividade do princípio inteligente seja proporcionada à fraqueza do corpo, que não poderia resistir a uma atividade muito grande do espírito, como se verifica nos indivíduos grandemente precoces.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração.)

Nas páginas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, deparamo-nos com preceitos de natureza científica, que são aqueles que, naturalmente, nos instruem na ciência de bem viver.

Comentando a respeito da simplicidade e da pureza de coração, Kardec se refere à atividade do princípio inteligente e, consequentemente, do próprio espírito, que, ao longo dos milênios, se encontra na elaboração de seu corpo.

Porque não saberia se valer mais amplamente de seus recursos intelectivos, sem causar maiores prejuízos a si, o espírito encarnado jaz encerrado entre as paredes estreitas e invisíveis de um cérebro que ainda não lhe corresponde às aspirações de conhecimento.

Tentemos imaginar as consequências se o princípio inteligente de um símio, de repente, pudesse ocupar o corpo de um ser humano, ou mesmo se uma criatura humana lograsse, de uma hora para outra, se utilizar da capacidade mental de um anjo…

A mente humana em expansão, sob a tutela das Leis Divinas, somente continuará a se expandir de acordo com o senso de responsabilidade que o homem for adquirindo diante da Vida.

Portanto, existem limites neuronais que nunca serão ultrapassados antes que, do ponto de vista ético, o homem se mostre apto a utilizá-los, sem que coloque em risco a sua sanidade e segurança.

A inteligência, por si só, não pode conduzir a si mesma, sem que, mais cedo ou tarde, venha a ser a causa de grandes desastres que, diante das Leis de Causa e Efeito, muito a ela custarão.

Por esse motivo, Deus, em sua Infinita Sabedoria, a fim de preservar a criatura dos perigos que os seus excessivos conhecimentos poderiam lhe trazer, colocou nas mãos do amor a chave capaz de lhe descerrar a porta de acesso a inéditos domínios da Verdade.

Assim, não tenhamos dúvida de que a Ciência continuará avançando, mas não ilimitadamente, porque há de chegar o instante em que a inteligência sentirá necessidade de capitular na humildade, sem o que a própria Ciência terminará por cometer suicídio.

Quando Jesus ensinou que não se pode construir uma casa sobre a areia, certamente, Ele também estava querendo significar que, sem alicerce no amor que lhe garanta o equilíbrio, o edifício da inteligência humana, por alto venha a subir, antes que se reduza a escombros, mais alto não poderá continuar subindo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)