FALANDO AOS ESPÍRITOS – Irmão José

“Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem para alcançá-lo.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Realmente, muitos são os que alegam que Jesus, nas lições que deixou por herança à Humanidade, não se referiu, de maneira específica, ao fenômeno da morte.

Ponderam que ninguém melhor do que Ele poderia tê-lo feito, de vez que, sem dúvida, a morte é o acontecimento que, em todos os tempos, mais aflige o homem na Terra.

Dizem que o Cristo, que ressuscitou a Lázaro, limitou-se a chamá-lo para fora do túmulo, perdendo ali ótima oportunidade de tecer considerações mais transcendentes em torno do assunto.

Convenhamos, no entanto, que o Mestre, quando caminhou entre os homens, ensinando-lhes o caminho para o Reino Divino, não lhes enxergava o corpo perecível, mas sim o espírito que iria viver para sempre.

A sua palavra que, em várias ocasiões, se dirigia aos homens e aos espíritos, não se restringia a fatos ilusórios da vida material, que, para Ele, nada significavam, ou, a rigor, sequer existiam.

Indiretamente, pois, ao ressaltar que o Seu reino não era deste mundo, Ele pregou a imortalidade, induzindo-nos, naturalmente, a concluir pela inexistência da morte, a não ser como fenômeno de ordem secundária, não afeto à essência do ser.

A questão ainda é que o Cristo se preocupava em preparar os espíritos para viver, onde quer que fosse, e não para morrer, de vez que a chamada morte sequer lhes poderia acometer os elementos constitutivos do corpo, que, igualmente, são eternos.

“… eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” – disse-nos, o que João fez constar no capítulo 10, versículo 10, de suas preciosas anotações.

Ora, como poderia Ele ter vindo para que o corpo que perece tivesse vida em abundância, se Ele mesmo, o Senhor, não tardaria a encontrar a morte na cruz?!

Claro está que Jesus se referia à vida do espírito – que pode e viverá de modo sempre mais pleno – e não à do corpo, que, a cada dia que passa, sem retrocesso possível, mais e mais se degrada.

A morte, evidentemente, era algo com que Ele, em absoluto, não se preocupava, e se, porventura, chorou diante do túmulo de Lázaro, chorou porque a multidão que esperava que Ele ressuscitasse ao irmão de Marta e Maria, ainda estava muito longe de compreender isso.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)