FALTA E INTENÇÃO – Irmão José

“Evidente se torna aqui, como em todas as circunstâncias, que a intenção agrava ou atenua a falta…” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX – Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos.)

Embora, muitas vezes, não consigas evitar cometer essa ou aquela falta, que emerge de teu espírito por consequência natural de tuas imperfeições, procura não ter a intenção de cometê-la.

A intenção do mal é o mal praticado de maneira consciente, com inevitável agravamento de responsabilidade.

Porque ainda não dispõe de completo domínio sobre as próprias emoções e pensamentos, o homem pode, inadvertidamente, magoar o seu semelhante – todavia, quando tal acontece sem motivação de natureza íntima, para logo ele mesmo se predispõe à corrigenda.

E pode ainda ocorrer que aquele que foi magoado, não registrando em quem o agrediu a intenção de fazê-lo, sequer leve em consideração a atitude invigilante de quem o agrediu.

As Leis Divinas, na apreciação de nossos deslizes, age para conosco como qualquer pessoa de bom senso agiria diante de quem, assim que percebe o erro cometido, se apressa em lhe pedir desculpas e envidar esforços para lhe minimizar os prejuízos causados.

Há sempre grande distância entre o que experimenta certo grau de satisfação pelo mal praticado contra alguém, e aquele que, em um instante de insanidade, ao tomar consciência do que fez, desata a chorar e, voluntariamente, senta-se no banco dos réus.

Sem que seja sancionado pela intenção de quem se faz seu intérprete, o mal genuíno não existe.

O mal sem intenção é o mal que uma criança pratica contra a outra quando, ao se pôr a brincar com ela, por pura falta de habilidade, quebra-lhe o carro de brinquedo, e acabam ambas chorando.

Todavia, por assim dizer, o mal praticado com consciente propósito é ação envolvendo duas pessoas adultas, quando, por exemplo, de maneira ardilosa, com o intuito de lhe furtar o automóvel, uma delas sequer hesita em planejar a morte da outra.

Dificilmente, na condição de imaturidade espiritual em que se revela, o homem deixará de cometer faltas. Mas, pelo menos, diante da Lei de Causa e Efeito – que se debruça sobre a análise meticulosa das intenções que o induzem a agir dessa ou daquela maneira – a constatação da inexistência de intenção na falta cometida, praticamente, concluirá pela inexistência da própria falta.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)