HOMENS DE SABER?! – Irmão José

“Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecerem a atenção.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VII – Bem-aventurados os pobres de espírito.)

Com todo o respeito ao texto da Codificação que nos encima as reflexões abaixo, seriam mesmo homens de saber e de espírito os que “consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecerem a atenção”?! Ou estariam apenas e tão-somente atestando a sua falta de coragem para encarar a realidade da Vida, que transcende as suas concepções imediatistas e os seus rasteiros interesses?!

Por maior seja a prepotência humana ao negar a existência de Deus, vangloriando-se de seus conhecimentos científicos, entre os homens considerados de mais alto saber acadêmico, não há quem logre explicar a criação da asa de um simples inseto, sem atribuir semelhante prodígio à obra do acaso.

Em pouco menos de 100 anos de maiores avanços no campo da Ciência, com as suas teorias primárias em esboço, o homem imagina ter alcançado respostas definitivas para entender o Universo – que existe há cerca de 13,7 bilhões de anos!

Como poderia a Ciência – que ainda, por exemplo, não conseguiu descobrir a vacina contra o vírus do HIV, que continua a ceifar milhares de vidas promissoras em todo o mundo – atinar com os processos da Evolução em suas origens?!

E o que dizermos, então, do quase nada que os mais inteligentes pesquisadores sabem a respeito da psique humana, limitando-se a diagnósticos para os desarranjos psicológicos que acometem a criatura, alicerçados nos vislumbres de Sigmund Freud, aos quais, desde então, pouco se acrescentou?!

A arrogância humana, em torno da Criação, não passa de ser o maior atestado de sua mediocridade e a confissão enviesada de sua própria ignorância.

Os considerados maiores sábios da Humanidade – tais como Sócrates e Voltaire – por admitirem a existência de uma Ética por indispensável suporte da Vida, jazem quase esquecidos nos meios universitários, que, embora lhes rendam tributo à inteligência, colocam em xeque a sua capacidade de discernimento.

Dentre eles, contudo, o Cristo continua na condição de o maior dos convenientemente esquecidos, porque, depois de cerca de dois mil anos, os seus conceitos revolucionários continuam a desafiar a capacidade de o homem superar a si mesmo, pois, ao invés de preferir a Verdade que liberta, ele escolhe a mentira que o escraviza aos seus mesquinhos interesses.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)