INCLINAÇÕES INFELIZES – Irmão José

“A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais frequentado. A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as más tendências, e poucos se resignam a isso.” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. XVIII, item 5.

O homem é exatamente o que tem feito de si ao longo de suas vidas sucessivas; as inclinações que o arrastam para o caminho do mal são consequência de suas opções nas múltiplas experiências que vivencia…

Buscar novos caminhos e um novo direcionamento – eis o desafio que deve enfrentar, sem titubeios, no seu necessário descondicionamento de antigos vícios.

A tentação que experimenta é, pois, por assim dizer, o eco de sua desarmonia íntima em consonância com os apelos externos do mundo que habita – um plano de provas e expiações.

Não é fácil mudar, adquirir hábitos positivos, alcançar diferente compreensão da Vida!…

As necessidades criadas pelo próprio homem, muitas delas supérfluas e fictícias, fomentam esse estado de espírito que nele perdura há séculos…

Em verdade, ele vive numa repetição quase infindável em seus estágios de aprendizado no corpo, conseguindo avançar muito lentamente nas sendas do aperfeiçoamento espiritual.

Sem disciplinar-se, conter-se em seus impulsos, resistindo ao assédio das paixões e esforçando-se na renúncia do desejo, o homem não logrará transpor a porta estreita!

A reencarnação, para a maioria, de fato, tem se convertido em círculo vicioso, nas provas que o homem repisa incontáveis vezes, sem noção do real significado da vida sobre a Terra.

Por isto, a prática sistemática do Bem, nos diminutos gestos de Caridade, induz o espírito à criação de novos hábitos, para que, aos poucos, ele se liberte do comodismo e da indiferença, da ociosidade e da prostração em que há séculos se encontra.

É uma luta pela sua maioridade espiritual, a que o homem trava contra as suas inclinações infelizes – luta cuja definitiva vitória dependerá dos seus pequeninos e reiterados esforços de cada dia, no propósito de ser mais do que até então tem sido.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – livro “Pedi e Obtereis”)