MEDIUNIDADE GENERALIZADA – Irmão José

“Então, semelhantemente aos profetas do Antigo Testamento, os espíritos se puseram a falar e a vos advertir.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. I – Não vim destruir a lei.)

Embora o Espiritismo seja a doutrina que se propõe a estudar e esclarecer os fenômenos de ordem mediúnica, a manifestação dos desencarnados, sendo de todos os tempos, é uma das Leis da Criação Divina.

A mediunidade pode ser comparada a uma semente que, plantada no psiquismo humano, ao longo dos séculos, germinou e floresceu, mas somente agora, após o advento da Doutrina Espírita, vem dando frutos sazonados.

Os espíritos, habitantes das Esferas invisíveis ao redor do orbe terrestre, sempre mantiveram contato com os homens, porque, assim como os mundos existentes continuam-se aos outros, não havendo, a rigor, entre eles, fronteiras que os delimitem, não há abismo que seja intransponível ao pensamento.

Os próprios encarnados que, aparentemente, jazem separados pelos corpos que ocupam por habitações individuais, psiquicamente estão em permanente interação, exercendo influência recíproca uns sobre os outros.

Todo espírito, quer esteja no corpo carnal ou não, faz-se, ao mesmo tempo, emissor e receptor de ideias e emoções, que vibram no éter, e nele se propagam como a luz que viaja pelo Espaço, percorrendo as mais longas distâncias.

Não se pode, pois, dizer que a mediunidade seja espírita, porque ela se encontra na raiz da manifestação de religiosidade de todos os povos.

Na Índia e no Egito, na Pérsia e na Grécia, desde épocas imemoriais, os supostos mortos estabelecem contato com os considerados vivos, e, não raro, graças a eles é que os homens vêm-se guiando nas sendas de sua lenta jornada das trevas para a luz.

De Abraão a João Batista, os profetas do Antigo Testamento eram todos portadores de notáveis faculdades medianímicas, que ensejavam permanente diálogo entre os Mundos Físico e Espiritual.

Durante a realização da festa de Pentecostes, as “línguas como de fogo” fizeram com que os Apóstolos, caindo em transe, ficassem “cheios do Espírito Santo”, e passassem, inclusive, a falar em outros idiomas.

Pode-se dizer que, na atualidade, para além dos limites doutrinários das mais diversas religiões, inclusive do Espiritismo, a mediunidade, em novo fenômeno de Pentecostes, se generaliza, e tende ainda mais a se generalizar.

E isto porque, como disse Jesus a Nicodemos, “o vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)