MORTE E VIDA – Eurícledes Formiga

MORTE E VIDA

Na vastidão do Universo,
Não cessa a Vida que corre…
Ao fim do exílio terrestre,
Quem deixa o corpo não morre.
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Nos palcos além da morte,
Ante a Vida a desdobrar-se,
Ao voltar ao camarim,
A alma tira o disfarce.
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O corpo, gleba bendita
Em faixa de terra estreita,
Onde o espírito efetua
Semeadura e colheita.
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No Tribunal da Justiça
Da consciência sem véu,
No processo que examina,
O juiz também é réu.
*
Da própria Vida é a morte
O caminho alvissareiro
Porém, por este caminho,
Não há quem queira ir primeiro…
*
Morrer é fechar os olhos
Para abri-los em seguida,
Vendo a essência de si mesmo
No Eterno Espelho da Vida!
*
Dinheiro, fama, poder –
Tudo o túmulo retém.
Quem morre, parte levando
O que tão-só fez de bem.
*
Para quem leva o remorso,
Para além da sepultura,
A morte, por mais tranquila,
É sombra, dor e amargura!…

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Irmão José e Eurícledes Formiga (Poesias) (psic. Carlos Baccelli – do livro “Frutos da Mediunidade”)