MUITAS MORADAS – Irmão José

“A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem aos espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos espíritos.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. III – Há muitas moradas na casa de meu Pai.)

As muitas moradas da Casa do Pai, que é o Universo, correspondem à situação espiritual dos espíritos que nelas têm necessidade de habitar.

Existem, pois, tantas moradas exteriores quanto as moradas íntimas existentes.

O próprio Universo físico, onde a criatura encarnada se encontra domiciliada, pode ser comparado a uma das mais singelas casas existentes em magnífica metrópole.

Além dos limites da matéria densa, têm início os domínios da matéria rarefeita de que outros Universos, e mais outros em número infinito, estruturam-se.

O espírito em evolução carece de se colocar em sintonia com o meio em que vive, de vez que, sem possibilidades de trabalhar externamente, manipulando os elementos que lhe constituem o cenário, ele não encontra condições de aprimorar-se intelectual e moralmente.

A Terra, por exemplo, é um mundo consentâneo à situação espiritual dos espíritos que a povoam, porque eles não teriam correspondência psíquica para atuarem em meio onde a Vida lhes transcendesse os sentidos.

Assim, é forçoso concluir-se que a própria região em que o espírito é chamado a viver além da morte do corpo não destoa muito do ambiente que, pela desencarnação, ele acabou de deixar.

Porque os limites que o corpo carnal impõe ao espírito são os limites que ele estabelece para si mesmo.

À exata medida em que o espírito evolui, expandindo-se em suas faculdades, o seu envoltório se sutiliza, e lhe passa a ser instrumento mais dócil à manifestação.

Todo espírito que, das Altas Paragens, volta à Terra, a fim de cumprir determinada missão entre os homens, por inevitável influência do meio em que é chamado a viver, experimenta as naturais limitações que o corpo lhe impõe.

E, por determinação das sábias Leis de Deus, assim deve ser, pois, caso contrário, pairando excessivamente acima da condição humana, o seu regresso redundaria quase infrutífero para os que pretendesse incentivar nas sendas do progresso espiritual.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)