NÃO É DESTE MUNDO – Irmão José

“Que não é deste mundo o reino de Jesus todos compreendem, mas também na Terra não terá ele uma realeza?” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. II – Meu reino não é deste mundo.)

A Casa do Pai é o Universo, não podendo habitar Ele, preferencialmente, nenhum de seus simbólicos compartimentos.

Deus, em porções absolutamente iguais de seu Espírito, está em toda a parte da Criação, que Ele sustém.

O Reino de Deus, que o Cristo, pela sua identificação com o Criador, igualmente, chama de seu, se não é deste mundo é porque as criaturas que o povoam ainda não o realizaram em si.

Portanto, quando Jesus afirma “Meu reino não é deste mundo”, Ele não está se referindo ao seu reinado sobre a extensão do mundo material que se faz, presentemente, a morada dos homens, mas, sim, ao mundo mental das criaturas encarnadas, que, de fato, por agora, não Lhe pertence.

A intenção do Senhor não é a de reinar sobre impérios perecíveis, mas sim sobre espíritos imortais.

Assim, a construção do Reino Divino que se almeja para a Terra será, antes, uma edificação a se levantar no mundo moral de todos os homens.

Sem que as criaturas encarnadas se identifiquem com o espírito do Cristo, o seu Reino não se estabelecerá no orbe terrestre, que, milenarmente, Lhe permanece resistindo à conquista.

Raros os que, em seu mundo mental, já O aceitaram na condição de soberano, e não mais se Lhe opõem aos sábios desígnios.

Pouquíssimos os que se Lhe submetem à vontade, que é a máxima expressão da Vontade Divina.

Por esse motivo, interrogado pelos fariseus, que O rejeitavam, a respeito de quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: “Não vem o reino de Deus com visível aparência”.

Logo em seguida, acrescentou: “Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Lá está! porque o reino de Deus está dentro de vós”.

Sem dúvida que, potencialmente, o reino de Deus se encontra dentro de nós, mas, enquanto disso não tomarmos consciência, ele continuará apenas na condição de semente que não dispõe de terreno propício para germinar e florescer.

Procuremos, pois, revolver a terra árida de nossos corações, fertilizando-a com o suor do trabalho e, por vezes, com as lágrimas do sacrifício, para que, um dia, a promissora semente aí plantada se nos transfigure em abençoada árvore que, carregada de frutos, ocupe todos os nossos espaços internos.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)