NÓS E OS OUTROS – Irmão José

“Caros amigos, sede severos convosco, indulgentes para as fraquezas dos outros.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. X – Bem-aventurados os que são misericordiosos.)

Concordamos que ninguém deve viver recriminando-se, mas, a pretexto disto, não deve também viver sem estar atento às imperfeições que carece de corrigir em si, fazendo de conta que tais imperfeições não existam.

Quem, espiritualmente, se amolenta no combate às suas tendências e inclinações infelizes, acaba por condescender a que elas surjam à tona de sua personalidade e se exteriorizem em forma de atitudes, que, então, por mais absurdas, passa a considerar muito naturais em si, mas não nos outros.

Qual é o critério que utilizamos para absolver em nós os erros que condenamos no próximo?!

Claro que, em nossas infrações, não devemos ser tão severos conosco, a ponto de tanto afetar a nossa chamada autoestima, que não nos sobre ânimo necessário para prosseguirmos vivendo e lutando em busca do melhor.

Todavia, precisamos não ignorar – e, quase sempre, fazemos isto de maneira deliberada – que os males que apontamos em nossos semelhantes, muitas vezes, não assomam em nós, unicamente, por falta de oportunidade.

Ou seja, porque ainda não nos deparamos com ocasião ideal para claudicar sem que venhamos a ser surpreendidos e, consequentemente, punidos.

O homem carece de se encorajar no gradativo confronto consigo; pois, por ser inevitável, mais cedo ou tarde, no corpo ou fora dele, tal confronto se dará. E, sendo assim, quanto mais cedo isto se der, menos tempo o homem viverá sob a hipnose de suas próprias ilusões.

Na Humanidade, como um todo, existe muito mais gente lutando contra a vontade que se tem de fazer o que não se deve do que gente cedendo, sem qualquer escrúpulo, à vontade de fazer o que não se deve.

Portanto, que esse pensamento nos encoraje a não extrapolar em nossas imperfeições, porque, se os nossos avós e pais fossem dar livre curso aos seus anseios mais íntimos, é possível que não encontrássemos neles nenhum exemplo edificante para nos pautarmos em nossas atitudes.

Se eles resistiram ao assédio da tentação em si, por que não poderíamos a ele resistir por nossa vez?!

Procuremos tomar mais plena consciência de nossas responsabilidades perante a Vida, porque essa tomada de consciência mais plena nos fortalecerá e nos levará a sopesar os possíveis lucros e prejuízos que haveremos de ter em qualquer escolha que viermos a fazer.

E, sob este aspecto, em consequência de nossos desmandos, todos os prejuízos somados, resultantes do prazer, não compensam o menor dos lucros, que, em favor de nossa paz, vale muito mais do que possa nos custar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)