O FARDO – Irmão José

“O fardo parece menos pesado quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX – Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos.)

Vejamos que o texto acima, de autoria de um Espírito Amigo, não nos diz que o fardo não seja pesado, mas, sim, que, quando tomamos a iniciativa de olharmos para o Alto, ele nos parece menos pesado.

Não nos iludamos, portanto, imaginando que a Terra seja um oásis de paz, onde o espírito encarnado possa viver sem lutar.

Mesmo o reino vegetal e o animal estão constantemente empenhados em ferrenha batalha pela sobrevivência, que enseja ao princípio espiritual oportunidade de evoluir.

Contudo, quando verticalizamos a visão e deixamos de nos fixar nos horizontes estreitos do entendimento, adquirimos muito mais vasta compreensão do angustiante problema do sofrimento.

Quem não consegue levantar os olhos para tudo enxergar além das aparências e da transitoriedade em que os fenômenos de dor se manifestam, não consegue vislumbrar o objetivo superior com que, a fim de avançar, todas as coisas e todos os seres são fustigados.

Quando, porém, num golpe de visão, logramos contemplar a grandeza do futuro a que estamos destinados, todas as aflições que, no presente, nos preparam para alcançá-lo, assemelham-se a querelas que somente adquirem valor à exata medida em que as valorizamos com as nossas queixas e lamentos.

A questão é que, para quem sofre, sem atinar com a causa transcendente do sofrimento, o tempo parece se eternizar e, com ele, por menor que seja, o próprio sofrimento que nos acomete.

Agindo quase sempre equivocadamente, como é que haveríamos de querer não padecer as consequências de nossa falta de discernimento, se a essas mesmas consequências é que passamos a dever a possibilidade de reparar os erros que cometemos?!

Se a criança, ao cair, não experimentasse qualquer sintoma de dor decorrente de sua queda, é possível que ela não se esforçasse para adquirir o equilíbrio que a mantém em pé e que a faz aprender a caminhar.

É a dor que nos ensina a excelência do amor.

Fujamos, assim, de interpretar as provações como algo que, embora devamos evitar a todo custo, não nos convém maldizer quando chegam, porque a verdade é que, enquanto não soubermos abençoá-las, elas haverão de permanecer conosco cumprindo o seu papel.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)