O HOMEM DE BEM SABE – Irmão José

“Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Muitas vezes, sem que sequer tenha tido oportunidade de efetuar muitas leituras, ou até mesmo frequentado bancos acadêmicos, o homem de bem sabe o que, não raro, muitos homens dotados de grande erudição não conseguem compreender, ou revelam extrema dificuldade para assimilar.

Porque o entendimento das verdades fundamentais da Vida, para além de raciocínio atilado, requisita amadurecimento do senso moral.

Ao se colocar em natural sintonia com os Planos Superiores da existência, o homem de bem intui com espontaneidade o que aqueles que cultivam apenas a inteligência não conseguem apanhar, nem quando se debruçam sobre vasta coleção de obras de transcendente conteúdo.

As suas percepções não se limitam à observação dos efeitos dos acontecimentos, mas, embora nem sempre consiga traduzir o que percebe em palavras, consegue atinar com as suas causas profundas e, justamente por este motivo, jamais murmura contra os desígnios da Providência.

Mas porque se curve diante da Vontade de Deus, não significa que se apassive diante dos reveses que faceia, procurando decodificá-los nas lições que, uma vez apreendidas, o predispõem aos conhecimentos que aumentam o seu potencial de sabedoria.

Ao contrário do que se imagina, a sua paz externa é resultado de profunda paz interior, e não da indiferença ao que sucede à sua volta, nem do amolentamento do espírito ante os obstáculos que lhe desafiam a capacidade de transpô-los.

Porque sabe da inutilidade de tudo em que o homem possa vir a se exceder, não extrapola no que diz, nem desperdiça energia em empreendimentos que, para si e para os outros, não tragam resultados positivos.

Dentro da serenidade que o caracteriza, sabe multiplicar o talento do tempo, que, naquilo que ele procura fazer, é sempre seu aliado, e nunca seu adversário.

Por vezes, para dizer a alguém o que tenciona, basta o seu olhar repleto de luz, ou a sua silenciosa presença, que induz à reflexão sobre as suas próprias atitudes mesmo quem não esteja habituado a qualquer exercício de introspecção.

Sobretudo, o homem de bem sabe que todos aqueles que se desviam do caminho reto haverão de voltar a ele, porque não passam de crianças que, atraídas pela ilusão, simplesmente resolveram excursionar por perigosos atalhos nos quais terminaram por se perder.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)