PUNIÇÃO DAS FALTAS – Irmão José

“O homem, pois, nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua existência atual; mas não escapa nunca às consequências de suas faltas.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Deus, que se manifesta ao homem através de Suas Leis, jamais é tendencioso, não se inclinando a favorecer de maneira ilícita seja a quem for.

O Amor verdadeiro é sempre imparcial, igualmente sensível para com todos, não estando sujeito a simpatias ou antipatias pessoais.

Não se pode, portanto, atribuir ao Criador qualquer das paixões que, no relacionamento com as pessoas, caracterizam as criaturas, presas aos estreitos limites de sua própria humanidade.

As Leis Divinas nunca agem para punir, mas sim para educar.

A questão da reparação dessa ou daquela falta cometida pelo homem deve ser entendida de maneira mais profunda, porque, infelizmente, a ideia que muitos continuam fazendo de Deus é a de um Juiz implacável, que vive de absolver ou condenar os filhos que criou.

Sem dúvida, perante o tribunal da consciência, é o homem que, toda vez que infringe uma das menores Leis da Criação, lavra sentenças condenatórias contra si.

Assim como, pela justiça humana, é considerado delinquente aquele que afronta os princípios ético-sociais, quem se opõe ao Bem indefectível, passando, voluntariamente, a ser uma peça em desarmonia, coloca-se à margem desse mesmo Bem em que a Vida se estrutura.

Por mais insignificante, a prática do mal, em essência, é um gesto conspiratório da criatura contra o Criador.

Se o homem não dispusesse de certo “dispositivo consciencial”, que o adverte quanto aos equívocos cometidos, ele não se sentiria naturalmente compelido a repará-los e se eternizaria na condição de infrator, ou de adversário da Vida.

Todavia, ao extrapolar na utilização de seu livre-arbítrio, o referido “dispositivo consciencial” o alerta quanto à sua condição de réprobo, na qual escolheu se colocar em oposição às normas ético-existenciais que vigem no Universo, exigindo que ele torne ao ponto de equilíbrio.

Tais alvitres conscienciais lhe soam no íntimo como, por exemplo, perda da paz, sentimento de culpa, aflição interior, tormentos psicológicos, falta de lucidez intelectual e, inclusive, doenças que se lhe expressam no corpo somático.

Evidentemente, estando os espíritos em diferentes níveis de despertar, somente ao longo do tempo – podendo variar entre a marca de alguns dias ou de alguns séculos – é que cada um deles será chamado a esse inevitável ajuste de contas consigo mesmo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)