REENCARNAÇÃO E EGOÍSMO – Irmão José

“Há pessoas a quem repugna a reencarnação, com a ideia de que outros venham a partilhar das afetuosas simpatias de que são ciosas. Pobres irmãos! O vosso afeto vos torna egoístas; o vosso amor se restringe a um círculo íntimo de parentes e de amigos, sendo-vos indiferentes os demais.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI – Amar o próximo como a si mesmo.)

Muitos dentre os homens continuam querendo que a Vida seja como querem que ela seja, e não como Deus a fez.

Sob este ângulo de observação, muitos se recusam à crença na Reencarnação, porque a sua existência seria um golpe de morte em seus propósitos personalistas.

A ideia de que um espírito – que não se deseja ver nem à distância – possa vir habitar sob o mesmo teto, partilhando, inclusive, da mesma genética do grupo consanguíneo, para muitos, não deixa de ser absurda.

Contudo, a Reencarnação, que é a mais sábia de todas as Leis, não consulta a quem seja a respeito de suas preferências existenciais, e promove, à revelia dos preconceituosos, a miscigenação espiritual que, no Grande Futuro, há de tornar a todos verdadeiros irmãos.

Embora coexistindo com a própria realidade das Leis Universais, a Reencarnação ainda não logrou maior aproximação entre os homens, porque a tanto, inclusive, vêm se opondo as leis da matéria, que, de todas as maneiras, nos mundos inferiores, subjugam os espíritos.

Dos Dois Lados da Vida, os espíritos mais afins lutam para manter o clã, rejeitando a chegada de desconhecidos que repelem veementemente, como elementos estranhos ao meio. Isto, porém, é próprio da natureza daqueles que ainda não se distanciaram suficientemente de sua animalidade.

Daí o motivo de as Leis Divinas, periodicamente, suscitarem certos acontecimentos que, sob os auspícios das necessidades da carne, forçam a aproximação de grupos de espíritos que devem ampliar a sua capacidade de relacionamento afetivo, em vistas à maior fraternidade do porvir.

Atualmente, com o fenômeno da globalização, a Reencarnação vem se deparando com mais portas abertas, que, assim, haverão de lhe facilitar o trabalho de efetuar o congraçamento entre as criaturas.

Com o natural enfraquecimento dos preconceitos, notadamente os de raça e condição social, os espíritos, doravante, segundo cremos, aproveitarão mais o ensejo de seu regresso à Terra, e a experiência reencarnatória há de lhes ser muito mais produtiva.

A verdade é que a reencarnação, embora seja essencial à evolução dos espíritos, praticamente, até os dias atuais da Humanidade, acontecendo sem prejuízo quantitativo para o fenômeno em si, não vem se dando com a qualidade que, daqui para frente, esperamos que se dê.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)