CAPÍTULO 4 – TRABALHO – EMMANUEL

“E Jesus lhes respondeu: Meu Pai obra até agora, e eu trabalho também.” — (João, capítulo 5, versículo 17.)

Em todos os recantos, observamos criaturas queixosas e insatisfeitas.

Quase todas pedem socorro. Raras amam o esforço que lhes foi conferido.

A maioria revolta-se contra o gênero de seu trabalho.

Os que varrem as ruas querem ser comerciantes; os trabalhadores do campo prefeririam a existência na cidade.

O problema, contudo, não é de gênero de tarefa, mas o de compreensão da oportunidade recebida.

De modo geral, as queixas, nesse sentido, são filhas da preguiça inconsciente. É o desejo ingênito de conservar o que é inútil e ruinoso, das quedas no pretérito obscuro.

Mas Jesus veio arrancar-nos da “morte no erro”.

Trouxe-nos a bênção do trabalho, que é o movimento incessante da vida.

Para que saibamos honrar nosso esforço, referiu-se ao Pai que não cessa de servir em sua obra eterna de amor e sabedoria e à sua tarefa própria, cheia de imperecível dedicação à Humanidade.

Quando te sentires cansado, lembra-te de que Jesus está trabalhando.

Começamos ontem nosso humilde labor e o Mestre se esforça por nós, desde quando?

EMMANUEL

(psic. Chico Xavier – do livro “Caminho, Verdade e Vida”)

TODAS AS LÁGRIMAS – Irmão José

“Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Talvez sobre a Terra, seja maior o contingente daqueles que sofrem como principais responsáveis pelo seu próprio sofrimento, do que o número daqueles que sofrem por conta das dores que outros lhes constrangem a padecer.

Não estamos nos referindo às consequências de ações remotamente perpetradas, em vidas passadas, e sim às resultantes das escolhas equivocadas efetuadas no tempo presente.

Incalculável a percentagem de quantos, não sabendo administrar as suas ambições, suportam amarguras que, noutras circunstâncias, absolutamente, não haveriam de afetá-los.

Ninguém, por exemplo, conseguiria enumerar numa lista os nomes daqueles que, movidos pela inveja do sucesso alheio, vivem sem conhecerem um instante sequer de paz.

Milhares os que, todos os dias, exacerbam terríveis complexos de inferioridade, unicamente porque não sabem se valorizar na condição em que se encontram renascidos, com a capacidade de se superarem na realização de verdadeiros prodígios.

Se todos os homens compreendessem que, em sua atual encarnação, foram aquinhoados pela Vida com o melhor – porque a mais, por enquanto, ainda não fizeram jus – não teríamos as multidões que passam a depender de medicamentos que possam fazer por elas o que, em verdade, nunca poderão fazer.

Nada mais prejudicial ao equilíbrio da criatura humana do que a falta de maior aceitação de sua realidade íntima e, consequentemente, das circunstâncias externas em que a sua existência se estrutura.

Não estamos fazendo a apologia do comodismo, mas destacando o valor da resignação consciente de quem, serenamente, se esforça na superação das dificuldades que, do ponto de vista evolutivo, o homem mesmo se impõe.

Antes de ter experienciado a condição de pedra humilde no alicerce de uma construção, não lhe adianta ambicionar ser o telhado.

O grande rio que corre na direção do mar teve por berço uma singela mina d’água, que emergiu das entranhas da terra.

Não soframos desnecessariamente por aquilo que ainda não somos, ou não possuímos, porquanto todas as lágrimas que vertermos motivadas por isso não lograrão mudar o panorama de nossa realidade interior, em um só de seus muitos e intrincados detalhes.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

CORAGEM DE ACEITAÇÃO – Irmão José

“O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem- -aventurados os aflitos.)

Não interpretemos o texto acima de maneira literal, de vez que, evidentemente, em tempo algum, Deus recusa consolações a qualquer um de seus filhos.

As consolações divinas estão sempre à disposição de quem delas quiser, e souber, se apropriar.

Se, diante das provas que faceia, falta ao homem coragem de aceitação, claro que, desconsolado em si mesmo, lhe faltará a força de que necessita para vencê-las.

Não raro, quase todos esperam que o Consolo Divino lhes alcance o coração, à semelhança do orvalho da noite que, prodigiosamente, cai sobre a corola da flor ressequida.

Precisamos, no entanto, considerar que o conforto de que necessitamos em nossas lutas e provas, quase sempre, chega até nós pela presença daquele que nos socorre com a sua palavra amiga ou com o seu gesto de bondade.

A questão do recebimento da bênção do Mais Alto é também uma questão de receptividade da parte de quem espera por ela.

Sobre a gleba que não se lhe abre em cova acolhedora, a semente não germina.

Todas as criaturas, o tempo todo, vivem cercadas pelo Amor de Deus, porque esse Amor é semelhante ao ar puro que nos inunda os pulmões e nos faz respirar.

O fenômeno da chamada morte acontece não por falta, em suas fontes inesgotáveis, do oxigênio indispensável à manutenção da vida no corpo, mas justamente porque o próprio corpo se nega a continuar inalando o elemento que lhe é essencial à existência.

Portanto, Deus não recusa consolações àquele que deseja e procura ser consolado; mas, por outro lado, nada pode fazer em benefício daquele que não o procura e não o deseja.

O Criador não se tornaria infrator de suas próprias Leis.

Assim, se te encontras em estado de desânimo e abatimento, busca te predispores ao amparo de que necessitas e que, em verdade, encontra-se onde sempre esteve – rente a ti!

Aguça as tuas percepções e ouvirás justamente as palavras que mais careces escutar para não te renderes à mais completa apatia; assim fazendo, perceberás o apoio de mão invisível que te sustenta sob o peso da cruz que te cabe carregar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

PLENA ACEITAÇÃO – Irmão José

Se disseres, ante um problema que surge: “Isto não é nada”, de fato, o problema será nada. Pode até que seja alguma coisa, mas, gradativamente, se reduzirá de tamanho e complexidade.

Se disseres, perante uma contrariedade inesperada: “Há de passar”, no exato momento em que repetires, convicto, tais palavras, o impacto da provação começará a diminuir sobre ti.

Se disseres, quando receberes um golpe que te magoe: “Superarei, com o amparo de Deus, superarei”, de imediato te sobreporás à dificuldade que, em outras circunstâncias, te arrasaria.

Se disseres, resignado, à face da notícia infeliz relativa à própria saúde: “Seja feita a vontade do Senhor”, crê que, assim, estarás dando início ao mais eficiente tratamento capaz de te restituir as forças.

Se, em tudo quanto sempre te ocorrer, te submeteres, sem reclamar, aos Desígnios Superiores, a tua atitude de plena aceitação te cumulará de forças para que continues a exaltar, em ti mesmo, a supremacia do bem sobre o mal!

Irmão José (do livro “De ânimo firme”, Psic. Carlos Baccelli)