CAPÍTULO 8 – JESUS VEIO – EMMANUEL

“Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” — Paulo. (FILIPENSES, capítulo 2, versículo 7.)

Muitos discípulos falam de extremas dificuldades por estabelecer boas obras nos serviços de confraternização evangélica, alegando o estado infeliz de ignorância em que se compraz imensa percentagem de criaturas da Terra.

Entretanto, tais reclamações não são justas.

Para executar sua divina missão de amor, Jesus não contou com a colaboração imediata de Espíritos aperfeiçoados e compreensivos e, sim, “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.

Não podíamos ir ter com o Salvador, em sua posição sublime; todavia, o Mestre veio até nós, apagando temporariamente a sua auréola de luz, de maneira a beneficiar-nos sem traços de sensacionalismo.

O exemplo de Jesus, nesse particular, representa lição demasiado profunda.

Ninguém alegue conquistas intelectuais ou sentimentais como razão para desentendimento com os irmãos da Terra.

Homem algum dos que passaram pelo orbe alcançou as culminâncias do Cristo. No entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando seu derradeiro testemunho entre ladrões.

Se teu próximo não pode alçar-se ao plano espiritual em que te encontras, podes ir ao encontro dele, para o bom serviço da fraternidade e da iluminação, sem aparatos que lhe ofendam a inferioridade.

Recorda a demonstração do Mestre Divino.

Para vir a nós, aniquilou a si próprio, ingressando no mundo como filho sem berço e ausentando-se do trabalho glorioso, como servo crucificado.

EMMANUEL

(psic. Chico Xavier – do livro “Caminho, Verdade e Vida”)

O HOMEM DE BEM SABE – Irmão José

“Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Muitas vezes, sem que sequer tenha tido oportunidade de efetuar muitas leituras, ou até mesmo frequentado bancos acadêmicos, o homem de bem sabe o que, não raro, muitos homens dotados de grande erudição não conseguem compreender, ou revelam extrema dificuldade para assimilar.

Porque o entendimento das verdades fundamentais da Vida, para além de raciocínio atilado, requisita amadurecimento do senso moral.

Ao se colocar em natural sintonia com os Planos Superiores da existência, o homem de bem intui com espontaneidade o que aqueles que cultivam apenas a inteligência não conseguem apanhar, nem quando se debruçam sobre vasta coleção de obras de transcendente conteúdo.

As suas percepções não se limitam à observação dos efeitos dos acontecimentos, mas, embora nem sempre consiga traduzir o que percebe em palavras, consegue atinar com as suas causas profundas e, justamente por este motivo, jamais murmura contra os desígnios da Providência.

Mas porque se curve diante da Vontade de Deus, não significa que se apassive diante dos reveses que faceia, procurando decodificá-los nas lições que, uma vez apreendidas, o predispõem aos conhecimentos que aumentam o seu potencial de sabedoria.

Ao contrário do que se imagina, a sua paz externa é resultado de profunda paz interior, e não da indiferença ao que sucede à sua volta, nem do amolentamento do espírito ante os obstáculos que lhe desafiam a capacidade de transpô-los.

Porque sabe da inutilidade de tudo em que o homem possa vir a se exceder, não extrapola no que diz, nem desperdiça energia em empreendimentos que, para si e para os outros, não tragam resultados positivos.

Dentro da serenidade que o caracteriza, sabe multiplicar o talento do tempo, que, naquilo que ele procura fazer, é sempre seu aliado, e nunca seu adversário.

Por vezes, para dizer a alguém o que tenciona, basta o seu olhar repleto de luz, ou a sua silenciosa presença, que induz à reflexão sobre as suas próprias atitudes mesmo quem não esteja habituado a qualquer exercício de introspecção.

Sobretudo, o homem de bem sabe que todos aqueles que se desviam do caminho reto haverão de voltar a ele, porque não passam de crianças que, atraídas pela ilusão, simplesmente resolveram excursionar por perigosos atalhos nos quais terminaram por se perder.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

EM RELAÇÃO À CRÍTICA – Irmão José

“Várias maneiras há de fazer-se a caridade, que muitos dentre vós confundem com a esmola.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIII – Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.)

Quase sempre, a intenção da crítica não é a de construir, mas, sim, a de destruir.

Na maioria das vezes, ao criticar alguém, que a tanto deu oportunidade, o que se deseja não é corrigir o erro, mas, de maneira inapelável, desmoralizar aquele que errou.

Todavia, agindo assim, quem se põe a criticar sem intenção elevada faz muito pior do que a pessoa criticada – alvo de suas impiedosas observações.

A questão, não raro, é que, no fundo, sentimos naquele que criticamos um concorrente de nossas aspirações, que, de todas as maneiras, queremos alijar de nossos caminhos.

Quem se vale da invigilância de alguém para intentar destruí-lo em sua capacidade de trabalho e realização, torna público o escuso propósito com que age. E, naturalmente, passa a fazer jus a maior crítica do que àquela que, sob o respaldo de suposta razão, esteja a formular.

Procuremos, assim, não compactuar com falatórios e intrigas que muitos são hábeis em urdir contra quem, muitas vezes, sequer os conhece.

O crítico, quando verdadeiramente bem-intencionado, é um pai falando ao filho, e não um verdugo chicoteando a vítima imobilizada em um poste de tortura.

Quando o homem deixar de alimentar a fogueira de maledicência com as suas palavras levianas, a paz se fará bem mais próxima da Humanidade, porque da guerra de palavras em que, individualmente, ele se engalfinha no cotidiano é que explodem os mais graves conflitos no campo do relacionamento coletivo.

Evidentemente, no entanto, para que a referida fogueira, em definitivo, se transforme em cinzas, sem correr o risco de ser avivada, precisamos também contar com ouvidos cristãos que, em nenhuma hipótese, se mostrem acolhedores às palavras que soam nos lábios acostumados a tão somente denegrir.

Porque quando as palavras infelizes não mais contarem com ouvidos que a elas se façam receptivos, calar-se-ão por si mesmas.

Muitos são os que, a pretexto de defender a Verdade, sentem-se investidos da missão de combater o que lhes pareça impróprio, mas convenhamos que não há maior impropriedade que se tomar a defesa da Verdade em prejuízo do amor que devemos uns aos outros.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

INFORTÚNIOS DA ALMA – Irmão José

“Esses infortúnios discretos e ocultos são os que a verdadeira generosidade sabe descobrir, sem esperar que peçam assistência.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIII – Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.)

Muitos são os que reparam os que encontram caídos nas estradas da Vida, denunciando na queda a sua flagrante necessidade de socorro imediato.

Poucos, no entanto, são os que conseguem enxergar aqueles que, embora estejam em pé, caminhando com relativo equilíbrio e, aparentemente, vivendo sem problemas, jazem profundamente caídos na intimidade de si mesmos.

O infortúnio oculto não possui endereço apenas e tão-somente no casebre onde a necessidade material se instalou de maneira inapelável.

Ele igualmente se encontra no domicílio espiritual de milhares de criaturas, que, a fim de que possam continuar enfrentando as dificuldades da existência, mendigam uma palavra de coragem dos lábios capazes de proferi-la.

Por detrás de uma pessoa socialmente bem posta e, por vezes, trajada com bom gosto, pode se esconder alguém que anseia por encontrar quem lhe estenda o óbolo de sua fraterna compreensão nas grandes lutas psicológicas que sustenta, praticamente a sós.

O caído da estrada, na Parábola do Bom Samaritano, não é apenas aquele que foi vítima de salteadores que lhe deixaram o corpo coberto de feridas…

Neste momento, ele pode estar ao teu lado, na roupagem de um familiar ou amigo mais próximo, à espera que venhas a ser para ele o que o Bom Samaritano foi para a vítima anônima que, desavisadamente, descia de Jerusalém para Jericó.

Recordemo-nos, por exemplo, de quantos que se entregam à depressão e não cedem a semelhante condição psíquica de uma hora para outra. As suas forças de resistência, sem que fossem amparadas, foram se esvaindo aos poucos, ante a falta de sensibilidade de quem não pôde ou não procurou enxergá-los na derrocada.

Muitas das vítimas de suicídio, se contassem, pelo menos, com quem pudesse lhes ouvir em desabafo, demonstrando algum interesse pela sua felicidade, não chegariam à prática do gesto extremo em que deliberaram fugir aos conflitos que não lograram dividir com ninguém.

Os infortúnios ocultos da alma são infinitamente mais numerosos que os infortúnios ocultos relativos à carência de ordem material. Neste sentido, no mundo atual, vive-se uma verdadeira calamidade.

Estende, sim, o pão ao faminto, o agasalho ao despido e o remédio ao doente. Mas, tanto quanto seja possível, aproxima-te do irmão entristecido, que, não raro, vive debaixo de teu mesmo teto, e, sem que ele tenha necessidade de algo pedir-te, toma a iniciativa de oferecer a ele migalhas do teu amor.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

FARDO – Irmão José

Não há ninguém sem um fardo para carregar.

O parente difícil, o filho-problema, o amigo inconstante, o cônjuge irresponsável…

Se há quem nos seja um fardo, é possível que igualmente sejamos um fardo para alguém.

Em todo grupo familiar há sempre um ou outro espírito recalcitrante, ali colocado pelas Leis da Vida para a imprescindível permuta de experiências.

Quem tem mais é chamado a dar a quem tem menos.

A pessoa difícil com a qual convivemos é sempre um examinador às avessas, na aferição de nossos reais valores.

Todo fardo carregado com amor pode se transformar em escora, impedindo a queda de quem o sustenta.

Não maldigamos o fardo de nossas penosas obrigações cotidianas, convictos de que é justamente ele o instrumento de nosso aperfeiçoamento.

Ninguém irá a parte alguma abandonando o seu fardo à margem da estrada.

Todo débito, cuja quitação se adia, deverá, mais tarde, ser saldado com juros.

Meditemos nestas palavras inseridas em ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’: “Todos aqueles que carregam o seu fardo e assistem seus irmãos são os meus bem-amados”.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)