FALTA MAIOR – Irmão José

“É que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade que deve presidir às relações entre os homens e manter entre eles a concórdia e a união…” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX – Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos.)

Ainda na análise da falta cometida, precisamos levar em conta que pior falta que a intenção de se cometer a falta, é a intenção do homem em ludibriar as Leis Divinas a respeito da intenção que o levou a praticá-la.

O assunto é sutil e merece acuradas reflexões.

Muitos espíritos, por saberem que a intenção concorre para o agravamento da responsabilidade da falta, se apressam a sofismar com a própria consciência, apresentando argumentos que possam isentá-los de maiores culpas.

— Feri, mas foi sem querer, porque eu jamais saberia avaliar as consequências do que disse – afirmam uns.

— Matei, mas, embora de arma em punho, eu nunca tive o propósito de matar – defendem-se outros.

— Enganei, mas sei que, em meu lugar, muitos teriam feito o mesmo – alegam outros mais.

E assim, praticamente, atravessam a existência, convencidos de que explicações consideradas válidas para a justiça humana possam valer perante os tribunais da Divina Justiça.

Por tal motivo, milhares de casos de absolvição referendados pelas leis da Terra permanecem pendentes ante os alvitres da Lei de Causa e Efeito, a qual, certamente, o infrator, com as suas artimanhas, não consegue convencer de inculpabilidade.

Quem assim age, na tentativa de burlar as Leis da Vida, além de vir a responder pela falta menor que cometeu contra o próximo, será chamado a responder pela falta maior que, inescrupulosamente, teve a intenção de cometer.

Infelizmente, no mundo todo, não é pequeno o número de pessoas que, de maneira inútil, alimentam a esperança de escaparem à ação da Lei que se lhes expressa através da voz da consciência. Muitos, a fim de não escutarem seus pronunciamentos insubornáveis, procuram silenciar, inclusive, recorrendo ao auxílio de medicamentos que, parcialmente, lhes retirem a lucidez.

Não obstante, pelo tempo que for necessário, a culpa esperará pelo culpado, que dela não se livrará enquanto, face a face, não se confrontar consigo mesmo, assumindo todas as consequências de seus deslizes, inclusive aquelas que, como se isto fosse possível, tentou esconder de si mesmo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

FALTA E INTENÇÃO – Irmão José

“Evidente se torna aqui, como em todas as circunstâncias, que a intenção agrava ou atenua a falta…” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX – Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos.)

Embora, muitas vezes, não consigas evitar cometer essa ou aquela falta, que emerge de teu espírito por consequência natural de tuas imperfeições, procura não ter a intenção de cometê-la.

A intenção do mal é o mal praticado de maneira consciente, com inevitável agravamento de responsabilidade.

Porque ainda não dispõe de completo domínio sobre as próprias emoções e pensamentos, o homem pode, inadvertidamente, magoar o seu semelhante – todavia, quando tal acontece sem motivação de natureza íntima, para logo ele mesmo se predispõe à corrigenda.

E pode ainda ocorrer que aquele que foi magoado, não registrando em quem o agrediu a intenção de fazê-lo, sequer leve em consideração a atitude invigilante de quem o agrediu.

As Leis Divinas, na apreciação de nossos deslizes, age para conosco como qualquer pessoa de bom senso agiria diante de quem, assim que percebe o erro cometido, se apressa em lhe pedir desculpas e envidar esforços para lhe minimizar os prejuízos causados.

Há sempre grande distância entre o que experimenta certo grau de satisfação pelo mal praticado contra alguém, e aquele que, em um instante de insanidade, ao tomar consciência do que fez, desata a chorar e, voluntariamente, senta-se no banco dos réus.

Sem que seja sancionado pela intenção de quem se faz seu intérprete, o mal genuíno não existe.

O mal sem intenção é o mal que uma criança pratica contra a outra quando, ao se pôr a brincar com ela, por pura falta de habilidade, quebra-lhe o carro de brinquedo, e acabam ambas chorando.

Todavia, por assim dizer, o mal praticado com consciente propósito é ação envolvendo duas pessoas adultas, quando, por exemplo, de maneira ardilosa, com o intuito de lhe furtar o automóvel, uma delas sequer hesita em planejar a morte da outra.

Dificilmente, na condição de imaturidade espiritual em que se revela, o homem deixará de cometer faltas. Mas, pelo menos, diante da Lei de Causa e Efeito – que se debruça sobre a análise meticulosa das intenções que o induzem a agir dessa ou daquela maneira – a constatação da inexistência de intenção na falta cometida, praticamente, concluirá pela inexistência da própria falta.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

PUNIÇÃO DAS FALTAS – Irmão José

“O homem, pois, nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua existência atual; mas não escapa nunca às consequências de suas faltas.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Deus, que se manifesta ao homem através de Suas Leis, jamais é tendencioso, não se inclinando a favorecer de maneira ilícita seja a quem for.

O Amor verdadeiro é sempre imparcial, igualmente sensível para com todos, não estando sujeito a simpatias ou antipatias pessoais.

Não se pode, portanto, atribuir ao Criador qualquer das paixões que, no relacionamento com as pessoas, caracterizam as criaturas, presas aos estreitos limites de sua própria humanidade.

As Leis Divinas nunca agem para punir, mas sim para educar.

A questão da reparação dessa ou daquela falta cometida pelo homem deve ser entendida de maneira mais profunda, porque, infelizmente, a ideia que muitos continuam fazendo de Deus é a de um Juiz implacável, que vive de absolver ou condenar os filhos que criou.

Sem dúvida, perante o tribunal da consciência, é o homem que, toda vez que infringe uma das menores Leis da Criação, lavra sentenças condenatórias contra si.

Assim como, pela justiça humana, é considerado delinquente aquele que afronta os princípios ético-sociais, quem se opõe ao Bem indefectível, passando, voluntariamente, a ser uma peça em desarmonia, coloca-se à margem desse mesmo Bem em que a Vida se estrutura.

Por mais insignificante, a prática do mal, em essência, é um gesto conspiratório da criatura contra o Criador.

Se o homem não dispusesse de certo “dispositivo consciencial”, que o adverte quanto aos equívocos cometidos, ele não se sentiria naturalmente compelido a repará-los e se eternizaria na condição de infrator, ou de adversário da Vida.

Todavia, ao extrapolar na utilização de seu livre-arbítrio, o referido “dispositivo consciencial” o alerta quanto à sua condição de réprobo, na qual escolheu se colocar em oposição às normas ético-existenciais que vigem no Universo, exigindo que ele torne ao ponto de equilíbrio.

Tais alvitres conscienciais lhe soam no íntimo como, por exemplo, perda da paz, sentimento de culpa, aflição interior, tormentos psicológicos, falta de lucidez intelectual e, inclusive, doenças que se lhe expressam no corpo somático.

Evidentemente, estando os espíritos em diferentes níveis de despertar, somente ao longo do tempo – podendo variar entre a marca de alguns dias ou de alguns séculos – é que cada um deles será chamado a esse inevitável ajuste de contas consigo mesmo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

ASCENSÃO – Irmão José

Para ascender aos Céus, o homem necessita “perder peso” sobre a Terra.

Como subir às regiões etéreas sem despojar-se da carga de suas aflições humanas?!

Em sua ascensão aos Cimos, o homem carece de atingir as cumeadas da Consciência, como quem escala o “monte” redentor do próprio corpo, dos pés à cabeça…

Em sua trajetória ascensional, existem almas que estão simbolicamente localizadas na região do sexo, outras na do estômago, raras já alcançaram os domínios do coração…

O Cristo, a Consciência Cósmica do mundo, esplende no ápice do “monte” em que nos aguarda…

Ascensão, em essência, é crescimento interior, expansão do psiquismo na gestação do Anjo!

Toda subida é penosa.

O Cristo desceu à Terra para que, com Ele, aprendêssemos a subir aos Céus.

Ninguém subirá a Deus sem descer às profundezas do Ser.

Depois de conquistarem as cumeadas da Evolução, os Anjos poderão ser encontrados nos abismos do sofrimento humano, estendendo as mãos aos que jazem presos ao visco das paixões.

Quanto mais descer para auxiliar, mais subirá o homem em sua ascensão divina.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)

CONSCIÊNCIA – Irmão José

Façamos bastante silêncio interior para ouvirmos a voz da consciência.

Não provoquemos “ruídos” deliberados, a fim de não escutarmos os seus apelos.

Sendo a presença de Deus em nós, a consciência sempre nos adverte para o que é certo e o que é errado.

Ninguém, portanto, pode dizer- se sem orientação pessoal para o caminho.

Algumas pessoas ignoram a voz da consciência por estimarem se comprazer no mal.

Não querem ouvi-la para terem, depois, como se justificar, quando chamados pela Vida ao inevitável ajuste de contas.

Quanto mais o homem se espiritualiza, mais se lhe torna audível e clara essa voz interior.

O remorso é a voz da consciência ouvida tardiamente.

Quando consultada, a voz da consciência não se faz esperar e nem dá margem a dúbias interpretações.

Quem passa por cima de sua consciência, compromete-se ainda mais perante as Leis que regem a Vida.

Não nos esqueçamos de que, quando procuramos conversar com Deus através da oração, é pela voz da consciência que Deus nos responde.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)