CONSTATAÇÕES – Irmão José

Todos os que fazem na vida a opção incorreta não se eximem de suas consequências.

Ninguém logra atravessar incólume a existência humana, no que tange à semeadura e à colheita.

Os que sofrem são, inegavelmente, mais venturosos que os que fazem sofrer.

Os que burlam a justiça dos homens, por não lograrem ludibriar a consciência, atingem o ocaso da vida com tremendo vazio no coração.

Aproxima-te do leito dos que agonizam e perceberás, em seu semblante, a diferença entre os que deixam o corpo sem o peso da culpa e os que partem tangidos pelo remorso.

Diante de tais constatações, não te perguntes mais se vale a pena ser bom.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Amor e Sabedoria”)

MOVIMENTO EM CONTRÁRIO – Irmão José

“Ai do ingrato: será punido com a ingratidão e o abandono; será ferido nas suas mais caras afeições, algumas vezes já na existência atual, mas com certeza noutra, em que sofrerá o que houver feito aos outros.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIV – Honrai a vosso pai e a vossa mãe.)

À primeira análise, as palavras acima, escritas pelo próprio Allan Kardec, nos parecem excessivamente severas; não obstante, elas refletem a justiça com que a Lei de Causa e Efeito age concedendo a cada qual segundo as suas obras.

Os Espíritos Superiores, evidentemente, não se investiriam no papel de magistrados, que, batendo invisível malhete, distribuíssem, a seu talante, penas e absolvições àqueles que as façam por merecer.

A verdade é que, em qualquer parte da Vida Universal, os agentes externos da Divina Justiça nada mais fazem do que expressar o que o tribunal da consciência determina em relação à culpabilidade, ou não, de quem, voluntariamente, escolhe se sentar no banco dos réus.

Nas infrações que comete, a não ser pela sua própria consciência, não há quem seja punido, porque é da Lei que, sempre que o espírito – encarnado ou desencarnado – venha a extrapolar em suas atitudes, ele comece a sofrer os resultados disto.

Assim como existem sementes que germinam logo que plantadas, outras, embora de germinação mais tardia, com os seus frutos específicos, não deixarão de florescer.

Nenhum deslize, portanto, permanecerá incólume diante da Lei, que não padece de amnésia, nem aceita suborno.

Quando nos recomenda a reconciliação com os adversários, enquanto com eles estamos a caminho, Jesus é incisivo ao nos advertir: “Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil.”

Este “sair daí” deve ser interpretado pela situação embaraçosa que criamos para nós mesmos, quando deliberamos nos opor à harmonia da Lei, que é de Amor.

O homem, por exemplo, que toma a decisão de nadar contra a correnteza de um rio caudaloso, afrontando a força das águas, em condições normais, não logrará o seu intento e, não raro, terminará por se afogar… É o que acontece com quem, ao desafiar as Leis da Criação, a elas se contrapõe, sofrendo as consequências pela ousadia do movimento em contrário.

Todos, portanto, em nossos menores desatinos cometidos em relação à Vida, podemos permanecer na expectativa de seu correspondente choque do retomo. Embora, pela tomada de consciência do mal praticado e a predisposição de repará-lo, seja possível amenizarmos o impacto desse retorno sobre nós, por certo nos será impossível evitá-lo completamente.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

CULPA E CONSCIÊNCIA – Irmão José

Os que mais reclamam são os que menos fazem para melhorar a situação.

Incriminam os outros.

Relacionam culpados.

Responsabilizam os homens qual se não pertencessem à espécie humana.

Profetizam catástrofes e continuam de braços cruzados.

Imaginam, assim, ludibriar a Sabedoria Divina, que os espreita em seus movimentos e intenções.

Falam com propriedade, mas não exemplificam.

Identificam o mal, mas não se dispõem a tratá-lo.

Na expectativa de agradarem a Deus, censuram a Humanidade e a condenam.

Prosseguem lavando as mãos na bacia de Pilatos…

Adormecem todas as noites, esperando que, no outro dia, alguém tome providências.

Responderão pela falta grave da omissão e, talvez, a sua culpa lhes venha a pesar mais na consciência do que na consciência daqueles que, por completa ignorância, vivem em função do mal.

Irmão José (do livro “De animo firme”)