NADA E NINGUÉM – Irmão José

Aguardas pela Vida Espiritual, entretanto não raciocinas de que, embora na Terra, te encontras vivendo exclusivamente pelas faculdades do espírito.

O corpo de que te revestes presentemente não diferirá muito do que te revestirá, quando te advier a desencarnação.

A paisagem para a qual te transferirás, além da morte, guarda estreita semelhança com a que os teus olhos físicos vislumbram.

A rigor, a desencarnação não te subtrairá de ti mesmo e dos problemas a que não deste solução pelo teu esforço.

A Terra é tão-somente uma das múltiplas Dimensões Espirituais em que o espírito estagia, evolutindo de corpo em corpo, em busca da perfeição.

O que não consegues realizar onde te encontras será dificilmente realizado alhures, desde, é óbvio, que não te decidas a fazê-lo.

A chamada morte, em si, é acontecimento periférico que não te altera a substância do ser.

Embora o desenlace físico te possibilite muitas reflexões, se, efetivamente, desejas alguma mudança para melhor em tua vida, isto só acontecerá pela tua decisão de fazer o que nada e ninguém pode fazer por ti.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “De ânimo firme”)

FALANDO AOS ESPÍRITOS – Irmão José

“Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem para alcançá-lo.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Realmente, muitos são os que alegam que Jesus, nas lições que deixou por herança à Humanidade, não se referiu, de maneira específica, ao fenômeno da morte.

Ponderam que ninguém melhor do que Ele poderia tê-lo feito, de vez que, sem dúvida, a morte é o acontecimento que, em todos os tempos, mais aflige o homem na Terra.

Dizem que o Cristo, que ressuscitou a Lázaro, limitou-se a chamá-lo para fora do túmulo, perdendo ali ótima oportunidade de tecer considerações mais transcendentes em torno do assunto.

Convenhamos, no entanto, que o Mestre, quando caminhou entre os homens, ensinando-lhes o caminho para o Reino Divino, não lhes enxergava o corpo perecível, mas sim o espírito que iria viver para sempre.

A sua palavra que, em várias ocasiões, se dirigia aos homens e aos espíritos, não se restringia a fatos ilusórios da vida material, que, para Ele, nada significavam, ou, a rigor, sequer existiam.

Indiretamente, pois, ao ressaltar que o Seu reino não era deste mundo, Ele pregou a imortalidade, induzindo-nos, naturalmente, a concluir pela inexistência da morte, a não ser como fenômeno de ordem secundária, não afeto à essência do ser.

A questão ainda é que o Cristo se preocupava em preparar os espíritos para viver, onde quer que fosse, e não para morrer, de vez que a chamada morte sequer lhes poderia acometer os elementos constitutivos do corpo, que, igualmente, são eternos.

“… eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” – disse-nos, o que João fez constar no capítulo 10, versículo 10, de suas preciosas anotações.

Ora, como poderia Ele ter vindo para que o corpo que perece tivesse vida em abundância, se Ele mesmo, o Senhor, não tardaria a encontrar a morte na cruz?!

Claro está que Jesus se referia à vida do espírito – que pode e viverá de modo sempre mais pleno – e não à do corpo, que, a cada dia que passa, sem retrocesso possível, mais e mais se degrada.

A morte, evidentemente, era algo com que Ele, em absoluto, não se preocupava, e se, porventura, chorou diante do túmulo de Lázaro, chorou porque a multidão que esperava que Ele ressuscitasse ao irmão de Marta e Maria, ainda estava muito longe de compreender isso.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

ENTRE O JARDIM E O QUINTAL – Irmão José

“Quando deixa a Terra, o espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje receber a luz.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIV – Honrai a vosso pai e a vossa mãe.)

Em qualquer Sistema do Universo, entre um mundo e outro não existe descontinuidade – entre os orbes visíveis e os invisíveis o que há é apenas maior ou menor condensação da matéria que os constitui.

A Terra não passa de uma das infinitas Dimensões em que a Vida se manifesta.

O corpo físico é a expressão mais materializada do corpo espiritual – ou perispírito – como o próprio perispírito é o reflexo mais externo do corpo mental, e assim sucessivamente…

De acordo com a sua condição mental, no grau de lucidez que haja alcançado, o espírito se situa no Espaço que habita, e plasma a paisagem ao seu derredor.

Reencarnação e desencarnação são fenômenos que se restringem ao envoltório, e não ao espírito propriamente dito, que, em sua essência, é sempre o mesmo.

A Terra é como se fosse o portal de comunicação, entre o jardim e o quintal de uma casa que, quando fora do corpo, o espírito atravessa – alguns se dirigem ao quintal, e outros, ao jardim!

À medida que o ser inteligente evolui, ele vai transcendendo a forma que o limita, e, ao mesmo tempo, concorrendo para que, igualmente, a matéria se espiritualize.

Portanto, desencarnar não possui outro significado que não seja transferência de domicílio espiritual.

A mente do espírito sempre se adapta ao meio em que vive e, naturalmente, com ela, as suas percepções.

Quanto mais identificado com a matéria, mais o espírito se permite subjugar, porque, afinal, é com a matéria, e não consigo mesmo, que ele ainda mais se identifica.

Como um pássaro que emerge de seu ninho, a matéria é o berço em que o espírito se desenvolve.

A matéria tal qual a concha de uma ostra, e o espírito, a pérola, que se forma a partir de um grão de areia – mas, um dia, a própria concha da ostra será pérola também.

A Terra é Mundo Espiritual, e o Mundo Espiritual é Terra.

Na ilusão dos sentidos, vida e morte não têm outra conotação que não seja a de ordem terminológica.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

MORTE – Irmão José

A morte é simples mudança de plano existencial.

Em a Natureza, nada desaparece para sempre.

A semente volta a ser árvore, a noite volta a ser dia, o velho volta a ser jovem…

Vida e morte são apenas estados que se alternam e se sucedem no caminho da evolução.

É necessário que os homens se conscientizem de que estão na Terra para breve tempo e que todos, sem distinção, mais cedo ou mais tarde serão chamados à Grande Mudança.

A vida na matéria é ilusão, porque tudo o que é material é transitório, sujeito a inevitáveis transformações.

Ninguém tenha receio de morrer; antes, tenha receio de viver iludido quanto à Verdade.

Ninguém se desespere pelos entes queridos que partiram; em obediência às suas necessidades cármicas, eles simplesmente viajaram mais cedo.

Apenas tem medo da morte quem desconhece a Vida.

Além do túmulo, continuamos a ser nós mesmos, porque se a morte nos despoja do corpo, não nos altera a individualidade.

Portanto, ninguém espere alcançar na morte a auréola de santidade que não logrou alcançar na vida…

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)