TODA DOR – Irmão José

Faze o bem e prossegue seguindo o teu caminho.

Não esperes cessar a luta em derredor.

Na Terra, ninguém foge à prova que redime.

O arado rasga o chão que se cobre de flor.

Frutos pendem dos galhos da árvore podada.

Toda dor é uma luz que se acende na alma.

Irmão José e Eurícledes Formiga (Poesias) (psic. Carlos Baccelli – do livro “Frutos da Mediunidade”)

NÃO TE ESQUEÇAS – Irmão José

Toda luta engrandece, todo revés educa.

Todo esforço aprimora, todo problema instrui.

Toda prova habilita, toda crise adverte.

Perante o sofrimento, não te aflijas somente.

Escuta em tua dor o que a vida te fala.

Para o aprendiz rebelde, a lição se repete.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “A Face do Amor”)

DOR E EGOÍSMO – Irmão José

O egoísmo, sem dúvida, é sentimento tão arraigado ao homem que, espiritualmente, ainda não logrou se expandir, que, até mesmo quando sofre, ele acredita que ninguém seja capaz de superá-lo na dor que esteja sofrendo.

Por assim se imaginar, é quase impossível que o homem venha a encontrar alguma espécie de resignação na simples constatação das dores muito maiores que, ao seu derredor, padecem seus semelhantes.

E, ao mesmo tempo, dentro deste contexto, é muito difícil que ele se mobilize no sentido de minimizar as provas alheias, já que se coloca na condição de quem sempre necessita receber e jamais algo fazer em benefício de quem chora.

Inegavelmente, esta é uma das formas mais primitivas na qual o egoísmo pode nele se manifestar, impedindo que empreenda movimentos iniciais com o propósito de libertar a si mesmo.

Abençoado, pois, aquele que, dentro do quadro de suas inegáveis provações, consegue ouvir os apelos daqueles que, não muito distante, com motivos reais para gemer muito mais alto, permanecem na expectativa do socorro de suas mãos.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Amai-vos uns aos outros”)

LIÇÃO NA PROVA – Irmão José

Nas provas com as quais te defrontas, aprende a lição que elas te descortinam ao espírito.

Toda queda ensina muito.

Com o aprendizado de um único tropeço, conseguirás ficar de pé, em diversas experiências semelhantes.

A lágrima é um processo de limpeza da visão.

Não raro é preciso que caias para que vejas os que reteiam contigo.

Apenas os que já sofreram na pele, sabem avaliar a intensidade da dor dos semelhantes.

Se não te revoltas, os revezes que sofras te conferirão intransferível conhecimento do vida.

A dor que quebranta é a mesma que te faz crescer!

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

DOR E BÊNÇÃO – Irmão José

“A dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos.” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. IX, item 7.

Aos ouvidos dos cépticos soam incoerentes as palavras que nos encimam as reflexões…

Melhor fora então, dirão os sofistas, que Deus de ninguém se lembrasse sobre a face da Terra, deixando o homem à mercê de sua própria sorte.

Os apóstolos da descrença acentuarão que, consoante o texto evangélico que transcrevemos, o Criador não passa de um sádico que se diverte com o sofrimento das criaturas…

Todavia, sob o prisma da fé raciocinada, torna-se compreensível a função da dor como instrumento de crescimento espiritual aos que se sentem incomodados pelas provações que os acometem.

É que, sem sofrer, ninguém cogitaria de qualquer incursão no mundo de si mesmo, admitindo a sua pequenez diante da grandeza do Universo; e nem se vincularia, de forma consciente e decisiva, ao Poder Supremo que lhe governa a existência.

Quase sempre, quando chora, o homem não mais faz chorar, aprendendo que somente é consolado quem se dispõe a consolar…

O revés no caminho do homem sobre a Terra equivale, pois, para ele, a abençoado despertar de suas faculdades entorpecidas, sedimentando-lhe as conquistas do porvir.

Ninguém se rebele diante da prova, procurando extrair-lhe os benefícios, porquanto toda revolta se traduz por recusa da lição que o aprendiz, mais cedo ou mais tarde, necessitará recapitular.

Quem não experimenta o sofrimento não recebe estímulos para que deixe de andar em círculos, fugindo ao comodismo mental de milênios.

Somente quem já sofreu ou ainda sofre é capaz de entrar em sintonia profunda com a Vida, predispondo-se a assimilar, sem excesso de palavras, a Sabedoria com que ela se manifesta.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – livro “Pedi e Obtereis”)

O FARDO – Irmão José

“O fardo parece menos pesado quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX – Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos.)

Vejamos que o texto acima, de autoria de um Espírito Amigo, não nos diz que o fardo não seja pesado, mas, sim, que, quando tomamos a iniciativa de olharmos para o Alto, ele nos parece menos pesado.

Não nos iludamos, portanto, imaginando que a Terra seja um oásis de paz, onde o espírito encarnado possa viver sem lutar.

Mesmo o reino vegetal e o animal estão constantemente empenhados em ferrenha batalha pela sobrevivência, que enseja ao princípio espiritual oportunidade de evoluir.

Contudo, quando verticalizamos a visão e deixamos de nos fixar nos horizontes estreitos do entendimento, adquirimos muito mais vasta compreensão do angustiante problema do sofrimento.

Quem não consegue levantar os olhos para tudo enxergar além das aparências e da transitoriedade em que os fenômenos de dor se manifestam, não consegue vislumbrar o objetivo superior com que, a fim de avançar, todas as coisas e todos os seres são fustigados.

Quando, porém, num golpe de visão, logramos contemplar a grandeza do futuro a que estamos destinados, todas as aflições que, no presente, nos preparam para alcançá-lo, assemelham-se a querelas que somente adquirem valor à exata medida em que as valorizamos com as nossas queixas e lamentos.

A questão é que, para quem sofre, sem atinar com a causa transcendente do sofrimento, o tempo parece se eternizar e, com ele, por menor que seja, o próprio sofrimento que nos acomete.

Agindo quase sempre equivocadamente, como é que haveríamos de querer não padecer as consequências de nossa falta de discernimento, se a essas mesmas consequências é que passamos a dever a possibilidade de reparar os erros que cometemos?!

Se a criança, ao cair, não experimentasse qualquer sintoma de dor decorrente de sua queda, é possível que ela não se esforçasse para adquirir o equilíbrio que a mantém em pé e que a faz aprender a caminhar.

É a dor que nos ensina a excelência do amor.

Fujamos, assim, de interpretar as provações como algo que, embora devamos evitar a todo custo, não nos convém maldizer quando chegam, porque a verdade é que, enquanto não soubermos abençoá-las, elas haverão de permanecer conosco cumprindo o seu papel.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

FERMENTO DA EVOLUÇÃO – Irmão José

 

“O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

Conforme escreveu Kardec, sob a inspiração dos Espíritos Superiores, o Espiritismo também mostra a causa dos sofrimentos na destinação da Terra, onde o espírito, além de expiar o seu passado, desenvolve as suas potencialidades.

O sofrimento, portanto, em seus extensos horizontes de lágrimas, que cobrem toda a Humanidade, não diz respeito apenas à reparação das infrações que o espírito comete contra as Leis Divinas.

A verdade é que a dor é o indispensável fermento da Evolução.

Sofre o carvão para se transfigurar em diamante…

Sofre a semente para germinar e florescer…

Sofre a ostra para produzir a pérola…

Sofre o animal para sobreviver e perpetuar a espécie…

Sofre a criança para se colocar em pé…

Sofre o homem para cumprir com o dever…

Nascendo das entranhas da própria Vida, a Vida mais ampla é sempre um parto difícil e complexo.

Todo e qualquer passo além do comodismo, em que o homem tende a se perpetuar, exige dele renúncia e sacrifício e, consequentemente, suor de mistura com muitas lágrimas.

Ninguém transpõe uma escada sem subir degraus, ou escala um monte sem se expor aos perigos do tentame.

Quando apenas sinônimo de resgate, a dor de alguém, raramente, se faz desbravadora de caminhos para aqueles que seguem na retaguarda.

As almas aflitas e inquietas pelo futuro, muitas vezes, vendo os seus sonhos se transformarem em pesadelos, são as que compelem a espécie humana a deixar o lugar comum.

Os que primeiro enxergam a luz não se furtam à ira dos que se demoram imersos na escuridão.

O Cristo, em sua passagem pelo orbe, não sofreu a crucificação em consequência de culpas que Ele não possuía, mas, sim, para a expansão cada vez maior de seu Espírito, ansiando talvez, sempre, por mais profunda identificação com Deus.

Saibamos que, além das consequências de sua própria ignorância, somente os espíritos medíocres não admitem sofrer nenhuma espécie de dor que seja capaz de resgatá-los à mediocridade em que se comprazem.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

INEVITÁVEIS E EVITÁVEIS – Irmão José

“Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Dos males que o espírito enfrenta na reencarnação, nem todos, evidentemente, dizem respeito às suas pregressas existências.

Muito embora o sofrimento seja consequência da necessidade de o espírito evoluir, forçoso é admitir que, na maioria das vezes, as dores com as quais ele se defronta na existência terrestre se originam de sua voluntária infração às Leis da Vida.

Portanto, em síntese, pode-se dizer que existem sofrimentos evitáveis e inevitáveis.

Os inevitáveis são as provas naturais do caminho evolutivo, oriundos dos obstáculos que se enfrentam para desenvolver faculdades latentes – digamos que sejam sofrimentos não determinados pelo carma individual.

Os evitáveis são os que o próprio espírito, no uso de seu livre-arbítrio, engendra para si mesmo, com as decisões equivocadas que delibera tomar.

Talvez, assim, sofrer essa ou aquela agressão se faça inevitável, mas a iniciativa de agredir, ou de revidar, é perfeitamente evitável.

Muitas vezes, não há como escapar às circunstâncias adversas do meio evolutivo em que se vive, sofrendo-lhe as influências, contudo, evidentemente, o espírito não está obrigado a ceder a elas.

Para quem se dispõe a caminhar, tropeçar e cair pode ser inevitável; todavia, render-se à revolta por isso, recusando-se a continuar seguindo, é opção pessoal.

O que se encontra na alçada do espírito em evolução é evitar praticar o mal a quem quer que seja, mas não evitar que o mal lhe seja praticado.

A quem se embrenha na mata, o risco de ser picado por uma víbora é sempre iminente, no entanto, sabendo disso, além dos cuidados de praxe a serem tomados para que tal não suceda, pode-se ainda levar na mochila uma dose de soro antiofídico.

Os espíritos que se permitem afetar pelo mal que lhes é cometido, aceitando a provocação que lhes é feita, estabelecem com ele vínculos de natureza cármica que os retardam na marcha.

Portanto, chega-se à conclusão de que evoluir sem luta é inevitável, mas evoluir sem tantos problemas decorrentes dela é algo que se pode claramente evitar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

REFLEXÃO – Irmão José

A Terra é abençoada escola para o espírito em evolução.

Cada existência no corpo é um estágio imprescindível ao seu aprendizado.

As dificuldades são lições valiosas.

As provações são testes necessários.

A dor é a educadora por excelência.

Os obstáculos são convites à superação.

O aproveitamento curricular depende do esforço individual.

Não há privilégios e favorecimentos ilícitos.

Toda promoção se baseia nos méritos pessoais.

O próximo é a cartilha viva.

Jesus é o Mestre.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)