DOR E EGOÍSMO – Irmão José

O egoísmo, sem dúvida, é sentimento tão arraigado ao homem que, espiritualmente, ainda não logrou se expandir, que, até mesmo quando sofre, ele acredita que ninguém seja capaz de superá-lo na dor que esteja sofrendo.

Por assim se imaginar, é quase impossível que o homem venha a encontrar alguma espécie de resignação na simples constatação das dores muito maiores que, ao seu derredor, padecem seus semelhantes.

E, ao mesmo tempo, dentro deste contexto, é muito difícil que ele se mobilize no sentido de minimizar as provas alheias, já que se coloca na condição de quem sempre necessita receber e jamais algo fazer em benefício de quem chora.

Inegavelmente, esta é uma das formas mais primitivas na qual o egoísmo pode nele se manifestar, impedindo que empreenda movimentos iniciais com o propósito de libertar a si mesmo.

Abençoado, pois, aquele que, dentro do quadro de suas inegáveis provações, consegue ouvir os apelos daqueles que, não muito distante, com motivos reais para gemer muito mais alto, permanecem na expectativa do socorro de suas mãos.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Amai-vos uns aos outros”)

REENCARNAÇÃO E EGOÍSMO – Irmão José

“Há pessoas a quem repugna a reencarnação, com a ideia de que outros venham a partilhar das afetuosas simpatias de que são ciosas. Pobres irmãos! O vosso afeto vos torna egoístas; o vosso amor se restringe a um círculo íntimo de parentes e de amigos, sendo-vos indiferentes os demais.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI – Amar o próximo como a si mesmo.)

Muitos dentre os homens continuam querendo que a Vida seja como querem que ela seja, e não como Deus a fez.

Sob este ângulo de observação, muitos se recusam à crença na Reencarnação, porque a sua existência seria um golpe de morte em seus propósitos personalistas.

A ideia de que um espírito – que não se deseja ver nem à distância – possa vir habitar sob o mesmo teto, partilhando, inclusive, da mesma genética do grupo consanguíneo, para muitos, não deixa de ser absurda.

Contudo, a Reencarnação, que é a mais sábia de todas as Leis, não consulta a quem seja a respeito de suas preferências existenciais, e promove, à revelia dos preconceituosos, a miscigenação espiritual que, no Grande Futuro, há de tornar a todos verdadeiros irmãos.

Embora coexistindo com a própria realidade das Leis Universais, a Reencarnação ainda não logrou maior aproximação entre os homens, porque a tanto, inclusive, vêm se opondo as leis da matéria, que, de todas as maneiras, nos mundos inferiores, subjugam os espíritos.

Dos Dois Lados da Vida, os espíritos mais afins lutam para manter o clã, rejeitando a chegada de desconhecidos que repelem veementemente, como elementos estranhos ao meio. Isto, porém, é próprio da natureza daqueles que ainda não se distanciaram suficientemente de sua animalidade.

Daí o motivo de as Leis Divinas, periodicamente, suscitarem certos acontecimentos que, sob os auspícios das necessidades da carne, forçam a aproximação de grupos de espíritos que devem ampliar a sua capacidade de relacionamento afetivo, em vistas à maior fraternidade do porvir.

Atualmente, com o fenômeno da globalização, a Reencarnação vem se deparando com mais portas abertas, que, assim, haverão de lhe facilitar o trabalho de efetuar o congraçamento entre as criaturas.

Com o natural enfraquecimento dos preconceitos, notadamente os de raça e condição social, os espíritos, doravante, segundo cremos, aproveitarão mais o ensejo de seu regresso à Terra, e a experiência reencarnatória há de lhes ser muito mais produtiva.

A verdade é que a reencarnação, embora seja essencial à evolução dos espíritos, praticamente, até os dias atuais da Humanidade, acontecendo sem prejuízo quantitativo para o fenômeno em si, não vem se dando com a qualidade que, daqui para frente, esperamos que se dê.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

AMOR – Irmão José

Quem verdadeiramente ama nunca se preocupa em ser amado.

O amor não faz exigência de nenhuma espécie, não impõe condições, não traça normas, não cobra retorno.

Aquele que reclama de sacrifício e renúncia desconhece o que é amor.

O amor é devotamento extremo, entrega absoluta, abnegação completa, doação desinteressada.

Por enquanto, amamos muito mais a nós mesmos do que amamos a Deus e ao próximo. Isto é egoísmo.

A distância que existe entre nós e o próximo, em essência, é a mesma que existe entre nós e Deus.

Aprendamos a ceder de nós mesmos renunciando aos nossos interesses pessoais.

Exercitemos o desprendimento.

Busquemos dar alegria, invés de nos colocarmos na expectativa de recebê-la.

Não esperemos que os outros girem na órbita de nossos caprichos, à feição de satélites em torno do Sol.

Não nos esqueçamos de que o amor não é uma algema que escraviza, mas sim um laço consentido parte a parte.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)