LUTA -Irmão José

Dentro da Vida, todas as coisas e todos os seres lutam para progredir.

Luta a semente que germina, o verme que se arrasta, o pássaro que voa, o homem que caminha.

A semente luta para exteriorizar as suas potencialidades íntimas; o animal luta exteriormente para sobreviver.

Dentro do homem, um Anjo encontra-se em gestação; por isto, atualmente, a sua luta maior é na intimidade de si mesmo.

No princípio da evolução, o homem lutava para sobreviver aos perigos e às intempéries; agora deve lutar para espiritualizar-se, construindo em si o Reino Divino.

Disse-nos Jesus: – “Vós sois deuses!”.

O homem só deixará de lutar quando houver alcançado as culminâncias do seu progresso espiritual.

Abençoemos, portanto, as nossas lutas e não nos furtemos a elas, candidatando-nos a lutas maiores ainda…

Assim como a mulher sofre as dores do parto para “dar a luz”, o espírito sofre para iluminar-se em suas próprias entranhas.

Enfrentemos as nossas provas com coragem e aplicação, qual o aluno que se debruça sobre o livro que lhe conferirá acesso a estágios superiores do conhecimento.

Seja qual for o tamanho de nossa luta, convençamo-nos de que ela é do tamanho exato de nossas necessidades.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)

VERDADEIRA GRANDEZA – Irmão José

“O Espiritismo sanciona pelo exemplo a teoria, mostrando-nos na posição de grandes no mundo dos espíritos os que eram pequenos na Terra…” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VII – Bem-aventurados os pobres de espírito.)

Quanto mais se distancia de Deus, o Centro da Luz, mais mergulha o homem nas sombras de si mesmo, e delas permanece à mercê.

Em um mundo com as características de imperfeição do orbe terrestre, inegavelmente, os valores morais jazem quase em completa inversão, com o predomínio da matéria sobre o espírito.

A Terra é milenar campo de batalha, entre o ter e o ser, no qual, infelizmente, ao longo dos séculos, os interesses imediatistas vêm oprimindo os de natureza espiritual.

Não obstante, carecemos de considerar que, neste sentido, a Humanidade já viveu momentos mais sombrios, quando, então, o desrespeito pela vida humana era quase absoluto.

No entanto, rasgando a espessa cortina de treva que envolve o planeta, a pouco e pouco, foi sendo possível se avistarem alguns tímidos reflexos de luz se lhe insinuando, à semelhança dos raios solares, que, gradativamente, vencem a escuridão da noite.

Com o advento do Espiritismo, os espíritos dos considerados mortos, entrando em contato com os encarnados, vieram demonstrar que, nas Dimensões além da morte, vigem outros paradigmas existenciais.

É que, parcialmente livre das sombras da vida material, o espírito dá mais um passo na direção do Infinito e, assim, se aproxima da luz da Verdade, que, entre os homens na carne, jaz ofuscada por inúmeros interesses que a impedem de brilhar.

Evidentemente, estamos nos referindo aos círculos espirituais situados a certa distância da Esfera Terrestre, que não mais lhe estão tão sujeitos à influência perniciosa, porque, em seus círculos mais próximos, a vida não passa de mero reflexo da existência carnal.

Em a Natureza e, em particular, em seu universo moral, realmente, a Vida não dá saltos, e não existem prodígios de transformação.

Consideremos, no entanto, que, à exata medida em que se dá a subida – ou seja, maior distanciamento do espírito das ilusões que lhe obnubilam os sentidos e subtraem o discernimento – toda distorção começa a se corrigir, e ele, então, pode se apreciar, ou ser apreciado, em sua verdadeira estatura.

Sem dúvida, foi isso que levou Jesus a dizer, quando se banqueteava na casa de um dos principais fariseus: “… todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado”, levando-nos a inferir que a verdadeira grandeza está em se apequenar, e não em se engrandecer.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

HOMENS DE SABER?! – Irmão José

“Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecerem a atenção.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VII – Bem-aventurados os pobres de espírito.)

Com todo o respeito ao texto da Codificação que nos encima as reflexões abaixo, seriam mesmo homens de saber e de espírito os que “consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecerem a atenção”?! Ou estariam apenas e tão-somente atestando a sua falta de coragem para encarar a realidade da Vida, que transcende as suas concepções imediatistas e os seus rasteiros interesses?!

Por maior seja a prepotência humana ao negar a existência de Deus, vangloriando-se de seus conhecimentos científicos, entre os homens considerados de mais alto saber acadêmico, não há quem logre explicar a criação da asa de um simples inseto, sem atribuir semelhante prodígio à obra do acaso.

Em pouco menos de 100 anos de maiores avanços no campo da Ciência, com as suas teorias primárias em esboço, o homem imagina ter alcançado respostas definitivas para entender o Universo – que existe há cerca de 13,7 bilhões de anos!

Como poderia a Ciência – que ainda, por exemplo, não conseguiu descobrir a vacina contra o vírus do HIV, que continua a ceifar milhares de vidas promissoras em todo o mundo – atinar com os processos da Evolução em suas origens?!

E o que dizermos, então, do quase nada que os mais inteligentes pesquisadores sabem a respeito da psique humana, limitando-se a diagnósticos para os desarranjos psicológicos que acometem a criatura, alicerçados nos vislumbres de Sigmund Freud, aos quais, desde então, pouco se acrescentou?!

A arrogância humana, em torno da Criação, não passa de ser o maior atestado de sua mediocridade e a confissão enviesada de sua própria ignorância.

Os considerados maiores sábios da Humanidade – tais como Sócrates e Voltaire – por admitirem a existência de uma Ética por indispensável suporte da Vida, jazem quase esquecidos nos meios universitários, que, embora lhes rendam tributo à inteligência, colocam em xeque a sua capacidade de discernimento.

Dentre eles, contudo, o Cristo continua na condição de o maior dos convenientemente esquecidos, porque, depois de cerca de dois mil anos, os seus conceitos revolucionários continuam a desafiar a capacidade de o homem superar a si mesmo, pois, ao invés de preferir a Verdade que liberta, ele escolhe a mentira que o escraviza aos seus mesquinhos interesses.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

O JARDINEIRO DIVINO – Irmão José

“Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos- (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

De fato, o espírito em evolução pode ser comparado à minúscula semente que, na gleba da Vida, vem sendo laboriosamente cultivada pelo Senhor, o Jardineiro Divino.

Os pensamentos Dele, à maneira da claridade solar, incidem constantemente sobre os nossos pensamentos, fazendo com que germinem ideias e sentimentos de ordem superior.

Cuidadosamente, desde o princípio, Ele vem zelando por cada um de nós, impedindo que as circunstâncias adversas nos comprometam o florescimento espiritual.

Assim como o lavrador que, lançando o grão à terra, espera pela colheita promissora, o Cristo, com extremada paciência e carinho, aguarda que venhamos a corresponder às suas justas expectativas de diligente pomicultor.

O corpo físico pode ser comparado à leira onde o espírito jaz plantado, permanecendo em lento e exaustivo processo de maturação, ao longo dos séculos e milênios.

Evidentemente, todos ainda muito longe estamos de florescer e frutescer com a exuberância de uma árvore na plenitude de suas possibilidades intrínsecas.

O Senhor, porém, não desistirá de nenhuma das sementes que o Criador lhe confiou, para que, um dia, na perpetuação da espécie, elas mesmas consigam se multiplicar de maneira prodigiosa.

As suas Palavras de Vida Eterna prosseguirão, na medida certa, adubando-nos a vontade débil e ofertando-nos condições propícias para que, no tempo assinalado pelas Leis da Evolução, possamos imitar a humilde semente de trigo, que emerge da cova escura em que se acolhe e se transfigura em espiga madura para o milagre do pão.

E como a semente – que, de estação a estação, enfrenta, muitas vezes, as variações do clima, incubando-se sob a ação das intempéries – de vida em vida, ante o sol causticante das provas que suportarmos ou das tempestades de lágrimas que sobre nós desabarem, haveremos, um dia, de deixar de ser simples promessa para nos tornarmos realidade.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

FERMENTO DA EVOLUÇÃO – Irmão José

 

“O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

Conforme escreveu Kardec, sob a inspiração dos Espíritos Superiores, o Espiritismo também mostra a causa dos sofrimentos na destinação da Terra, onde o espírito, além de expiar o seu passado, desenvolve as suas potencialidades.

O sofrimento, portanto, em seus extensos horizontes de lágrimas, que cobrem toda a Humanidade, não diz respeito apenas à reparação das infrações que o espírito comete contra as Leis Divinas.

A verdade é que a dor é o indispensável fermento da Evolução.

Sofre o carvão para se transfigurar em diamante…

Sofre a semente para germinar e florescer…

Sofre a ostra para produzir a pérola…

Sofre o animal para sobreviver e perpetuar a espécie…

Sofre a criança para se colocar em pé…

Sofre o homem para cumprir com o dever…

Nascendo das entranhas da própria Vida, a Vida mais ampla é sempre um parto difícil e complexo.

Todo e qualquer passo além do comodismo, em que o homem tende a se perpetuar, exige dele renúncia e sacrifício e, consequentemente, suor de mistura com muitas lágrimas.

Ninguém transpõe uma escada sem subir degraus, ou escala um monte sem se expor aos perigos do tentame.

Quando apenas sinônimo de resgate, a dor de alguém, raramente, se faz desbravadora de caminhos para aqueles que seguem na retaguarda.

As almas aflitas e inquietas pelo futuro, muitas vezes, vendo os seus sonhos se transformarem em pesadelos, são as que compelem a espécie humana a deixar o lugar comum.

Os que primeiro enxergam a luz não se furtam à ira dos que se demoram imersos na escuridão.

O Cristo, em sua passagem pelo orbe, não sofreu a crucificação em consequência de culpas que Ele não possuía, mas, sim, para a expansão cada vez maior de seu Espírito, ansiando talvez, sempre, por mais profunda identificação com Deus.

Saibamos que, além das consequências de sua própria ignorância, somente os espíritos medíocres não admitem sofrer nenhuma espécie de dor que seja capaz de resgatá-los à mediocridade em que se comprazem.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

ASCENSÃO – Irmão José

Para ascender aos Céus, o homem necessita “perder peso” sobre a Terra.

Como subir às regiões etéreas sem despojar-se da carga de suas aflições humanas?!

Em sua ascensão aos Cimos, o homem carece de atingir as cumeadas da Consciência, como quem escala o “monte” redentor do próprio corpo, dos pés à cabeça…

Em sua trajetória ascensional, existem almas que estão simbolicamente localizadas na região do sexo, outras na do estômago, raras já alcançaram os domínios do coração…

O Cristo, a Consciência Cósmica do mundo, esplende no ápice do “monte” em que nos aguarda…

Ascensão, em essência, é crescimento interior, expansão do psiquismo na gestação do Anjo!

Toda subida é penosa.

O Cristo desceu à Terra para que, com Ele, aprendêssemos a subir aos Céus.

Ninguém subirá a Deus sem descer às profundezas do Ser.

Depois de conquistarem as cumeadas da Evolução, os Anjos poderão ser encontrados nos abismos do sofrimento humano, estendendo as mãos aos que jazem presos ao visco das paixões.

Quanto mais descer para auxiliar, mais subirá o homem em sua ascensão divina.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)

PERDÃO – NECESSIDADE HUMANA – Irmão José

Perdoar não é apenas esquecer a ofensa, mas lembrar que o ofensor é um irmão doente e precisa ser amado.

Quem permanece em seu juízo perfeito jamais magoa alguém.

Quanto mais ilimitada a tua capacidade de compreender e amar, menos te sentirás exigido em matéria de perdão.

Agredido a cada instante, porque não assimilava os golpes que lhe eram desferidos, Jesus não experimentava a necessidade humana de perdoar.

Se a ofensa coloca à mostra as limitações de quem a pratica e o perdão, o grau de consciência de quem luta para superar-se, quem nada tem a perdoar revela que já se encontra um passo além no caminho do verdadeiro amor.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Pai, Perdoa-lhes!”)