INEVITÁVEIS E EVITÁVEIS – Irmão José

“Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Dos males que o espírito enfrenta na reencarnação, nem todos, evidentemente, dizem respeito às suas pregressas existências.

Muito embora o sofrimento seja consequência da necessidade de o espírito evoluir, forçoso é admitir que, na maioria das vezes, as dores com as quais ele se defronta na existência terrestre se originam de sua voluntária infração às Leis da Vida.

Portanto, em síntese, pode-se dizer que existem sofrimentos evitáveis e inevitáveis.

Os inevitáveis são as provas naturais do caminho evolutivo, oriundos dos obstáculos que se enfrentam para desenvolver faculdades latentes – digamos que sejam sofrimentos não determinados pelo carma individual.

Os evitáveis são os que o próprio espírito, no uso de seu livre-arbítrio, engendra para si mesmo, com as decisões equivocadas que delibera tomar.

Talvez, assim, sofrer essa ou aquela agressão se faça inevitável, mas a iniciativa de agredir, ou de revidar, é perfeitamente evitável.

Muitas vezes, não há como escapar às circunstâncias adversas do meio evolutivo em que se vive, sofrendo-lhe as influências, contudo, evidentemente, o espírito não está obrigado a ceder a elas.

Para quem se dispõe a caminhar, tropeçar e cair pode ser inevitável; todavia, render-se à revolta por isso, recusando-se a continuar seguindo, é opção pessoal.

O que se encontra na alçada do espírito em evolução é evitar praticar o mal a quem quer que seja, mas não evitar que o mal lhe seja praticado.

A quem se embrenha na mata, o risco de ser picado por uma víbora é sempre iminente, no entanto, sabendo disso, além dos cuidados de praxe a serem tomados para que tal não suceda, pode-se ainda levar na mochila uma dose de soro antiofídico.

Os espíritos que se permitem afetar pelo mal que lhes é cometido, aceitando a provocação que lhes é feita, estabelecem com ele vínculos de natureza cármica que os retardam na marcha.

Portanto, chega-se à conclusão de que evoluir sem luta é inevitável, mas evoluir sem tantos problemas decorrentes dela é algo que se pode claramente evitar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)