PROPAGANDISTAS DA DESCRENÇA – Irmão José

“A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem- -aventurados os aflitos.)

Infelizmente, os propagandistas da descrença não se encontram apenas em meio aos descrentes confessos, que vivem apregoando a inexistência de Deus e, consequentemente, que a vida humana não passa de simples fenômeno biológico aleatório.

Os piores céticos poderão ser encontrados entre os que, dizendo-se a serviço da fé, adotam atitudes tão contraditórias à mensagem que pregam que terminam por inocular o veneno do ceticismo nas almas.

Nesse sentido, por incrível que pareça, será possível depararmo-nos com incrédulos que se pautam por melhor ética do que muitos religiosos, que, de tanto se corromperem nos princípios que abraçaram, perderam a fé em si mesmos.

Estamos nos referindo aos que, falando do que não creem, transformam o púlpito em palanque de interesses particulares que se amesquinham cada vez mais…

Aos que decepcionam quantos os surpreendem em seus atavismos de ordem moral, cedendo à tentação do prazer ou do dinheiro fácil, em que extorquem os menos avisados…

Aos que, de tanto enganarem aos outros, se debilitaram espiritualmente, a ponto de continuarem a persistir no que fazem simplesmente porque se habituaram a fazer o que fazem…

Aos que, em se degradando em seus dons mediúnicos, que inúmeras vezes utilizaram desonestamente, insistem em se dizer na condição de emissários dos Bons Espíritos, que, desde muito, deixaram de lhes prestar assistência…

Esses e outros, sem dúvida, sequer acreditam mais que, um dia, possam vir a responder pelas suas leviandades, de vez que passaram a descrer totalmente de que a Vida prossegue além da morte.

Exteriormente, quando em público, através de movimentos estudados e palavras bem postadas, desdobram-se para mostrar sinceridade de convicções; porém, tivesse alguém oportunidade de lhes sondar os mais íntimos pensamentos, com certeza, se estarreceria.

Com personalidade dúplice, embora muitos deles se façam aclamados pela multidão que os incensa e idolatra, a pouco e pouco vão inoculando nos espíritos incapazes de discerni-los o veneno que as doutrinas reconhecidamente materialistas inoculam, sem que necessitem recorrer ao aval de enganosa propaganda.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)