POR AÇÃO DA LEI – Irmão José

“A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

Sem dúvida, por sobre a Terra, não há quem detenha a posse absoluta de cousa alguma que não possa entesourar no coração.

Por ação das sábias Leis Divinas, a se expressarem na reencarnação, determinado espírito se infiltra no seio de certo grupo familiar avaro e lhe dissipa o patrimônio, fazendo com que, em favor do progresso comum, o dinheiro volte a circular.

Claro que o espírito infiltrado, agindo, aparentemente, em prejuízo material do referido grupo, termina por auxiliar os seus componentes a se libertarem da ambição que, por muito tempo, poderiam continuar cultivando.

Em relação à fortuna acumulada, ocorre o mesmo que acontece no campo do preconceito racial, e, consequentemente, cultural e religioso da Humanidade, quando, com o intuito de desfazer determinados quistos de natureza étnica e ética, alguns espíritos, encarregados de renovar as ideias e concepções cristalizadas de um povo, tomam corpo em sua descendência consanguínea.

Quase todos os impérios econômicos que se levantam na Terra, principalmente à custa da exploração alheia, são derrubados de dentro para fora, e não de fora para dentro.

Temendo a chegada de invasores, o homem pode colocar cercas em seu quintal, mas não logra impedir que, através das invisíveis portas de acesso da reencarnação, o seu desafeto se torne criança, a crescer no suposto resguardado ambiente de sua casa.

Inútil, pois, que o homem continue insistindo na manutenção de valores, que são transitórios, porque, cada vez mais, do Plano Espiritual para a Terra, as fronteiras ideológicas pelas quais ele se bate vêm sendo jogadas ao chão.

Da própria atração sexual, no fascínio das formas perecíveis, as Leis Divinas vêm se valendo para concretizar o seu plano de miscigenação que, tal qual já vem ocorrendo, há de promover a verdadeira integração da raça humana, em que corpos e idiomas, hábitos e costumes se misturam.

Conspirando uns contra os outros, os homens não passam de agentes da Conspiração Divina para a felicidade de todos, sem a exclusão de um só dos filhos de Deus.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

DINHEIRO – Irmão José

“Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

A riqueza é o símbolo das dificuldades materiais que o espírito, com o propósito de alcançar a plenitude, necessita superar na jornada evolutiva que empreende.

Se o dinheiro, pois, não se fizesse o centro das ambições mais rasteiras do homem, outro expediente, por certo, engendrando os mesmos dramas que o dinheiro engendra, haveria de substituí-lo.

O dinheiro, em si, não passa de valor convencional que lhe é atribuído pela mente humana, porque, a rigor, o que pode valer uma cédula ou uma moeda?!

Exceto o bem que seja capaz de promover, tudo o que o dinheiro possa adquirir é tão destituído de valor quanto ele.

Todavia, a ambição que o dinheiro ocasiona pode dar ensejo a muitos males decorrentes da própria ambição de sua posse.

Crimes são cometidos…

Guerras são declaradas…

Sob outro ângulo de visão, o dinheiro, sem dúvida, talvez seja o maior criador de carmas negativos para o espírito, porquanto mesmo o prazer exacerbado não lhe dispensa o patrocínio.

Ousaríamos dizer que, ao concentrar atenção e tempo em sua conquista, ele se faz o maior empecilho no caminho da libertação espiritual de quem o deseja amontoar.

Contudo, mesmo no âmbito dos valores fictícios que lhe são atribuídos no mundo, para quem saiba utilizá-lo, o que é motivo de queda para alguns pode se transformar em causa de subida para outros.

Toda força carece de direcionamento adequado.

O ar que espalha o perfume das flores é o mesmo que pode disseminar a fumaça de natureza tóxica.

As mãos que constroem são as mesmas que podem destruir.

A boca que maldiz é a mesma que pode abençoar.

Dinheiro a serviço do Bem é a sombra a serviço da luz.

Não nos esqueçamos de que – demonstrando que, a rigor, o Bem não depende exclusivamente de dinheiro para ser praticado – nas páginas do Evangelho, não existe uma referência sequer de que Jesus, algum dia, tenha manuseado diretamente uma única moeda.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)