NEM QUE SEJA DE RASTROS – Irmão José

quando em quando, pensamentos sombrios te assaltam a cabeça.

Idéias de pessimismo e deserção.

Que cedes à tentação de te juntares aos que apenas se preocupam em gozar a vida.

Não cometas tal desatino!

Haverás de arrepender-te e o vazio que sentes na alma se ampliará indefinidamente.

Somente o bem que houveres feito te garantirá a paz da consciência na hora do Grande Adeus.

Todas as tuas concessões à fragilidade moral, por mais insignificantes, ser-te-ão peso no coração.

Há enorme diferença entre a lágrima que vertas por arrependimento e a que derrames por teres resistido ao assédio do mal.

Não menosprezes a cruz do dever que te redime.

Persevera com todas a tuas forças e, nem que seja de rastros, caminha para diante.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “De ânimo firme”)

NÓS E OS OUTROS – Irmão José

“Caros amigos, sede severos convosco, indulgentes para as fraquezas dos outros.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. X – Bem-aventurados os que são misericordiosos.)

Concordamos que ninguém deve viver recriminando-se, mas, a pretexto disto, não deve também viver sem estar atento às imperfeições que carece de corrigir em si, fazendo de conta que tais imperfeições não existam.

Quem, espiritualmente, se amolenta no combate às suas tendências e inclinações infelizes, acaba por condescender a que elas surjam à tona de sua personalidade e se exteriorizem em forma de atitudes, que, então, por mais absurdas, passa a considerar muito naturais em si, mas não nos outros.

Qual é o critério que utilizamos para absolver em nós os erros que condenamos no próximo?!

Claro que, em nossas infrações, não devemos ser tão severos conosco, a ponto de tanto afetar a nossa chamada autoestima, que não nos sobre ânimo necessário para prosseguirmos vivendo e lutando em busca do melhor.

Todavia, precisamos não ignorar – e, quase sempre, fazemos isto de maneira deliberada – que os males que apontamos em nossos semelhantes, muitas vezes, não assomam em nós, unicamente, por falta de oportunidade.

Ou seja, porque ainda não nos deparamos com ocasião ideal para claudicar sem que venhamos a ser surpreendidos e, consequentemente, punidos.

O homem carece de se encorajar no gradativo confronto consigo; pois, por ser inevitável, mais cedo ou tarde, no corpo ou fora dele, tal confronto se dará. E, sendo assim, quanto mais cedo isto se der, menos tempo o homem viverá sob a hipnose de suas próprias ilusões.

Na Humanidade, como um todo, existe muito mais gente lutando contra a vontade que se tem de fazer o que não se deve do que gente cedendo, sem qualquer escrúpulo, à vontade de fazer o que não se deve.

Portanto, que esse pensamento nos encoraje a não extrapolar em nossas imperfeições, porque, se os nossos avós e pais fossem dar livre curso aos seus anseios mais íntimos, é possível que não encontrássemos neles nenhum exemplo edificante para nos pautarmos em nossas atitudes.

Se eles resistiram ao assédio da tentação em si, por que não poderíamos a ele resistir por nossa vez?!

Procuremos tomar mais plena consciência de nossas responsabilidades perante a Vida, porque essa tomada de consciência mais plena nos fortalecerá e nos levará a sopesar os possíveis lucros e prejuízos que haveremos de ter em qualquer escolha que viermos a fazer.

E, sob este aspecto, em consequência de nossos desmandos, todos os prejuízos somados, resultantes do prazer, não compensam o menor dos lucros, que, em favor de nossa paz, vale muito mais do que possa nos custar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

VIGILÂNCIA – Irmão José

É imprescindível mantermos a vigilância a cada passo.

Todos somos passíveis de tropeçar nas próprias mazelas.

Somos sempre tentados, seja por encarnados ou desencarnados, no ponto em que a nossa fragilidade se revela maior.

A nossa vulnerabilidade moral à tentação é algo com que precisamos aprender a lidar, evitando sucessivas quedas.

Quem vigia deve estar sempre a postos, de sentinela, preparado para qualquer assalto dos adversários.

Em nosso caso, os inimigos que nos espreitam são as nossas próprias imperfeições, aguardando insignificante descuido para nos dominarem.

Por isto, repetimos, importante estarmos conscientes quanto às nossas fraquezas, a fim de que sobre elas a nossa vigilância seja redobrada.

Quem chega a cair nas armadilhas exteriores do mal é porque já havia caído, primeiro, nas ciladas interiores de suas ilusões.

Sustentemos a vigilância, não dando campo para o avanço das “forças” inimigas entrincheiradas em nós.

Ocupemos o pensamento com ideias nobres, materializando-as com as nossas mãos.

É pela fresta de nosso tempo ocioso e invigilante que a tentação se infiltra, rompendo as nossas guardas ao impor-nos fragorosa derrota.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)