SUOR E LÁGRIMAS – Irmão José

É possível que, ante a fé, que professas, anotando certa contradição entre o que dizes e o que fazes, te deixes dominar pela tristeza.

Queres pautar-te pelos preceitos evangélicos que abraçaste e, um sem-número de vezes, sucumbes às tuas fragilidades.

O homem-velho persiste dentro de ti, induzindo-te à reincidência na queda que te esforças por evitar.

Que atitude tomar? – perguntas, angustiado, ensaiando, de vez, a deserção aos compromissos espirituais assumidos.

Convence-te de que Jesus, o Divino Médico das Almas, não veio mesmo para curar os sãos.

Somos todos espíritos enfermos, sob o guante das mais diversificadas patologias da mente.

Acaso, o doente em que a doença se cronificou, obtém a cura à primeira intervenção medicamentosa que recebe?

Porventura, aprende o aluno inteiramente a lição, com apenas alguns dias de frequência ao banco escolar?

Não sejas, em demasia, condescendente contigo nas incoerências de tua personalidade, todavia não te martirizes tanto, criando falsas expectativas a teu respeito.

Não és mais nem menos do que és, nas ações que te revelam no cotidiano.

Encerras possibilidades virtuais capazes de te nivelarem aos anjos, mas, até lá, tens muito suor a derramar e lágrimas a verter.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “De ânimo firme”)

NÃO SE SABE – Irmão José

“É na caridade que deveis procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio para as aflições da vida.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIII – Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.)

Realmente, não se sabe de alguém que, devotando-se à prática do Bem aos semelhantes, veja-se acometido de qualquer estado de abatimento psicológico que com ele possa perdurar.

Não que o servidor do Cristo, no imenso campo das provações humanas, não experimente dificuldades íntimas para perseverar no cumprimento do dever que lhe cabe.

Quase todos os leais tarefeiros do Evangelho, quase todos os dias, padecem tentações, as mais variadas, que procuram fazê-los desanimar na luta em que se empenham pelo Mundo Melhor.

Muitos deles derramam, sim, solitárias lágrimas nos testemunhos de fé a que são chamados, diante da incompreensão ou da indiferença de quantos escarnecem de seus abençoados esforços.

Se o Cristo não se furtou às hostilidades do meio em que viveu, amargando traição e abandono, evidentemente que não passaria de ilusão a expectativa de completa paz em quem se dispusesse a Lhe seguir os exemplos.

Contudo, por outro lado, somos levados a considerar que, embora não consiga isentar-se dos naturais conflitos exteriores, portas adentro da alma, o homem que, verdadeiramente, se consagra ao Bem dos semelhantes, jamais se rende à tristeza.

A ocupação constante na caridade não permite que alguém desfrute de demasiado tempo para cultuar amarguras, que venham a lhe suscitar quadros patológicos de complexa reversão.

Na maioria das vezes, os que se queixam vítimas de indefinida melancolia e outros sintomas de perturbações emocionais, tendentes a se cronificarem, ganhando o rótulo de doenças de natureza psiquiátrica, como a depressão, motivados pela alegria de ser úteis, ainda não sabem o que seja servir.

O trabalho na caridade é remédio contra os males espirituais que já se instalaram, e vacina contra os que, possivelmente, possam vir a se instalar no espírito.

Por esse motivo, repetimos que, de fato, não se sabe de alguém que, estando, de corpo e alma, comprometido com a causa do Bem, mesmo, por vezes, chorando, não consiga sorrir muito mais que chora. E que a seus breves instantes de aflição não veja se seguirem duradouros momentos de uma paz que o mundo, por si só, não é capaz de proporcionar a pessoa alguma.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

INFORTÚNIOS DA ALMA – Irmão José

“Esses infortúnios discretos e ocultos são os que a verdadeira generosidade sabe descobrir, sem esperar que peçam assistência.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIII – Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.)

Muitos são os que reparam os que encontram caídos nas estradas da Vida, denunciando na queda a sua flagrante necessidade de socorro imediato.

Poucos, no entanto, são os que conseguem enxergar aqueles que, embora estejam em pé, caminhando com relativo equilíbrio e, aparentemente, vivendo sem problemas, jazem profundamente caídos na intimidade de si mesmos.

O infortúnio oculto não possui endereço apenas e tão-somente no casebre onde a necessidade material se instalou de maneira inapelável.

Ele igualmente se encontra no domicílio espiritual de milhares de criaturas, que, a fim de que possam continuar enfrentando as dificuldades da existência, mendigam uma palavra de coragem dos lábios capazes de proferi-la.

Por detrás de uma pessoa socialmente bem posta e, por vezes, trajada com bom gosto, pode se esconder alguém que anseia por encontrar quem lhe estenda o óbolo de sua fraterna compreensão nas grandes lutas psicológicas que sustenta, praticamente a sós.

O caído da estrada, na Parábola do Bom Samaritano, não é apenas aquele que foi vítima de salteadores que lhe deixaram o corpo coberto de feridas…

Neste momento, ele pode estar ao teu lado, na roupagem de um familiar ou amigo mais próximo, à espera que venhas a ser para ele o que o Bom Samaritano foi para a vítima anônima que, desavisadamente, descia de Jerusalém para Jericó.

Recordemo-nos, por exemplo, de quantos que se entregam à depressão e não cedem a semelhante condição psíquica de uma hora para outra. As suas forças de resistência, sem que fossem amparadas, foram se esvaindo aos poucos, ante a falta de sensibilidade de quem não pôde ou não procurou enxergá-los na derrocada.

Muitas das vítimas de suicídio, se contassem, pelo menos, com quem pudesse lhes ouvir em desabafo, demonstrando algum interesse pela sua felicidade, não chegariam à prática do gesto extremo em que deliberaram fugir aos conflitos que não lograram dividir com ninguém.

Os infortúnios ocultos da alma são infinitamente mais numerosos que os infortúnios ocultos relativos à carência de ordem material. Neste sentido, no mundo atual, vive-se uma verdadeira calamidade.

Estende, sim, o pão ao faminto, o agasalho ao despido e o remédio ao doente. Mas, tanto quanto seja possível, aproxima-te do irmão entristecido, que, não raro, vive debaixo de teu mesmo teto, e, sem que ele tenha necessidade de algo pedir-te, toma a iniciativa de oferecer a ele migalhas do teu amor.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

TRISTEZA – Irmão José

Não permitamos que a tristeza nos envolva e nos mergulhe na depressão.

A apatia é abismo profundo do qual sairemos apenas à custa de muito esforço.

Não nos entreguemos, inermes, aos problemas que nos rodeiam, ensimesmados na tristeza.

Os que se rendem ao desânimo transformam-se em pacientes psiquiátricos, vitimados por estranha anemia de ordem moral.

Quando sentirmos que a tristeza insiste em se demorar conosco, ocupemos as nossas mãos e a nossa mente no serviço do bem.

Deixemos a poltrona do comodismo e desintoxiquemo-nos no suor da caridade.

Se abatidos espiritualmente no reconhecimento das próprias imperfeições, sintamo-nos incentivados à luta, ao invés de admitirmos a derrota.

Reajamos contra a melancolia, sacudindo o seu jugo de nossos ombros.

Reparemos que em nossos caminhos, de fato, “as bênçãos são muito mais numerosas do que as dores”.

Observemos os exemplos de quantos se encontram lutando com limitações maiores que as nossas, sem que lhes escutemos uma reclamação sequer.

No livro dos Provérbios, cap. 17, v. 22, está escrito: “O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos”.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)