TEMPO DE FELICIDADE – Irmão José

Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

A pouco e pouco, haverão de chegar os tempos em que o homem compreenderá que tudo, ou quase tudo, que, atualmente, se lhe constitui objeto de felicidade na Terra, não passa, em verdade, de enganosa ventura.

De maneira gradativa, com o auxílio de acuradas reflexões e muitos reveses, ele entenderá que o bem-estar espiritual duradouro que almeja alcançar não se concentra na posse efêmera dos transitórios valores da existência.

Quando este momento libertador soar para si, o homem se desprenderá de tudo o que lhe escraviza o espírito e lhe pesa sobre o coração; e nada mais lhe será capaz de embaraçar os passos na caminhada rumo à sua grandiosa destinação.

Consciente da transitoriedade da vida física, viverá, então, cada minuto, com senso de eternidade, sem que a própria passagem do tempo lhe venha a causar o menor receio.

Saberá que tudo, ainda, mais lhe pertence na exata medida em que nada desejar ter como sendo posse exclusivamente sua.

A doença e a morte não lhe serão motivo de tristeza alguma, porque, para ele, viver ou deixar de viver no corpo perecível não terá outro significado que não seja o de apenas cumprir determinado estágio de aprendizado dentro da Vida, que é eterna.

Assim, livre das inquietações que atormentam aquele que respira no mundo, sem qualquer perspectiva otimista em relação ao futuro, deixando de ser angustiante ponto de interrogação, o amanhã lhe descortinará sucessivas exclamações de reverência ante a indefinível grandeza e sabedoria da Criação.

Completamente despojado de ilusões, revelar-se-á infenso às sutis artimanhas das trevas, que fazem perturbar aqueles que terminam por se convencer de que lhes seja possível deter o curso incessante das horas que tudo modificam como quem, inutilmente, tenta aprisionar o vento na palma fechada de sua mão.

Sentindo-se cidadão do Universo, verá a todos como seus irmãos, e, portanto, seus iguais, pouco lhe importando renascer nesta ou naquela condição que ainda caracteriza o egoísmo humano com as suas inclinações e preferências.

Somente quando atingir este patamar superior, rumo ao qual – a passos mais lentos uns, a passos mais rápidos outros – todos empreendem irreversível jornada, é que, por fim, o homem poderá dizer que lhe foi dado tocar as franjas da túnica inconsútil da verdadeira felicidade.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)