TODAS AS LÁGRIMAS – Irmão José

“Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos.)

Talvez sobre a Terra, seja maior o contingente daqueles que sofrem como principais responsáveis pelo seu próprio sofrimento, do que o número daqueles que sofrem por conta das dores que outros lhes constrangem a padecer.

Não estamos nos referindo às consequências de ações remotamente perpetradas, em vidas passadas, e sim às resultantes das escolhas equivocadas efetuadas no tempo presente.

Incalculável a percentagem de quantos, não sabendo administrar as suas ambições, suportam amarguras que, noutras circunstâncias, absolutamente, não haveriam de afetá-los.

Ninguém, por exemplo, conseguiria enumerar numa lista os nomes daqueles que, movidos pela inveja do sucesso alheio, vivem sem conhecerem um instante sequer de paz.

Milhares os que, todos os dias, exacerbam terríveis complexos de inferioridade, unicamente porque não sabem se valorizar na condição em que se encontram renascidos, com a capacidade de se superarem na realização de verdadeiros prodígios.

Se todos os homens compreendessem que, em sua atual encarnação, foram aquinhoados pela Vida com o melhor – porque a mais, por enquanto, ainda não fizeram jus – não teríamos as multidões que passam a depender de medicamentos que possam fazer por elas o que, em verdade, nunca poderão fazer.

Nada mais prejudicial ao equilíbrio da criatura humana do que a falta de maior aceitação de sua realidade íntima e, consequentemente, das circunstâncias externas em que a sua existência se estrutura.

Não estamos fazendo a apologia do comodismo, mas destacando o valor da resignação consciente de quem, serenamente, se esforça na superação das dificuldades que, do ponto de vista evolutivo, o homem mesmo se impõe.

Antes de ter experienciado a condição de pedra humilde no alicerce de uma construção, não lhe adianta ambicionar ser o telhado.

O grande rio que corre na direção do mar teve por berço uma singela mina d’água, que emergiu das entranhas da terra.

Não soframos desnecessariamente por aquilo que ainda não somos, ou não possuímos, porquanto todas as lágrimas que vertermos motivadas por isso não lograrão mudar o panorama de nossa realidade interior, em um só de seus muitos e intrincados detalhes.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)