VERDADEIRA GRANDEZA – Irmão José

“O Espiritismo sanciona pelo exemplo a teoria, mostrando-nos na posição de grandes no mundo dos espíritos os que eram pequenos na Terra…” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VII – Bem-aventurados os pobres de espírito.)

Quanto mais se distancia de Deus, o Centro da Luz, mais mergulha o homem nas sombras de si mesmo, e delas permanece à mercê.

Em um mundo com as características de imperfeição do orbe terrestre, inegavelmente, os valores morais jazem quase em completa inversão, com o predomínio da matéria sobre o espírito.

A Terra é milenar campo de batalha, entre o ter e o ser, no qual, infelizmente, ao longo dos séculos, os interesses imediatistas vêm oprimindo os de natureza espiritual.

Não obstante, carecemos de considerar que, neste sentido, a Humanidade já viveu momentos mais sombrios, quando, então, o desrespeito pela vida humana era quase absoluto.

No entanto, rasgando a espessa cortina de treva que envolve o planeta, a pouco e pouco, foi sendo possível se avistarem alguns tímidos reflexos de luz se lhe insinuando, à semelhança dos raios solares, que, gradativamente, vencem a escuridão da noite.

Com o advento do Espiritismo, os espíritos dos considerados mortos, entrando em contato com os encarnados, vieram demonstrar que, nas Dimensões além da morte, vigem outros paradigmas existenciais.

É que, parcialmente livre das sombras da vida material, o espírito dá mais um passo na direção do Infinito e, assim, se aproxima da luz da Verdade, que, entre os homens na carne, jaz ofuscada por inúmeros interesses que a impedem de brilhar.

Evidentemente, estamos nos referindo aos círculos espirituais situados a certa distância da Esfera Terrestre, que não mais lhe estão tão sujeitos à influência perniciosa, porque, em seus círculos mais próximos, a vida não passa de mero reflexo da existência carnal.

Em a Natureza e, em particular, em seu universo moral, realmente, a Vida não dá saltos, e não existem prodígios de transformação.

Consideremos, no entanto, que, à exata medida em que se dá a subida – ou seja, maior distanciamento do espírito das ilusões que lhe obnubilam os sentidos e subtraem o discernimento – toda distorção começa a se corrigir, e ele, então, pode se apreciar, ou ser apreciado, em sua verdadeira estatura.

Sem dúvida, foi isso que levou Jesus a dizer, quando se banqueteava na casa de um dos principais fariseus: “… todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado”, levando-nos a inferir que a verdadeira grandeza está em se apequenar, e não em se engrandecer.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)