CAPÍTULO 90 – DE CORAÇÃO PURO – EMMANUEL

“Amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro.” – (I Pedro, 1:22.)

Espíritos levianos, em todas as ocasiões, deram preferência às interpretações maliciosas dos textos sagrados.

O “amai-vos uns aos outros” não escapou ao sistema depreciativo. A esfera superior, entretanto, sempre observa a ironia à conta de ignorância ou infantilidade espiritual das criaturas humanas.

A sublime exortação constitui poderosa síntese das teorias de fraternidade.

O entendimento e a aplicação do “amai-vos” é a meta luminosa das lutas na Terra. E a quantos experimentam dificuldade para interpretar a recomendação divina temos o providencial apontamento de Pedro, quando se reporta ao coração puro.

Conhecem os homens alguns raios do amor que não passam de réstias fugidias, a luzirem através das muralhas dos interesses egoísticos, porque a maioria das aproximações de criaturas, na Crosta da Terra, inspiram-se em móveis obscuros e mesquinhos, no terreno dos prazeres fáceis ou das associações que se dirigem para o lucro imediatista.

O amor a que se refere o Evangelho é antes a divina disposição de servir com alegria, na execução da Vontade do Pai, em qualquer região onde permaneçamos.

Muita gente afirma que ama, contudo, logo que surjam circunstâncias contra os seus caprichos, passa a detestar.

Gestos que aparentavam dedicação convertem-se em atitudes do interesse inferior.

Relativamente ao assunto, porém, o apóstolo fornece a nota dominante da lição. Amemo-nos uns aos outros, ardentemente, mas guardemos o coração elevado e puro.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 31 – DE ÂNIMO FORTE – EMMANUEL

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, amor e moderação.” – Paulo. (II Timóteo, 1:7.)

Não faltam recursos de trabalho espiritual a todo irmão que deseje reerguer-se, aprimorar-se, elevar-se.

Lacunas e necessidades, problemas e obstáculos desafiam o espírito de serviço dos companheiros de fé, em toda parte.

A ignorância pede instrutores, a dor reclama enfermeiros, o desespero suplica orientadores.

Onde, porém, os que procuram abraçar o trabalho por amor de servir?

Com raras exceções, observamos, na maioria das vezes, a fuga, o pretexto, o retraimento.

Aqui, há temor de responsabilidade; ali, receios da crítica; acolá, pavor de iniciativa a benefício de todos.

Como poderá o artista fazer ouvir a beleza da melodia se lhe foge o instrumento?

Nesse caso, temos em Jesus o artista divino e em nós outros, encarnados e desencarnados, os instrumentos dEle para a eterna melodia do bem no mundo.

Se algemamos o coração ao medo de trabalhar em benefício coletivo, como encontrar serviço feito que tranquilize e ajude a nós mesmos? como recolher felicidade que não semeamos ou amealhar dons de que nos afastamos suspeitosos?

Onde esteja a possibilidade de sermos úteis, avancemos, de ânimo forte, para a frente, construindo o bem, ainda que defrontados pela ironia, pela frieza ou pela ingratidão, porque, conforme a palavra iluminada do apóstolo aos gentios, “Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, amor e moderação”.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 5 – COM AMOR – EMMANUEL

“E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição.” – Paulo. (Colossenses, 3:14.)

Todo discípulo do Evangelho precisará coragem para atacar os serviços da redenção de si mesmo.

Nenhum dispensará as armaduras da fé, a fim de marchar com desassombro sob tempestades.

O caminho de resgate e elevação permanece cheio de espinhos.

O trabalho constituir-se-á de lutas, de sofrimentos, de sacrifícios, de suor, de testemunhos.

Toda a preparação é necessária, no capítulo da resistência; entretanto, sobre tudo isto é indispensável revestir-se nossa alma de caridade, que é amor sublime.

A nobreza de caráter, a confiança, a benevolência, a fé, a ciência, a penetração, os dons e as possibilidades são fios preciosos, mas o amor é o tear divino que os entrelaçará, tecendo a túnica da perfeição espiritual.

A disciplina e a educação, a escola e a cultura, o esforço e a obra, são flores e frutos na árvore da vida, todavia, o amor é a raiz eterna.

Mas, como amaremos no serviço diário?

Renovemo-nos no espírito do Senhor e compreendamos os nossos semelhantes.

Auxiliemos em silêncio, entendendo a situação de cada um, temperando a bondade com a energia, e a fraternidade com a justiça.

Ouçamos a sugestão do amor, a cada passo, na senda evolutiva.

Quem ama, compreende; e quem compreende, trabalha pelo mundo melhor.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 166 – CURA DO ÓDIO – EMMANUEL

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.” – Paulo. (Romanos, 12:20.)

O homem, geralmente, quando decidido ao serviço do bem, encontra fileiras de adversários gratuitos por onde passe, qual ocorre à claridade invariavelmente assediada pelo antagonismo das sombras.

Às vezes, porém, seja por equívocos do passado ou por incompreensões do presente, é defrontado por inimigos mais fortes que se transformam em constante ameaça à sua tranquilidade.

Contar com inimigo desse jaez é padecer dolorosa enfermidade no íntimo, quando a criatura ainda não se afeiçoou a experiências vivas no Evangelho.

Quase sempre, o aprendiz de boa-vontade desenvolve o máximo das próprias forças a favor da reconciliação; no entanto, o mais amplo esforço parece baldado. A impenetrabilidade caracteriza o coração do outro e os melhores gestos de amor passam por ele despercebidos.

Contra essa situação, todavia, o Livro Divino oferece receita salutar. Não convém agravar atritos, desenvolver discussões e muito menos desfazer-se a criatura bem-intencionada em gestos bajulatórios. Espere-se pela oportunidade de manifestar o bem.

Desde o minuto em que o ofendido esquece a dissensão e volta ao amor, o serviço de Jesus é reatado; entretanto, a visão do ofensor é mais tardia e, em muitas ocasiões, somente compreende a nova luz, quando essa se lhe converte em vantagem ao círculo pessoal.

Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 95 – ESTA É A MENSAGEM – EMMANUEL

“Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.” – (1ª Epístola de João, 3:11.)

Em todo o mundo sentimos a enorme inquietação por novas mensagens do Céu. Forças dinâmicas do pensamento insistem em receber modernas expressões de velhas verdades, ensaiando-se criações mentais diferentes. Notamos, porém, que a arte procura novas experimentações e se povoa de imagens negativas, que a política inventa ideologias e processos inéditos de governar e dilata o curso da guerra destruidora, que a ciência busca desferir voos mais altos e institui teorias dissolventes da concórdia e do bem-estar.

Grandes facções religiosas efetuam trabalho heroico na demonstração da eternidade da vida, suplicando sinais espetaculares do reino invisível ao homem comum.

Convenhamos que haverá sempre benefício nas aspirações elevadas do espírito humano, quando sinceramente procura as vibrações de natureza divina; todavia, necessitamos reconhecer que se há inúmeras mensagens substanciosas, edificantes e iluminadas na Terra, a maior e mais preciosa de todas, desde o princípio da organização planetária, é aquela da solidariedade fraternal, no “amemo-nos uns aos outros”.

Esta é a recomendação primordial. Sentindo-a, cada discípulo pode examinar, nos círculos da luta diária, o índice de compreensão que já possui, acerca dos Desígnios Divinos.

Mesmo que esse ou aquele irmão ainda não a tenha entendido, inicia a execução do paternal conselho em ti mesmo.

Ama sempre. Faze todo bem. Começa estimando os que te não compreendem, convicto de que esses, mais depressa, te farão melhor.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

TRAUMA – Irmão José

Não há quem não lute com alguma espécie de trauma na intimidade de si mesmo.

Medo, timidez, insegurança, fragilidade.

O trauma é um problema cármico, uma lesão mais profunda nos tecidos sutis da alma, reclamando tempo para cicatrizar.

Aprendamos a lidar com as nossas limitações e dificuldades.

Identifiquemos em nós o ponto vulnerável de nosso psiquismo e procuremos fortalecê-lo.

Quem se conscientiza de seus traumas, aceitando-se como é, está dando um importante passo para saná-los.

Ninguém carece de tornar-se dependente desse ou daquele tipo de medicamento para enfrentar-se.

Os nossos problemas se avolumam, quando nós nos debruçamos sobre eles, lamentando-nos.

Saibamos que existem questões psicológicas tão complexas e intrincadas que, às vezes, não se solucionarão numa única existência.

Esqueçamos um pouco de nós, trabalhemos no bem dos semelhantes e deixemos o bálsamo do tempo agir sobre as nossas chagas que sangram.

Assumamos as nossas culpas e procuremos retificá-las, não nos esquecendo de que “o amor cobre a multidão dos pecados”.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)

AMOR – Irmão José

Quem verdadeiramente ama nunca se preocupa em ser amado.

O amor não faz exigência de nenhuma espécie, não impõe condições, não traça normas, não cobra retorno.

Aquele que reclama de sacrifício e renúncia desconhece o que é amor.

O amor é devotamento extremo, entrega absoluta, abnegação completa, doação desinteressada.

Por enquanto, amamos muito mais a nós mesmos do que amamos a Deus e ao próximo. Isto é egoísmo.

A distância que existe entre nós e o próximo, em essência, é a mesma que existe entre nós e Deus.

Aprendamos a ceder de nós mesmos renunciando aos nossos interesses pessoais.

Exercitemos o desprendimento.

Busquemos dar alegria, invés de nos colocarmos na expectativa de recebê-la.

Não esperemos que os outros girem na órbita de nossos caprichos, à feição de satélites em torno do Sol.

Não nos esqueçamos de que o amor não é uma algema que escraviza, mas sim um laço consentido parte a parte.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)