QUASE ANJOS – Irmão José

“Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IV – Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo.)

Para que alcance a Perfeição, o espírito carece de harmonizar-se com toda a Criação e considerar como sua a Grande Família Universal.

Trata-se de um equívoco imaginar que o espírito possa redimir-se por completo, mergulhando na plena claridade das Alturas, deixando problemas esquecidos nos vales ensombrados da existência.

Chegado a determinado ponto evolutivo, o espírito, sem que retroceda para o resgate de débitos que ficaram pendentes no pretérito, não mais logrará avançar.

Por este motivo, vemos muitos espíritos de considerável hierarquia escondendo as suas asas de quase anjos, e, outra vez, envergar a escura libré da carne, sobraçando a cruz de ingentes sacrifícios, a fim de que possam dar libertador e decisivo passo na direção do porvir iluminado.

Não retornam eles apenas por devotamento àqueles que, sobre a Terra, se arrastam nas retaguardas evolutivas, mas também porque ainda lhes faltam mais profundos ajustes com a própria consciência, que ainda não os liberou de todo no que diz respeito à sua dívida para com a Humanidade.

Sem a bênção, pois, do renascimento físico, o espírito não daria continuidade ao seu crescimento interior, expandindo a sua capacidade de amar os semelhantes, já que nem aos familiares mais próximos ele conseguiria amar como deve amar a si mesmo.

A Reencarnação é a Escola do Amor, porque a capacidade de amar é a conquista última a ser realizada pelo espírito, que não ascenderá apenas sob o aval de seus conhecimentos em transcendência.

Somente após o seu aprendizado de amor no clã familiar, o espírito estará habilitado para amar os que lhe integram a família humana na Terra, para, em seguida, exercer o seu amor em relação às humanidades pertencentes a outros orbes.

Portanto, com a Reencarnação, os laços de família, além de se fortalecerem na Terra e para lá dela, ampliam-se consideravelmente, fazendo com que o Universo se transforme num grande lar, dentro do qual todos, efetivamente, sejam irmãos.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

CRIAÇÃO E PRIVILÉGIO – Irmão José

CRIAÇÃO E PRIVILÉGIO

“Apenas ideias muito imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura. Acreditavam nos anjos, considerando-os seres privilegiados da Criação; não sabiam, porém, que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade destes.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. II – Meu reino não é deste mundo.)

A Revelação Espírita surgiu para, também, desmistificar as crenças que não correspondem à ideia de um Deus justo e sábio.

Não existem privilégios na Criação Divina.

Os Espíritos que todos reverenciamos na condição de numes tutelares da Humanidade não são seres criados à parte, quais se fossem eles portadores de elemento genético diferenciado.

O próprio Cristo não se isentou das Leis da Evolução, que, no curso dos milênios, faz com que o espírito, criado simples e ignorante, se transfigure em anjo.

A matéria não passa de veículo para que o espírito, em nela se aperfeiçoando, também a espiritualize, porque tudo o que existe está em trânsito para a sua plena identificação com o Criador.

Os seres considerados mais primitivos, um dia, haverão de surgir transcendentalizados.

É como se, nas criaturas, o Criador estivesse efetuando o resgate de Si mesmo, para que, por fim, todas possam dizer como disse o Cristo: “Eu e o Pai somos um “.

Portanto, ninguém há de ficar, indefinidamente para trás, qual elemento frustrante das expectativas da própria Vida, que a tudo e a todos atrai para o seu Centro de Luz.

Os retardatários não passam apenas de retardatários, que, amanhã ou depois, ao despertarem, haverão de envidar esforços no sentido de se nivelarem aos que lhes tomaram a dianteira.

No Educandário da Vida Universal, existem currículos apropriados e mestres adequados às necessidades pedagógicas dos aprendizes mais recalcitrantes.

Se Deus, nosso Pai, em sua tarefa de educar, viesse a se frustrar em um só de seus filhos, isto haveria de representar o seu próprio fracasso como Educador – o que, convenhamos, sem que se estabeleça o caos no Universo, não é admissível.

Para alguns, a caminhada pode se fazer efetivamente muito mais longa, mas é da Lei que, a quedas e tropeços, todos venham a avançar e, por si mesmos, fazer jus à felicidade que aspiram desfrutar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)