CAPÍTULO 44 – SABER COMO CONVÉM – EMMANUEL

“E se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber.” – Paulo. (I Coríntios, 8:2.)

A civilização sempre cuida saber excessivamente, mas, em tempo algum, soube como convém saber.

É por isto que, ainda agora, o avião bombardeia, o rádio transmite a mentira e a morte, e o combustível alimenta maquinaria de agressão.

Assim também, na esfera individual, o homem apenas cogita saber, esquecendo que é indispensável saber como convém.

Em nossas atividades evangélicas, toda a atenção é necessária ao êxito na tarefa que nos foi cometida.

Aprendizes do Evangelho existem que pretendem guardar toda a revelação do Céu, para impô-la aos vizinhos; que se presumem de posse da humildade, para tiranizarem os outros; que se declaram pacientes, irritando a quem os ouve; que se afirmam crentes, confundindo a fé alheia; que exibem títulos de benemerência, olvidando comezinhas obrigações domésticas.

Esses amigos, principalmente, são daqueles que cuidam saber sem saberem de fato.

Os que conhecem espiritualmente as situações ajudam sem ofender, melhoram sem ferir, esclarecem sem perturbar. Sabem como convém saber e aprenderam a ser úteis. Usam o silêncio e a palavra, localizam o bem e o mal, identificam a sombra e a luz e distribuem com todos os dons do Cristo. Informam-se quanto à Fonte da Eterna Sabedoria e ligam-se a ela como lâmpadas perfeitas ao centro da força. Fracassos e triunfos, no plano das formas temporárias, não lhes modificam as energias. Esses sabem porque sabem e utilizam os próprios conhecimentos como convém saber.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 165 – FALSOS DISCURSOS – EMMANUEL

“E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” – (Tiago, 1:22.)

Nunca é demasiado comentar a importância e o caráter sagrado da palavra.

O próprio Evangelho assevera que no princípio era o Verbo, e quem examine atentamente a posição atual do mundo reconhecerá que todas as situações difíceis se originam do poder verbalista mal aplicado.

Falsos discursos enganaram indivíduos, famílias e nações. Acreditaram alguns em promessas vãs, outros em teorias falaciosas, outros, ainda, em perspectivas de liberdade sem obrigações. E raças, agrupamentos e criaturas, identificando a ilusão, atritam-se, mutuamente, procurando a paternidade das culpas.

Muito sangue e muita lágrima tem custado a criação do verbo humano. Impossível, por agora, computar esse preço doloroso ou determinar quanto tempo se fará necessário ao resgate preciso.

No turbilhão de lutas, todavia, o amigo do Cristo pode valer-se do tesouro evangélico, em proveito de sua esfera individual.

Cumprir a palavra do Mestre em nós é o programa divino. Sem a execução desse plano de salvação, os demais serviços sob nossa responsabilidade constituirão sublimada teologia, raciocínios brilhantes, magnífica literatura, muita admiração e respeito do campo inferior do mundo, mas nunca a realização necessária.

Eis o motivo pelo qual é sempre perigoso estacionar, no caminho, a ouvir quem foge à realidade de nossos deveres.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 123 – CONDIÇÃO COMUM – EMMANUEL

“Imediatamente, o pai do menino, clamando com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade.” (Marcos, 9:24.)

Aquele homem da multidão, em se aproximando de Jesus com o filho enfermo, constitui expressão representativa do espírito comum da humanidade terrestre.

Os círculos religiosos comentam excessivamente a fé em Deus, todavia, nos instantes da tempestade, são escassos os devotos que permanecem firmes na confiança.

Revelam-se as massas muito atentas aos cerimoniais do culto exterior, participam das edificações alusivas à crença, contudo, ante as dificuldades do escândalo, quase toda gente resvala no despenhadeiro das acusações recíprocas.

Se falha um missionário, verifica-se a debandada. A comunidade dos crentes pousa os olhos nos homens falíveis, cegos às finalidades ou indiferentes às instituições. Em tal movimento de insegurança espiritual, sem paradoxo, as criaturas humanas crêem e descrêem, confiando hoje e desfalecendo amanhã.

Somos defrontados, ainda, pelo regime de incerteza de espíritos infantis que mal começam a conceber noções de responsabilidade.

Felizes, pois, aqueles que, à maneira do pai necessitado, se acercarem do Cristo, confessando a precariedade da posição íntima. Assim, em afirmando a crença com a boca, pedirão, ao mesmo tempo, ajuda para a sua falta de fé, atestando com lágrimas a própria miserabilidade.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

A PRECE DA ATITUDE – Irmão José

 

“Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes!” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

Não resta dúvida de que a prece proferida pelos lábios de quem crê sempre ecoa por justa reivindicação nos Planos Mais Altos, e não permanece sem resposta.

No momento em que se coloca em oração, o homem procura entrar em sintonia com as correntes da existência, que percorrem o oceano da Vida Universal com a serenidade das águas que se ofertam generosas aos que desejam aplacar a sua sede.

Porém, entre semelhante petição verbalizada, feita de maneira silenciosa ou eloquente, e o seu deferimento, decorre um tempo mais ou menos longo, que deixa o seu autor em natural expectativa.

A prece da atitude, contudo, que, em outras palavras, é a prece que se verbaliza através da ação de quem se consagra ao bem, é uma evocação direta e ininterrupta, de resultados imediatos.

E isto porque a prática do bem aos semelhantes estabelece estreita ligação com os inesgotáveis mananciais, de onde todo o Bem promana em favor do homem na Terra.

Assim como a chuva alimenta a fonte, e a fonte nutre o riacho, que, por sua vez, sustenta o rio que se despeja no mar, que, ao evaporar-se, forma as nuvens que, em ciclo incessante, fazem cair água sobre a Terra – o menor bem é parte do Bem maior, com o qual se encontra conectado numa única corrente de luz.

Não desconsideres, pois, o extraordinário poder da prece que se encerra em teu singelo gesto de bondade.

Sempre que possível, em vez de orar de mãos postas, em respeitosa atitude de reverência ao Criador, faze-as orar por ti através do trabalho na caridade, porque as tuas mãos estendidas, já espontaneamente espalmadas na entrega desse ou daquele óbolo a quem dele carece, estarão aptas e receptivas para receberem, de volta, a dádiva de que também necessitas.

Quem se coloca de joelhos e ora a Deus, quase sempre, alimenta a esperança de que o socorro divino venha até onde ele se encontra. Mas quem se levanta e, a fim de socorrê-los, caminha na direção dos mais carentes, está caminhando para o seu encontro mais rápido com o socorro de Deus.

Quando não recebe o aval da atitude nobre, a mais bela oração verbalizada pode simplesmente não passar de harmoniosa nota a integrar a Sinfonia da Criação, que, se é transcendente música para os ouvidos, não atende a quem tem fome de pão.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

ESPERANÇA – Irmão José

A esperança é uma luz constantemente acesa no caminho.

No entanto, essa luz, para efetivamente clarear, há de se manter acesa com o óleo do serviço no bem.

A espera ociosa é uma promessa que se adia indefinidamente.

Quem vive com a esperança no coração nunca se entrega aos reveses da vida.

O homem que não precipita os acontecimentos, esperando que a vida siga o seu curso normal para obter o que deseja, jamais se decepciona.

A esperança que não cruza os braços na expectativa estéril é sempre um sonho que se realiza.

A árvore aguarda o fruto, trabalhando interiormente a sua formação.

O carvão que espera transfigurar-se em diamante não cessa de transformar-se na química do subsolo.

Para quem não persevera na conquista de seus objetivos, a esperança, invés de sonho possível, assemelha-se a um pesadelo.

A esperança de Deus na construção de seu Reino sobre a Terra repousa nas mãos dos homens.

Portanto, confiemos trabalhando e esperemos servindo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)