CAPÍTULO 109 – TRÊS IMPERATIVOS – EMMANUEL

“E eu vos digo a vós: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” – Jesus. (Lucas, 11:9.)

Pedi, buscai, batei…

Estes três imperativos da recomendação de Jesus não foram enunciados sem um sentido especial.

No emaranhado de lutas e débitos da experiência terrestre, é imprescindível que o homem aprenda a pedir caminhos de libertação da antiga cadeia de convenções sufocantes, preconceitos estéreis, dedicações vazias e hábitos cristalizados. É necessário desejar com força e decisão a saída do escuro cipoal em que a maioria das criaturas perdeu a visão dos interesses eternos.

Logo após, é imprescindível buscar.

A procura constitui-se de esforço seletivo. O campo jaz repleto de solicitações inferiores, algumas delas recamadas de sugestões brilhantes. É indispensável localizar a ação digna e santificadora. Muitos perseguem miragens perigosas, à maneira das mariposas que se apaixonam pela claridade de um incêndio. Chegam de longe, acercam-se das chamas e consomem a bênção do corpo.

É imperativo aprender a buscar o bem legítimo.

Estabelecido o roteiro edificante, é chegado o momento de bater à porta da edificação; sem o martelo do esforço metódico e sem o buril da boa-vontade, é muito difícil transformar os recursos da vida carnal em obras luminosas de arte divina, com vistas à felicidade espiritual e ao amor eterno.

Não bastará, portanto, rogar sem rumo, procurar sem exame e agir sem objetivo elevado.

Peçamos ao Senhor nossa libertação da animalidade primitivista, busquemos a espiritualidade sublime e trabalhemos por nossa localização dentro dela, a fim de converter-nos em fiéis instrumentos da Divina Vontade.

Pedi, buscai, batei!… Esta trilogia de Jesus reveste-se de especial significação para os aprendizes do Evangelho, em todos os tempos.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CORAGEM DE ACEITAÇÃO – Irmão José

“O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem- -aventurados os aflitos.)

Não interpretemos o texto acima de maneira literal, de vez que, evidentemente, em tempo algum, Deus recusa consolações a qualquer um de seus filhos.

As consolações divinas estão sempre à disposição de quem delas quiser, e souber, se apropriar.

Se, diante das provas que faceia, falta ao homem coragem de aceitação, claro que, desconsolado em si mesmo, lhe faltará a força de que necessita para vencê-las.

Não raro, quase todos esperam que o Consolo Divino lhes alcance o coração, à semelhança do orvalho da noite que, prodigiosamente, cai sobre a corola da flor ressequida.

Precisamos, no entanto, considerar que o conforto de que necessitamos em nossas lutas e provas, quase sempre, chega até nós pela presença daquele que nos socorre com a sua palavra amiga ou com o seu gesto de bondade.

A questão do recebimento da bênção do Mais Alto é também uma questão de receptividade da parte de quem espera por ela.

Sobre a gleba que não se lhe abre em cova acolhedora, a semente não germina.

Todas as criaturas, o tempo todo, vivem cercadas pelo Amor de Deus, porque esse Amor é semelhante ao ar puro que nos inunda os pulmões e nos faz respirar.

O fenômeno da chamada morte acontece não por falta, em suas fontes inesgotáveis, do oxigênio indispensável à manutenção da vida no corpo, mas justamente porque o próprio corpo se nega a continuar inalando o elemento que lhe é essencial à existência.

Portanto, Deus não recusa consolações àquele que deseja e procura ser consolado; mas, por outro lado, nada pode fazer em benefício daquele que não o procura e não o deseja.

O Criador não se tornaria infrator de suas próprias Leis.

Assim, se te encontras em estado de desânimo e abatimento, busca te predispores ao amparo de que necessitas e que, em verdade, encontra-se onde sempre esteve – rente a ti!

Aguça as tuas percepções e ouvirás justamente as palavras que mais careces escutar para não te renderes à mais completa apatia; assim fazendo, perceberás o apoio de mão invisível que te sustenta sob o peso da cruz que te cabe carregar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)