CAPÍTULO 106 – HÁ MUITA DIFERENÇA – EMMANUEL

“E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou.” – (Atos, 3:6.)

É justo recomendar muito cuidado aos que se interessam pelas vantagens da política humana, reportando-se a Jesus e tentando explicar, pelo Evangelho, certos absurdos em matéria de teorias sociais.

Quase sempre, a lei humana se dirige ao governado, nesta fórmula: – “O que tens me pertence.”

O Cristianismo, porém, pela boca inspirada de Pedro, assevera aos ouvidos do próximo:

– “O que tenho, isso te dou.”

Já meditaste na grandeza do mundo, quando os homens estiverem resolvidos a dar do que possuem para o edifício da evolução universal?

Nos serviços da caridade comum, nas instituições de benemerência pública, raramente a criatura cede ao semelhante aquilo que lhe constitui propriedade intrínseca.

Para o serviço real do bem eterno, fiar-se-á alguém nas posses perecíveis da Terra, em caráter absoluto?

O homem generoso distribuirá dinheiro e utilidades com os necessitados do seu caminho, entretanto, não fixará em si mesmo a luz e a alegria que nascem dessas dádivas, se as não realizou com o sentimento do amor, que, no fundo, é a sua riqueza imperecível e legítima.

Cada individualidade traz consigo as qualidades nobres que já conquistou e com que pode avançar sempre, no terreno das aquisições espirituais de ordem superior.

Não olvides a palavra amorosa de Pedro e dá de ti mesmo, no esforço de salvação, porquanto quem espera pelo ouro ou pela prata, a fim de contribuir nas boas obras, em verdade ainda se encontra distante da possibilidade de ajudar a si próprio.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 99 – COM ARDENTE AMOR – EMMANUEL

“Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros.” – Pedro. (1ª Epístola de Pedro, 4:8.)

Não basta a virtude apregoada em favor do estabelecimento do Reino Divino entre as criaturas.

Problema excessivamente debatido – solução mais demorada…

Ouçamos, individualmente, o aviso apostólico e enchamo-nos de ardente caridade, uns para com os outros.

Bem falar, ensinar com acerto e crer sinceramente são fases primárias do serviço.

Imprescindível trabalhar, fazer e sentir com o Cristo.

Fraternidade simplesmente aconselhada a outrem constrói fachadas brilhantes que a experiência pode consumir num minuto.

Urge alcançarmos a substância, a essência…

Sejamos compreensivos para com os ignorantes, vigilantes para com os transviados na maldade e nas trevas, pacientes para com os enfermiços, serenos para com os irritados e, sobretudo, manifestemos a bondade para com todos aqueles que o Mestre nos confiou para os ensinamentos de cada dia.

Raciocínio pronto, habilitado a agir com desenvoltura na Terra, pode constituir patrimônio valioso; entretanto, se lhe falta coração para sentir os problemas, conduzi-los e resolvê-los, no bem comum, é suscetível de converter-se facilmente em máquina de calcular.

Não nos detenhamos na piedade teórica.

Busquemos o amor fraterno, espontâneo, ardente e puro.

A caridade celeste não somente espalha benefícios. Irradia também a divina luz.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

SOZINHO – Irmão José

Nas tarefas do bem nunca contes com muitos.

A caridade vive do suor de alguns poucos.

Se pretendes ser útil, começa a trabalhar.

Faze o melhor que possas e espera os resultados.

Palavra sem exemplo é verdade sem voz.

Não te esqueças: Jesus também era sozinho.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Pão da Alma”)

A PRECE DA ATITUDE – Irmão José

 

“Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes!” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

Não resta dúvida de que a prece proferida pelos lábios de quem crê sempre ecoa por justa reivindicação nos Planos Mais Altos, e não permanece sem resposta.

No momento em que se coloca em oração, o homem procura entrar em sintonia com as correntes da existência, que percorrem o oceano da Vida Universal com a serenidade das águas que se ofertam generosas aos que desejam aplacar a sua sede.

Porém, entre semelhante petição verbalizada, feita de maneira silenciosa ou eloquente, e o seu deferimento, decorre um tempo mais ou menos longo, que deixa o seu autor em natural expectativa.

A prece da atitude, contudo, que, em outras palavras, é a prece que se verbaliza através da ação de quem se consagra ao bem, é uma evocação direta e ininterrupta, de resultados imediatos.

E isto porque a prática do bem aos semelhantes estabelece estreita ligação com os inesgotáveis mananciais, de onde todo o Bem promana em favor do homem na Terra.

Assim como a chuva alimenta a fonte, e a fonte nutre o riacho, que, por sua vez, sustenta o rio que se despeja no mar, que, ao evaporar-se, forma as nuvens que, em ciclo incessante, fazem cair água sobre a Terra – o menor bem é parte do Bem maior, com o qual se encontra conectado numa única corrente de luz.

Não desconsideres, pois, o extraordinário poder da prece que se encerra em teu singelo gesto de bondade.

Sempre que possível, em vez de orar de mãos postas, em respeitosa atitude de reverência ao Criador, faze-as orar por ti através do trabalho na caridade, porque as tuas mãos estendidas, já espontaneamente espalmadas na entrega desse ou daquele óbolo a quem dele carece, estarão aptas e receptivas para receberem, de volta, a dádiva de que também necessitas.

Quem se coloca de joelhos e ora a Deus, quase sempre, alimenta a esperança de que o socorro divino venha até onde ele se encontra. Mas quem se levanta e, a fim de socorrê-los, caminha na direção dos mais carentes, está caminhando para o seu encontro mais rápido com o socorro de Deus.

Quando não recebe o aval da atitude nobre, a mais bela oração verbalizada pode simplesmente não passar de harmoniosa nota a integrar a Sinfonia da Criação, que, se é transcendente música para os ouvidos, não atende a quem tem fome de pão.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

ORAÇÃO – Irmão José

Segundo Gandhi, o apóstolo da não-violência, “a oração é a respiração da alma”.

Os Espíritos da Codificação afirmaram a Allan Kardec que a oração deve ser “um estudo de nós mesmos”.

O homem que não ora vive desvinculado da sintonia com o Mais Alto, à mercê das circunstâncias rasteiras que o envolvem.

Toda pessoa carece de recolher-se na intimidade de si mesma para uma conversa com Deus.

A oração nos confere força, inspiração, coragem para a luta.

Oremos com os lábios, colocando o sentimento nas palavras, mas não nos esqueçamos, principalmente, de orarmos com as nossas próprias mãos…

O gesto de benevolência é a mais eloquente das preces que endereçamos a Deus.

A caridade é o passaporte de luz de nossos rogos ao Supremo Senhor da Vida.

Não há nenhuma prece que não seja ouvida por Aqueles que nos tutelam sobre a Terra.

Toda resposta dos Céus às orações dos homens passa pelo crivo do merecimento, da necessidade e da conveniência.

O hábito da oração, por si só, a pouco e pouco modifica o tônus mental da criatura que se afervora, predispondo-a a uma vida mais espiritualizada.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)