CAPÍTULO 46 – CRESCEI – EMMANUEL

“Antes crescei na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus-Cristo.” – Pedro. (II Pedro. 3:18.)

A situação de destaque preocupa constantemente a ideia do homem.

O próprio mendigo, esfarrapado e faminto, muita vez permanece, orgulhoso, na expectativa de realce no Céu.

Habitualmente, porém, toda ansiedade, nesse particular, é propósito mal dirigido objetivando crescimento ao inverso.

Não seria, propriamente, o ato de se desenvolver, mas de inchar.

Nessa mesma pauta, muitos aprendizes irrequietos pleiteiam altas remunerações financeiras, favores do dinheiro fácil, elevação aos postos de autoridade, invocando a necessidade de crescer para maior eficiência no serviço do Cristo.

Isto, contudo, quase sempre é pura ilusão.

Materializadas as exigências, transformam-se em servidores rodeados de impedimentos.

O Mestre Divino, que organizou a vida planetária ao influxo do Eterno Pai, possui suficiente poder e, para a execução de sua obra, não se demoraria à espera de que esse ou aquele dos aprendizes se convertesse em especialista em determinados negócios do mundo. O crescimento a que o Evangelho se reporta deve orientar-se na virtude cristã e no conhecimento da vontade divina.

Aprenda cada um a sua parte, na esfera de nossos deveres com Jesus. Atenda ao programa de edificação que lhe compete, ainda que se encontre sozinho ou perseguido pela incompreensão dos homens e, então, estará crescendo na graça e no discernimento para a vida imortal.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 121 – MONTURO – EMMANUEL

“Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” – Jesus. (Lucas, 14:35.)

Segundo deduzimos, Jesus emprestou significação ao monturo.

Terra e lixo, nesta passagem, revestem-se de valor essencial. Com a primeira, realizaremos a semeadura, com o segundo é possível fazer a adubação, onde se faça necessária.

Grande porção de aprendizes, imitando a atitude dos fariseus antigos, foge ao primeiro encontro com as “zonas estercorárias” do próximo; entretanto, tal se verifica porque lhes desconhecem as expressões proveitosas.

O Evangelho está cheio de lições, nesse setor do conhecimento iluminativo.

Se José da Galiléia ou Maria de Nazaré simbolizam terras de virtudes fartas, o mesmo não sucede aos apóstolos que, a cada passo, necessitam recorrer à fonte das lágrimas que escorrem do monturo de remorsos e fraquezas, propriamente humanos, a fim de fertilizarem o terreno empobrecido de seus corações. De quanto adubo dessa natureza precisaram Madalena e Paulo, por exemplo, até alcançarem a gloriosa posição em que se destacaram?

Transformemos nossas misérias em lições.

Identifiquemos o monturo que a própria ignorância amontoou em torno de nós mesmos, convertamo-lo em adubo de nossa “terra íntima” e teremos dado razoável solução ao problema de nossos grandes males.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

NÃO TE ESQUEÇAS – Irmão José

Toda luta engrandece, todo revés educa.

Todo esforço aprimora, todo problema instrui.

Toda prova habilita, toda crise adverte.

Perante o sofrimento, não te aflijas somente.

Escuta em tua dor o que a vida te fala.

Para o aprendiz rebelde, a lição se repete.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “A Face do Amor”)

DOR E BÊNÇÃO – Irmão José

“A dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos.” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. IX, item 7.

Aos ouvidos dos cépticos soam incoerentes as palavras que nos encimam as reflexões…

Melhor fora então, dirão os sofistas, que Deus de ninguém se lembrasse sobre a face da Terra, deixando o homem à mercê de sua própria sorte.

Os apóstolos da descrença acentuarão que, consoante o texto evangélico que transcrevemos, o Criador não passa de um sádico que se diverte com o sofrimento das criaturas…

Todavia, sob o prisma da fé raciocinada, torna-se compreensível a função da dor como instrumento de crescimento espiritual aos que se sentem incomodados pelas provações que os acometem.

É que, sem sofrer, ninguém cogitaria de qualquer incursão no mundo de si mesmo, admitindo a sua pequenez diante da grandeza do Universo; e nem se vincularia, de forma consciente e decisiva, ao Poder Supremo que lhe governa a existência.

Quase sempre, quando chora, o homem não mais faz chorar, aprendendo que somente é consolado quem se dispõe a consolar…

O revés no caminho do homem sobre a Terra equivale, pois, para ele, a abençoado despertar de suas faculdades entorpecidas, sedimentando-lhe as conquistas do porvir.

Ninguém se rebele diante da prova, procurando extrair-lhe os benefícios, porquanto toda revolta se traduz por recusa da lição que o aprendiz, mais cedo ou mais tarde, necessitará recapitular.

Quem não experimenta o sofrimento não recebe estímulos para que deixe de andar em círculos, fugindo ao comodismo mental de milênios.

Somente quem já sofreu ou ainda sofre é capaz de entrar em sintonia profunda com a Vida, predispondo-se a assimilar, sem excesso de palavras, a Sabedoria com que ela se manifesta.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – livro “Pedi e Obtereis”)