CAPÍTULO 121 – MONTURO – EMMANUEL

“Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” – Jesus. (Lucas, 14:35.)

Segundo deduzimos, Jesus emprestou significação ao monturo.

Terra e lixo, nesta passagem, revestem-se de valor essencial. Com a primeira, realizaremos a semeadura, com o segundo é possível fazer a adubação, onde se faça necessária.

Grande porção de aprendizes, imitando a atitude dos fariseus antigos, foge ao primeiro encontro com as “zonas estercorárias” do próximo; entretanto, tal se verifica porque lhes desconhecem as expressões proveitosas.

O Evangelho está cheio de lições, nesse setor do conhecimento iluminativo.

Se José da Galiléia ou Maria de Nazaré simbolizam terras de virtudes fartas, o mesmo não sucede aos apóstolos que, a cada passo, necessitam recorrer à fonte das lágrimas que escorrem do monturo de remorsos e fraquezas, propriamente humanos, a fim de fertilizarem o terreno empobrecido de seus corações. De quanto adubo dessa natureza precisaram Madalena e Paulo, por exemplo, até alcançarem a gloriosa posição em que se destacaram?

Transformemos nossas misérias em lições.

Identifiquemos o monturo que a própria ignorância amontoou em torno de nós mesmos, convertamo-lo em adubo de nossa “terra íntima” e teremos dado razoável solução ao problema de nossos grandes males.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

NÃO TE ESQUEÇAS – Irmão José

Toda luta engrandece, todo revés educa.

Todo esforço aprimora, todo problema instrui.

Toda prova habilita, toda crise adverte.

Perante o sofrimento, não te aflijas somente.

Escuta em tua dor o que a vida te fala.

Para o aprendiz rebelde, a lição se repete.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “A Face do Amor”)

DOR E BÊNÇÃO – Irmão José

“A dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos.” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. IX, item 7.

Aos ouvidos dos cépticos soam incoerentes as palavras que nos encimam as reflexões…

Melhor fora então, dirão os sofistas, que Deus de ninguém se lembrasse sobre a face da Terra, deixando o homem à mercê de sua própria sorte.

Os apóstolos da descrença acentuarão que, consoante o texto evangélico que transcrevemos, o Criador não passa de um sádico que se diverte com o sofrimento das criaturas…

Todavia, sob o prisma da fé raciocinada, torna-se compreensível a função da dor como instrumento de crescimento espiritual aos que se sentem incomodados pelas provações que os acometem.

É que, sem sofrer, ninguém cogitaria de qualquer incursão no mundo de si mesmo, admitindo a sua pequenez diante da grandeza do Universo; e nem se vincularia, de forma consciente e decisiva, ao Poder Supremo que lhe governa a existência.

Quase sempre, quando chora, o homem não mais faz chorar, aprendendo que somente é consolado quem se dispõe a consolar…

O revés no caminho do homem sobre a Terra equivale, pois, para ele, a abençoado despertar de suas faculdades entorpecidas, sedimentando-lhe as conquistas do porvir.

Ninguém se rebele diante da prova, procurando extrair-lhe os benefícios, porquanto toda revolta se traduz por recusa da lição que o aprendiz, mais cedo ou mais tarde, necessitará recapitular.

Quem não experimenta o sofrimento não recebe estímulos para que deixe de andar em círculos, fugindo ao comodismo mental de milênios.

Somente quem já sofreu ou ainda sofre é capaz de entrar em sintonia profunda com a Vida, predispondo-se a assimilar, sem excesso de palavras, a Sabedoria com que ela se manifesta.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – livro “Pedi e Obtereis”)