CAPÍTULO 1 – QUEM LÊ, ATENDA – EMMANUEL

“Quem lê, atenda.” – Jesus. (Mateus, 24:15.)

Assim como as criaturas, em geral, converteram as produções sagradas da Terra em objeto de perversão dos sentidos, movimento análogo se verifica no mundo, com referência aos frutos do pensamento.

Frequentemente as mais santas leituras são tomadas à conta de tempero emotivo, destinado às sensações renovadas que condigam com o recreio pernicioso ou com a indiferença pelas obrigações mais justas.

Raríssimos são os leitores que buscam a realidade da vida.

O próprio Evangelho tem sido para os imprevidentes e levianos vasto campo de observações pouco dignas.

Quantos olhos passam por ele, apressados e inquietos, anotando deficiências da letra ou catalogando possíveis equívocos, a fim de espalharem sensacionalismo e perturbação? Alinham, com avidez, as contradições aparentes e tocam a malbaratar, com enorme desprezo pelo trabalho alheio, as plantas tenras e dadivosas da fé renovadora.

A recomendação de Jesus, no entanto, é infinitamente expressiva.

É razoável que a leitura do homem ignorante e animalizado represente conjunto de ignominiosas brincadeiras, mas o espírito de religiosidade precisa penetrar a leitura séria, com real atitude de elevação.

O problema do discípulo do Evangelho não é o de ler para alcançar novidades emotivas ou conhecer a Escritura para transformá-la em arena de esgrima intelectual, mas, o de ler para atender a Deus, cumprindo-lhe a Divina Vontade.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

EVANGELHO E CIÊNCIA – Irmão José

 

“Aliás, faz-se necessário que a atividade do princípio inteligente seja proporcionada à fraqueza do corpo, que não poderia resistir a uma atividade muito grande do espírito, como se verifica nos indivíduos grandemente precoces.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração.)

Nas páginas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, deparamo-nos com preceitos de natureza científica, que são aqueles que, naturalmente, nos instruem na ciência de bem viver.

Comentando a respeito da simplicidade e da pureza de coração, Kardec se refere à atividade do princípio inteligente e, consequentemente, do próprio espírito, que, ao longo dos milênios, se encontra na elaboração de seu corpo.

Porque não saberia se valer mais amplamente de seus recursos intelectivos, sem causar maiores prejuízos a si, o espírito encarnado jaz encerrado entre as paredes estreitas e invisíveis de um cérebro que ainda não lhe corresponde às aspirações de conhecimento.

Tentemos imaginar as consequências se o princípio inteligente de um símio, de repente, pudesse ocupar o corpo de um ser humano, ou mesmo se uma criatura humana lograsse, de uma hora para outra, se utilizar da capacidade mental de um anjo…

A mente humana em expansão, sob a tutela das Leis Divinas, somente continuará a se expandir de acordo com o senso de responsabilidade que o homem for adquirindo diante da Vida.

Portanto, existem limites neuronais que nunca serão ultrapassados antes que, do ponto de vista ético, o homem se mostre apto a utilizá-los, sem que coloque em risco a sua sanidade e segurança.

A inteligência, por si só, não pode conduzir a si mesma, sem que, mais cedo ou tarde, venha a ser a causa de grandes desastres que, diante das Leis de Causa e Efeito, muito a ela custarão.

Por esse motivo, Deus, em sua Infinita Sabedoria, a fim de preservar a criatura dos perigos que os seus excessivos conhecimentos poderiam lhe trazer, colocou nas mãos do amor a chave capaz de lhe descerrar a porta de acesso a inéditos domínios da Verdade.

Assim, não tenhamos dúvida de que a Ciência continuará avançando, mas não ilimitadamente, porque há de chegar o instante em que a inteligência sentirá necessidade de capitular na humildade, sem o que a própria Ciência terminará por cometer suicídio.

Quando Jesus ensinou que não se pode construir uma casa sobre a areia, certamente, Ele também estava querendo significar que, sem alicerce no amor que lhe garanta o equilíbrio, o edifício da inteligência humana, por alto venha a subir, antes que se reduza a escombros, mais alto não poderá continuar subindo.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)