CAPÍTULO 162 – MANIFESTAÇÕES ESPIRITUAIS – EMMANUEL

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 12:7.)

Com a revivescência do Cristianismo puro, nos agrupamentos do Espiritismo com Jesus, verifica-se idêntica preocupação às que torturavam os aprendizes dos tempos apostólicos, no que se refere à mediunidade.

A maioria dos trabalhadores na evangelização inquieta-se pelo desenvolvimento imediato de faculdades incipientes.

Em determinados centros de serviço, exigem-se realizações superiores às possibilidades de que dispõem; em outros, sonha-se com fenômenos de grande alcance.

O problema, no entanto, não se resume a aquisições de exterior.

Enriqueça o homem a própria iluminação íntima, intensifique o poder espiritual, através do conhecimento e do amor, e entrará na posse de tesouros eternos, de modo natural.

Muitos aprendizes desejariam ser grandes videntes ou admiráveis reveladores, embalados na perspectiva de superioridade, mas não se abalançam nem mesmo a meditar no suor da conquista sublime.

Inclinam-se aos proventos, mas não cogitam do esforço. Nesse sentido, é interessante recordar que Simão Pedro, cujo espírito se sentia tão bem com o Mestre glorioso no Tabor, não suportou as angústias do Amigo flagelado no Calvário.

É justo que os discípulos pretendam o engrandecimento espiritual, todavia, quem possua faculdade humilde não a despreze porque o irmão mais próximo seja detentor de qualidades mais expressivas. Trabalhe cada um com o material que lhe foi confiado, convicto de que o Supremo Senhor não atende, no problema de manifestações espirituais, conforme o capricho humano, mas, sim, de acordo com a utilidade geral.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 10 – MEDIUNIDADE – EMMANUEL

“E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu Espírito derramarei sobre toda carne; os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e os vossos velhos sonharão sonhos.” — (ATOS, capítulo 2, versículo 17.)

No dia de Pentecostes, Jerusalém estava repleta de forasteiros. Filhos da Mesopotâmia, da Frigia, da Líbia, do Egito, cretenses, árabes, partos e romanos se aglomeravam na praça extensa, quando os discípulos humildes do Nazareno anunciaram a Boa Nova, atendendo a cada grupo da multidão em seu idioma particular.

Uma onda de surpresa e de alegria invadiu o espírito geral.

Não faltaram os cépticos, no divino concerto, atribuindo à loucura e à embriaguez a revelação observada. Simão Pedro destaca-se e esclarece que se trata da luz prometida pelos céus à escuridão da carne.

Desde esse dia, as claridades do Pentecostes jorraram sobre o mundo, incessantemente.

Até aí, os discípulos eram frágeis e indecisos, mas, dessa hora em diante, quebram as influências do meio, curam os doentes, levantam o espírito dos infortunados, falam aos reis da Terra em nome do Senhor.

O poder de Jesus se lhes comunicara às energias reduzidas.

Estabelecera-se a era da mediunidade, alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos.

Contra o seu influxo, trabalham, até hoje, os prejuízos morais que avassalam os caminhos do homem, mas é sobre a mediunidade, gloriosa luz dos céus oferecida às criaturas, no Pentecostes, que se edificam as construções espirituais de todas as comunidades sinceras da Doutrina do Cristo e é ainda ela que, dilatada dos apóstolos ao círculo de todos os homens, ressurge no Espiritismo cristão, como a alma imortal do Cristianismo redivivo.

EMMANUEL

(psic. Chico Xavier – do livro “Caminho, Verdade e Vida”)

CAPÍTULO 9 – REUNIÕES CRISTÃS – EMMANUEL

“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas da casa onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus e pôs-se no meio deles e disse-lhes: Paz seja convoscO.” (JOÃO, capítulo 20, versículo 19.)

Desde o dia da ressurreição gloriosa do Cristo, a Humanidade terrena foi considerada digna das relações com a espiritualidade.

O Deuteronômio proibira terminantemente o intercâmbio com os que houvessem partido pelas portas da sepultura, em vista da necessidade de afastar a mente humana de cogitações prematuras.

Entretanto, Jesus, assim como suavizara a antiga lei da justiça inflexível com o perdão de um amor sem limites, aliviou as determinações de Moisés, vindo ao encontro dos discípulos saudosos.

Cerradas as portas, para que as vibrações tumultuosas dos adversários gratuitos não perturbassem o coração dos que anelavam o convívio divino, eis que surge o Mestre muito amado, dilatando as esperanças de todos na vida eterna.

Desde essa hora inolvidável, estava instituído o movimento de troca, entre o mundo visível e o invisível.

A família cristã, em seus vários departamentos, jamais passaria sem o doce alimento de suas reuniões carinhosas e íntimas.

Desde então, os discípulos se reuniriam, tanto nos cenáculos de Jerusalém, como nas catacumbas de Roma.

E, nos tempos modernos, a essência mais profunda dessas assembleias é sempre a mesma, seja nas igrejas católicas, nos templos protestantes ou nos centros espíritas.

O objetivo é um só: procurar a influenciação dos planos superiores, com a diferença de que, nos ambientes espiritistas, a alma pode saciar-se, com mais abundância, em voos mais altos, por se conservar afastada de certos prejuízos do dogmatismo e do sacerdócio organizado.

EMMANUEL

(psic. Chico Xavier – do livro “Caminho, Verdade e Vida”)

MEDIUNIDADE GENERALIZADA – Irmão José

“Então, semelhantemente aos profetas do Antigo Testamento, os espíritos se puseram a falar e a vos advertir.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. I – Não vim destruir a lei.)

Embora o Espiritismo seja a doutrina que se propõe a estudar e esclarecer os fenômenos de ordem mediúnica, a manifestação dos desencarnados, sendo de todos os tempos, é uma das Leis da Criação Divina.

A mediunidade pode ser comparada a uma semente que, plantada no psiquismo humano, ao longo dos séculos, germinou e floresceu, mas somente agora, após o advento da Doutrina Espírita, vem dando frutos sazonados.

Os espíritos, habitantes das Esferas invisíveis ao redor do orbe terrestre, sempre mantiveram contato com os homens, porque, assim como os mundos existentes continuam-se aos outros, não havendo, a rigor, entre eles, fronteiras que os delimitem, não há abismo que seja intransponível ao pensamento.

Os próprios encarnados que, aparentemente, jazem separados pelos corpos que ocupam por habitações individuais, psiquicamente estão em permanente interação, exercendo influência recíproca uns sobre os outros.

Todo espírito, quer esteja no corpo carnal ou não, faz-se, ao mesmo tempo, emissor e receptor de ideias e emoções, que vibram no éter, e nele se propagam como a luz que viaja pelo Espaço, percorrendo as mais longas distâncias.

Não se pode, pois, dizer que a mediunidade seja espírita, porque ela se encontra na raiz da manifestação de religiosidade de todos os povos.

Na Índia e no Egito, na Pérsia e na Grécia, desde épocas imemoriais, os supostos mortos estabelecem contato com os considerados vivos, e, não raro, graças a eles é que os homens vêm-se guiando nas sendas de sua lenta jornada das trevas para a luz.

De Abraão a João Batista, os profetas do Antigo Testamento eram todos portadores de notáveis faculdades medianímicas, que ensejavam permanente diálogo entre os Mundos Físico e Espiritual.

Durante a realização da festa de Pentecostes, as “línguas como de fogo” fizeram com que os Apóstolos, caindo em transe, ficassem “cheios do Espírito Santo”, e passassem, inclusive, a falar em outros idiomas.

Pode-se dizer que, na atualidade, para além dos limites doutrinários das mais diversas religiões, inclusive do Espiritismo, a mediunidade, em novo fenômeno de Pentecostes, se generaliza, e tende ainda mais a se generalizar.

E isto porque, como disse Jesus a Nicodemos, “o vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)