CAPÍTULO 28 – EM PEREGRINAÇÃO – EMMANUEL

“Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.” – Paulo. (Hebreus, 13:14.)

Risível é o instinto de apropriação indébita que assinala a maioria dos homens.

Não será a Terra comparável a grande carro cósmico, onde se encontra o espírito em viagem educativa?

Se a criatura permanece na abastança material, apenas excursiona em aposentos mais confortáveis.

Se respira na pobreza, viaja igualmente com vistas ao mesmo destino, apesar da condição de segunda classe transitória.

Se apresenta notável figuração física, somente enverga efêmera vestidura de aspecto mais agradável, através de curto tempo, na jornada empreendida.

Se exibe traços menos belos ou caracterizados de evidentes imperfeições, vale-se de indumentária tão passageira quanto a mais linda roupagem do próximo, na peregrinação em curso.

Por mais que o impulso de propriedade ateie fogueiras de perturbações e discórdias, na maquinaria do mundo, a realidade é que homem algum possui no chão do Planeta domicílio permanente. Todos os patrimônios materiais a que se atira, ávido de possuir, se desgastam e transformam. Nos bens que incorpora ao seu nome, até o corpo que julga exclusivamente seu, ocorrem modificações cada dia, impelindo-o a renovar-se e melhorar-se para a eternidade.

Se não estás cego, pois, para as leis da vida, se já despertaste para o entendimento superior, examina, a tempo, onde te deixará, provisoriamente, o comboio da experiência humana, nas súbitas paradas da morte.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 176 – NA REVELAÇÃO DA VIDA – EMMANUEL

“E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. – (Atos, 4:33.)

Os companheiros diretos do Mestre Divino não estabeleceram os serviços da comunidade cristã sobre princípios cristalizados, inamovíveis. Cultuaram a ordem, a hierarquia e a disciplina, mas amparavam também o espírito do povo, distribuindo os bens da revelação espiritual, segundo a capacidade receptiva de cada um dos candidatos à nova fé.

Negar, presentemente, a legitimidade do esforço espiritista, em nome da fé cristã, é testemunho de ignorância ou leviandade.

Os discípulos do Senhor conheciam a importância da certeza na sobrevivência para o triunfo na vida moral. Eles mesmos se viram radicalmente transformados, após a ressurreição do Amigo Celeste, ao reconhecerem que o amor e a justiça regem o ser além do túmulo. Por isso mesmo, atraíam companheiros novos, transmitindo-lhes a convicção de que o Mestre prosseguia vivo e operoso, para lá do sepulcro.

Em razão disso, o ministério apostólico não se dividia tão-somente na discussão dos problemas intelectuais da crença e nos louvores adorativos. Os continuadores do Cristo forneciam, “com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” e, em face do amor com que se devotavam à obra salvacionista, neles havia “abundante graça”.

O Espiritismo evangélico vem movimentar o serviço divino que envolve em si, não somente a crença consoladora, mas também o conhecimento indiscutível da imortalidade.

As escolas dogmáticas prosseguirão alinhando artigos de fé inoperante, congelando as ideias em absurdos afirmativos, mas o Espiritismo cristão vem restaurar, em suas atividades redentoras, o ensinamento da ressurreição individual, consagrado pelo Mestre Divino, que voltou, Ele mesmo, das sombras da morte, para exaltar a continuidade da vida.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

FALANDO AOS ESPÍRITOS – Irmão José

“Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem para alcançá-lo.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Realmente, muitos são os que alegam que Jesus, nas lições que deixou por herança à Humanidade, não se referiu, de maneira específica, ao fenômeno da morte.

Ponderam que ninguém melhor do que Ele poderia tê-lo feito, de vez que, sem dúvida, a morte é o acontecimento que, em todos os tempos, mais aflige o homem na Terra.

Dizem que o Cristo, que ressuscitou a Lázaro, limitou-se a chamá-lo para fora do túmulo, perdendo ali ótima oportunidade de tecer considerações mais transcendentes em torno do assunto.

Convenhamos, no entanto, que o Mestre, quando caminhou entre os homens, ensinando-lhes o caminho para o Reino Divino, não lhes enxergava o corpo perecível, mas sim o espírito que iria viver para sempre.

A sua palavra que, em várias ocasiões, se dirigia aos homens e aos espíritos, não se restringia a fatos ilusórios da vida material, que, para Ele, nada significavam, ou, a rigor, sequer existiam.

Indiretamente, pois, ao ressaltar que o Seu reino não era deste mundo, Ele pregou a imortalidade, induzindo-nos, naturalmente, a concluir pela inexistência da morte, a não ser como fenômeno de ordem secundária, não afeto à essência do ser.

A questão ainda é que o Cristo se preocupava em preparar os espíritos para viver, onde quer que fosse, e não para morrer, de vez que a chamada morte sequer lhes poderia acometer os elementos constitutivos do corpo, que, igualmente, são eternos.

“… eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” – disse-nos, o que João fez constar no capítulo 10, versículo 10, de suas preciosas anotações.

Ora, como poderia Ele ter vindo para que o corpo que perece tivesse vida em abundância, se Ele mesmo, o Senhor, não tardaria a encontrar a morte na cruz?!

Claro está que Jesus se referia à vida do espírito – que pode e viverá de modo sempre mais pleno – e não à do corpo, que, a cada dia que passa, sem retrocesso possível, mais e mais se degrada.

A morte, evidentemente, era algo com que Ele, em absoluto, não se preocupava, e se, porventura, chorou diante do túmulo de Lázaro, chorou porque a multidão que esperava que Ele ressuscitasse ao irmão de Marta e Maria, ainda estava muito longe de compreender isso.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

DESENCARNAÇÃO – Irmão José

“A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao amigo de que vos bavíeis deslembrado e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

A sabedoria da Lei da Reencarnação somente encontra parâmetro na sabedoria da desencarnação, porquanto ambas, arrancando os espíritos ao seu comodismo, fazem com que, dos Dois Lados da Vida, eles se ponham em constante movimento.

Imaginemos se, em seu corpo físico, o espírito se eternizasse sobre a Terra, com os seus pensamentos cristalizados e hábitos arraigados… Não se sentir constrangido a deixar o envoltório material, equivaleria para ele perpetuar-se na estreiteza de suas concepções em torno do infinito da Vida.

A desencarnação, além de ser um choque biológico, induzindo o espírito a gradativo despertar, é um choque de natureza espiritual, que arrebata o espírito às ilusões fomentadas.

Quase sempre, de inesperado, subtraído ao meio em que vive, deixando para trás tudo o que – inclusive no mundo intelectual e moral – lhe mantinha o status quo, a contragosto, ele é compelido a rever os seus próprios valores.

Então, exercita-se no desapego ao que é transitório, e que, inutilmente, imagina reter consigo, aprendendo que, esteja no corpo ou não, o homem vale pelo que é, e não pelo que aparenta ser.

Se a reencarnação, muitas vezes, leva o espírito de volta ao passado, a desencarnação, que é o seu contraponto, leva-o de encontro ao futuro, para que, entre idas e vindas constantes, ele ascensione em definitivo.

No entanto, não basta reencarnar ou desencarnar, sem que, onde estiver, o espírito tome consciência de que, dos Dois Lados da Vida, ele está sempre em trânsito com as suas idéias, porque mesmo o Mundo Espiritual imediato ainda não é a sua última morada.

Quando, por fim, o homem compreender que apenas e tão-somente é o usufrutuário dos bens que Deus coloca à sua disposição, ele alijará de si todo sentimento de posse, inclusive o que o faz acreditar que possa ser o detentor da Verdade absoluta.

Porque, de fato, nada concorre mais para que ele se retarde em sua jornada evolutiva que o voluntário estacionamento em pontos de vista que, na maioria das vezes, não passam de expressões de seu limitado conhecimento das coisas.

Reencarnação e desencarnação são fenômenos que, acometendo o espírito, podem assim se comparar ao dinamismo das águas do mar, que estão em incessante movimento, impedindo que o mar, caso viesse a estagnar, se transformasse em pântano colossal.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

ENTRE O JARDIM E O QUINTAL – Irmão José

“Quando deixa a Terra, o espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje receber a luz.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIV – Honrai a vosso pai e a vossa mãe.)

Em qualquer Sistema do Universo, entre um mundo e outro não existe descontinuidade – entre os orbes visíveis e os invisíveis o que há é apenas maior ou menor condensação da matéria que os constitui.

A Terra não passa de uma das infinitas Dimensões em que a Vida se manifesta.

O corpo físico é a expressão mais materializada do corpo espiritual – ou perispírito – como o próprio perispírito é o reflexo mais externo do corpo mental, e assim sucessivamente…

De acordo com a sua condição mental, no grau de lucidez que haja alcançado, o espírito se situa no Espaço que habita, e plasma a paisagem ao seu derredor.

Reencarnação e desencarnação são fenômenos que se restringem ao envoltório, e não ao espírito propriamente dito, que, em sua essência, é sempre o mesmo.

A Terra é como se fosse o portal de comunicação, entre o jardim e o quintal de uma casa que, quando fora do corpo, o espírito atravessa – alguns se dirigem ao quintal, e outros, ao jardim!

À medida que o ser inteligente evolui, ele vai transcendendo a forma que o limita, e, ao mesmo tempo, concorrendo para que, igualmente, a matéria se espiritualize.

Portanto, desencarnar não possui outro significado que não seja transferência de domicílio espiritual.

A mente do espírito sempre se adapta ao meio em que vive e, naturalmente, com ela, as suas percepções.

Quanto mais identificado com a matéria, mais o espírito se permite subjugar, porque, afinal, é com a matéria, e não consigo mesmo, que ele ainda mais se identifica.

Como um pássaro que emerge de seu ninho, a matéria é o berço em que o espírito se desenvolve.

A matéria tal qual a concha de uma ostra, e o espírito, a pérola, que se forma a partir de um grão de areia – mas, um dia, a própria concha da ostra será pérola também.

A Terra é Mundo Espiritual, e o Mundo Espiritual é Terra.

Na ilusão dos sentidos, vida e morte não têm outra conotação que não seja a de ordem terminológica.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

SAUDADE – Irmão José

É natural a saudade pelos entes queridos que demandaram outros caminhos além da morte.

No entanto, essa saudade não pode ser convertida em doença, em inanição espiritual diante da luta que prossegue.

Converter a saudade em esperança no trabalho enobrecedor é a melhor maneira de se aprender a conviver com ela.

Quando não se transforma em desespero, saudade é manifestação de amor na constante lembrança daqueles que nos são incentivo à vida.

As lágrimas da saudade nunca devem ser as do desespero.

A saudade dos que amamos deve ser o nosso pão de cada dia no anseio de reencontrá-los…

Porém, para que nos seja alimento à esperança, a saudade carece de assemelhar-se em nós às rosas que desabrocham entre espinhos.

Invés de amargura no coração, que a saudade daqueles que partiram nos conduza ao serviço do bem, com base nos exemplos dignificantes que eles nos legaram.

Muitos espíritos se submetem ao sacrifício da desencarnação prematura no intuito de despertar os que amam no mundo para as realidades da Vida Imperecível.

A saudade excessiva é egoísmo enceguecedor, impedindo que o homem enxergue os que, à sua volta, permanecem na expectativa do seu carinho.

A saudade no coração que confia é feito o orvalho na corola da flor recendendo a perfume nas manhãs banhadas de Sol.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)

MORTE – Irmão José

A morte é simples mudança de plano existencial.

Em a Natureza, nada desaparece para sempre.

A semente volta a ser árvore, a noite volta a ser dia, o velho volta a ser jovem…

Vida e morte são apenas estados que se alternam e se sucedem no caminho da evolução.

É necessário que os homens se conscientizem de que estão na Terra para breve tempo e que todos, sem distinção, mais cedo ou mais tarde serão chamados à Grande Mudança.

A vida na matéria é ilusão, porque tudo o que é material é transitório, sujeito a inevitáveis transformações.

Ninguém tenha receio de morrer; antes, tenha receio de viver iludido quanto à Verdade.

Ninguém se desespere pelos entes queridos que partiram; em obediência às suas necessidades cármicas, eles simplesmente viajaram mais cedo.

Apenas tem medo da morte quem desconhece a Vida.

Além do túmulo, continuamos a ser nós mesmos, porque se a morte nos despoja do corpo, não nos altera a individualidade.

Portanto, ninguém espere alcançar na morte a auréola de santidade que não logrou alcançar na vida…

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)